Manifestação terá lugar no domingo, 3 de Agosto, na estação ferroviária de Nelas, data que assinala o 143.º aniversário da linha. Movimento Cívico pela Linha da Beira Alta apela à mobilização de residentes e trabalhadores da região.
Populações e associações da região centro interior vão concentrar-se no domingo, 3 de Agosto, pelas 14h00, na estação ferroviária de Nelas, para exigir a reabertura integral da Linha da Beira Alta. A ação, organizada por um movimento cívico apartidário, coincide com o 143.º aniversário da inauguração da histórica infraestrutura ferroviária e decorre sob o lema “Beira Alta na Linha, já!”.
Encerrada há mais de três anos, a Linha da Beira Alta continua sem uma data certa para retomar plenamente o serviço ferroviário, o que tem gerado críticas crescentes de cidadãos, empresas e autarcas. Os promotores da iniciativa alertam para o impacto negativo do encerramento na mobilidade da população, no acesso a serviços essenciais como saúde, educação e justiça, no turismo e na atividade das pequenas e médias empresas, sublinhando também as consequências ambientais da transferência de passageiros e mercadorias para a rodovia.
“A exclusão ferroviária agrava o isolamento da região e compromete o seu futuro”, denunciam os organizadores, que integram o Movimento Cívico pela Linha da Beira Alta. Este coletivo junta várias associações e instituições da região, além de cidadãos residentes ou trabalhadores na Beira Alta, que redigiram um documento intitulado Manifesto pela Linha da Beira Alta. O texto será enviado ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, aos deputados eleitos pelos círculos da Guarda, Viseu e Coimbra, à empresa Infraestruturas de Portugal e a outras entidades com responsabilidade no sector.
Entre as organizações subscritoras do manifesto estão a Associação Move Beiras, ATMU – Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio, AZU – Associação de Zonas Uraníferas, Fundação Lapa do Lobo, GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, Milvoz – Associação de Protecção e Conservação da Natureza, Movimento Cívico de Nelas, Movimento Estrela Viva, Rural Move – Associação para a Promoção do Investimento em Territórios de Baixa Densidade e Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza.
A concentração de 3 de Agosto, dizem, pretende ser uma chamada de atenção clara ao poder político para que cumpra os compromissos assumidos e devolva à região um eixo ferroviário estruturante, com ligações eficazes e regulares.
O manifesto na integra:
“Beira Alta na Linha, já!”
Manifesto pela Linha da Beira Alta
Três governos, três ministros e mais de três anos depois, a Linha da Beira Alta continua encerrada!
Desde 19 de abril de 2022 que a principal ligação ferroviária da região da Beira Alta está cortada. O que começou como uma prometida intervenção de nove meses, com Pedro Nuno Santos na tutela, transformou-se numa saga de sucessivos adiamentos, justificações frágeis e promessas quebradas, com Pedro Nuno Santos, João Galamba e, mais recentemente, Miguel Pinto Luz a repetir o mesmo padrão: prazos por cumprir e uma região, mais uma vez, ignorada.
À data, somam-se cerca de 40 meses de encerramento, um número absurdo que, imagine-se, ultrapassa o tempo que demorou a construir toda a linha no século XIX!
Este encerramento tem tido um impacto profundo na região centro interior, uma zona já marcada pelo isolamento e envelhecimento da população, destacando-se:
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a perda da mobilidade da população, com impacto no acesso aos principais centros urbanos e serviços essenciais (saúde, educação, justiça) e perda da qualidade de vida;
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os prejuízos económicos e sociais para a população que aqui vive e trabalha e para as pequenas e médias empresas que aqui se instalaram;
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a dificuldade de fixação de novos residentes e captação de investimento;
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a redução das exportações e importações via ferrovia, nomeadamente no eixo logístico Pampilhosa–Vilar Formoso;
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o impacto ambiental agravado, com o desvio de passageiros e mercadorias para a rodovia.
Para além disso, a ausência de transportes públicos eficazes durante o encerramento da linha, bem como a falta de comunicação e de transparência por parte da tutela, e a falta de envolvimento das comunidades nesta intervenção, agravou o sentimento de abandono e de desconfiança da população pelas instituições e discurso político.
A Linha da Beira Alta é uma infraestrutura estratégica para a região e liga o país à Europa, o interior ao litoral. É um instrumento de coesão social e territorial, um símbolo de justiça territorial e um pilar de desenvolvimento sustentável.
Por isso mesmo, exigimos:
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Respostas claras da tutela, com um cronograma de intervenção público, transparente e fiscalizável;
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Um compromisso sério, com garantias políticas e técnicas que respeitem as populações;
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Responsabilização pelos atrasos acumulados e pelos danos causados;
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Medidas concretas de compensação e recuperação do serviço ferroviário regional, bem como um compromisso de estabelecimento de ligações de acesso às principais localidades (através de transporte complementar).
A Linha da Beira Alta é um direito de ligação entre pessoas, territórios e oportunidades, é um instrumento de desenvolvimento regional e nacional.
Não aceitamos mais silêncio, mais promessas vagas, nem mais comunicados sem consequências.
O futuro do interior passa pela ferrovia.
Queremos a Beira Alta na Linha, já!
Beira Alta, 24 de Julho de 2025
Movimento Cívico pela Linha da Beira Alta
Organizações subscritoras:
Associação Move Beiras
ATMU – Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio
AZU – Associação de Zonas Uraníferas
Fundação Lapa do Lobo
GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
Milvoz – Associação de Protecção e Conservação da Natureza
Movimento Cívico de Nelas
Movimento Estrela Viva
Rural Move – Associação para a Promoção do Investimento em Territórios de Baixa Densidade
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
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