A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital aprovou na última reunião a instalação de um parque fotovoltaico na encosta do Vale do Alva, um projecto da empresa Sonae Arauco que representa um investimento de nove milhões de euros, alegadamente com o apoio do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A decisão gerou controvérsia, com a oposição a votar contra a localização do empreendimento, que ocupará cerca de 16 hectares e contará com aproximadamente 2300 painéis solares, podendo ter impactos negativos numa paisagem reconhecida como um dos principais cartões de visita do concelho.
O documento, que se encontra em apreciação há vários meses na autarquia, chegou à reunião do executivo porque, se o licenciamento do projecto dependia apenas do presidente da Câmara, já a aprovação para a instalação do parque naquela zona protegida, classificada como um local sensível de protecção florestal – onde a construção é proibida –, exigiu o reconhecimento, por parte da maioria do executivo, da inexistência de alternativas viáveis num raio de cinco quilómetros da unidade fabril da Sonae Arauco.
“Não seria impossível encontrar outra localização, pelo que não se entende esta aprovação. A própria Câmara já adquiriu um terreno na zona industrial para a instalação de painéis fotovoltaicos, o que demonstra que há alternativas que poderiam minimizar o impacto na paisagem”, afirmou uma fonte conhecedora do processo, acrescentando que a autarquia não terá conseguido negociar contrapartidas eficazes, como medidas de reflorestação e compensação ambiental para o concelho. Além disso, sublinhou que a empresa investirá na encosta do Vale do Alva, criando poucos postos de postos de trabalho (dois) a tempo inteiro, enquanto os restantes benefícios vão para Mangualde, onde se localiza a sede da Sonae Arauco.
Segundo apurou o CBS, esta foi a segunda vez que o projecto foi submetido à apreciação do executivo municipal. Na primeira discussão, realizada em Fevereiro, o documento terá sido retirado da ordem de trabalhos pelo presidente da Câmara, José Francisco Rolo, após a “oposição muito crítica” do vice-presidente Nuno Oliveira, que poderia votar ao lado da oposição, o que levaria ao chumbo do projecto. Na última, reunião Nuno Oliveira já se mostrou favorável à instalação dos painéis fotovoltaicos na encosta do Vale do Alva. “Não tenho conhecimento de uma grande alteração no projecto para esta mudança de opinião, mas temos de ver se mudou algo”, sublinha uma fonte que teve conhecimento da anterior proposta e que alegadamente terá sido a mesma a chegar a esta última reunião de Executivo.
Além da divisão no executivo, a instalação do parque fotovoltaico tem gerado preocupações entre a população local, que teme o impacto na paisagem, considerada um dos principais atractivos turísticos do concelho. Na área em questão situam-se, entre outros, o empreendimento de luxo Aqua Village Health Resort & Spa e empresa turística Be Alva.
O CBS tentou obter declarações sobre os motivos que levaram a oposição a votar contra, mas o vereador Francisco Rodrigues, recandidato à presidência da autarquia pelo PSD, limitou-se a confirmar o voto desfavorável da coligação PSD-CDS. “A minha posição ficou registada em acta e em breve será conhecida”, afirmou.
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