Home - Outros Destaques - “Comecei a ficar desconfortável, quando surgiu a ideia de transformar o Reino do Pienal, num estado soberano”.

“Comecei a ficar desconfortável, quando surgiu a ideia de transformar o Reino do Pienal, num estado soberano”.

“A ambição Martin Junior é ter poder, dinheiro e atrair pessoas para ali investirem”. Vivien Galjart, natural dos Países Baixos, foi a “parteira” da criança (Samsara) que faleceu no Reino do Pineal. Conta como perdeu dinheiro no “Reino do Pineal” e o que sofreu para abandonar a seita que se instalou em Oliveira do Hospital.

Vivien Galjart leu as 68 páginas do manifesto do Reino do Pineal. Ficou convencida e investiu ali parte das suas economias na compra baterias para painéis solares. Ficou sem o dinheiro. Foi contra a criação do autoproclamado Reino do Pineal, mas foi “silenciada”. Foi ela ainda que fez o parto a Gabriela para o nascimento do filho, Samsara, que morreu aos 13 meses. Conseguiu sair e regressar ao seu país.

Corria o mês de Junho de 2020, em pleno auge da pandemia da Covid-19. Vivien Galjart foi aliciada na internet para se juntar a uma comunidade que tinha acabado de ser criada, “ainda muito pequena, em Vila do Mato”, começa por nos revelar. “Gostei do que vi e decidi juntar-me à comunidade em 14 de Setembro de 2020”, conta.

“No início gostei muito, quem lá estava partilhava comigo muitas ideias, eram pessoas inteligentes, divertíamo-nos, a comida era maravilhosa”, relata. Vivien adianta ainda que “algumas pessoas saíram, porque não gostaram”.

“Também eu comecei a não gostar e a ficar desconfortável, quando começou a ideia do Reino do Pienal, como estado soberano”. “Li o manifesto de criação do Reino, que tinha 68 páginas, e onde o Martin propôs as suas ideias para se tornar num Reino soberano”, explica, avançando que só ela “e outro integrante da comunidade” não foram “seduzidos pela ideia. “O resto dos membros acharam uma boa ideia”, explica.

Foi neste ponto que as coisas começaram as coisas a mudar: “Percebi que só eu tinha lido o manifesto e que as coisas começaram a tornar-se num “culto”, pois o Martin (agora Agua Pinheiro), estava a ficar aborrecido por estar a gerir apenas uma pequena comunidade”, diz-nos, demonstrando que realmente a ambição era o “dinheiro e atrair pessoas para ali investirem”.

“Mostrei-me contra a ideia, e desde logo comecei a ser mal visto pelos outros membros”, lamenta, com o Martin a dizer-lhes que “eu era uma mulher com muitos sentimentos e não sabia o que dizia”, confirmando que foi “silenciada”.

Sobre o ritual da queima dos passaportes, que o americano Tevont Smith confirmou na sua página no Instagram, diz-nos que não presenciou, mas sim, “ouvi muito falar nisso”.

“Decidi deixar a comunidade em início de Março de 2021, levei algum tempo a conseguir, mas finalmente consegui, arranjando um lugar para morar”. “Fui eu que fiz o parto da Gabriela, mãe do Samsara, que morreu depois com 13 meses de idade, mas “eu já não estava a morar lá, quando o menino faleceu”.

Foi convencida a investir nas baterias dos painéis solares, com a ideia do colapso dos mercados financeiros. Martin (Agua Pinheiro), prometeu devolver-lhe o dinheiro, o que não aconteceu até agora. “Gastei ali parte das minhas poupanças, como muitos outros, com a ideia de colapso dos bancos e mercados financeiros”. Ainda assim assume que “muitos membros não entraram com dinheiro”.

Um argumento que o líder também usava é que “iríamos ali viver para sempre e então era bom colocarmos o nosso dinheiro ali”. “Fui muito ingénua e estúpida”, confessa, explicando que foi “forçada a pagar a conta do que ele já tinha gasto e acabei por ceder”. “Senti-me muito desconfortável, mas acabei por pagar e ele prometeu devolver-me o dinheiro, mas, claro, até hoje, nada aconteceu”, conclui.

José Miguel Silva

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