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Crime, digo eu. Autor: Fernando Roldão

Inspirei-me no romance de Agatha Christie , 1961, onde a personagem principal é Miss Marple, governanta, que assistiu a um crime de estrangulamento de uma jovem que se deslocava de comboio.

Ninguém lhe deu ouvidos, inclusive as autoridades e ela resolveu, num acto de cidadania, investigar, por sua conta e risco.

Lutando contra tudo e contra todos, não perdeu a esperança, utilizando toda a sua perspicácia e força de vontade para conseguir provas que levassem á descoberta do ou dos criminosos, ela disse “Murder, she said”.

Espírito altruísta, com vontade própria e discernimento, perseguiu factos até à exaustão, conseguindo alcançar o seu objectivo.

É pena que as “Miss Maeples” só existam em romances e na ficção, porque na vida real, há muito crimes por investigar, sendo o mais grave, a falta de vontade ou coragem para os investigar.

O deixa andar chega a ser confrangedor, doentio e caótico, criando uma auréola de impunidade para quem os comete e uma frustração para quem, a moral e a justiça são valores inegociáveis.

Há cerca de 50 anos, meio século, uma vida inteira a conviver com a irresponsabilidade, a ver o crime passar em frente do nariz, sem nada poder fazer, pois há uma maioria que boicota tudo o que os possa levar à barra do tribunal, para responderem e eventualmente serem condenados, pela prática de actos ilícitos.

Andamos, por pressão dos infractores, a inverter os valores com que a sociedade deveria aceitar e promover.

Faço minhas as palavras de Miss Marple, ao dizer, crime!

Se uma equipa de futebol, joga mal, não ganha, de quem é a culpa? Do treinador e é normalmente ele que é despedido, desprestigiado, salvo raras excepções, deixando de fora os reais prevaricadores.

Na equipa Portugal, todos os treinadores estão isentos de culpa, não assumem as suas responsabilidades, com a agravante de se imporem como se nada fosse com eles, como deuses intocáveis.

Morrem 17 pessoas, inocentes, devido à incompetência dos responsáveis pela gestão da segurança dos mesmos e nada lhes acontece. Por todo o teatro que resulta destes acidentes, nunca há responsáveis, ou melhor, esses são os que estavam lá no dia trocado e na hora errada.

Rouba-se o erário público em 4 milhões de euros e não há consequências para os responsáveis, porquê?

Desfalcam-se bancos e os lesados é que têm que repor o saldo, sendo os ladrões condecorados pelo seu feito, passando de uma liderança para outra, como prémio pela sua audácia.

Um traidor da pátria, comete os maiores desvarios que se possam imaginar e recebe um prémio mensal de cerca de 30 mil euros, deixando atrás de si um rasto de miséria, de fraudes, de ilegalidades, sem que alguém, baseando-se na lei fundamental do país, o obrigue a responder pelos seus desvarios.

Uma quadrilha andou a mentir ao país, aniquilando o pequeno comércio, obrigando, contra todas as leis, o Zé Povinho a andar a brincar ao carnaval, de máscaras na cara a tomar uma pica, que todos sabiam ser perniciosa e má.

Felizmente que já saíram a publico, documentos que provam que existiu uma fraude, ao nível global, talvez a maior desde que a humanidade existe, mas eu pergunto, onde estão os responsáveis que façam funcionar a justiça para que esta siga os seus tramites e cumpra a sua missão?

Crime, digo eu e mais alguns, mas infelizmente ainda somos poucos para repor a ordem e a decência nesta perdida humanidade.

Se um simples cidadão abandonar o seu posto de trabalho para ir a uma manifestação, passear de barco ou gritar slogans sem nexo e fora de contexto, seria imediatamente despedido.

Então ser ministro, deputado, presidente de câmara é só para ficar nas fotos bonitas e cheias de sorrisos “pepsodente “e nos momentos menos bons, não querem ficar no retrato?

Crime, digo eu, pois enquanto não levarmos à justiça os responsáveis pelo estado promíscuo, canceroso e anárquico em que o deixaram o país, que é de todos nós, que pagamos impostos, que somos traídos por bandidos mascarados de fato e gravata, seremos eternamente cúmplices destas gravosas atitudes de lesa pátria.

O país está sem lei nem ordem, com valores trocados, onde os criminosos, os invasores, são bem tratados e os cidadãos cumpridores são assaltados, humilhados, excluídos e proibidos de exercer os seus direitos.

Estamos perto de mais um acto eleitoral, por isso recomendo precaução para votar na razão, nos actos e não nas promessas, porque 50 anos delas já chegam.

Não esqueça que quem não defende o que é seu, não merece o que tem.

 

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

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