A Junta de Freguesia da Aldeia Viçosa anunciou hoje o regresso da tradição do Magusto da Velha, um evento que não se realizou nos moldes tradicionais nos dois últimos anos devido à pandemia da COVID19. A autarquia promete dar cumprimento ao testamento que está na origem do evento que se realiza sempre no dia a seguir ao Natal naquela freguesia do concelho da Guarda.
“É com todo o orgulho que apresentamos o programa para o Magusto da Velha 2022, o ano do regresso nos moldes tradicionais (nos dois anos de pandemia, levámos o Magusto a casa de cada conterrâneo). Convidamos todos a participarem nesta festa Secular (século XVI/XVII) e Singular (única no mundo). Iremos distribuir castanhas e vinho (para cumprir o Testamento), rebuçados, torradas no melhor azeite do mundo (o nosso), jeropiga”, refere uma nota da autarquia.
O evento contará com a participação do grupo Hereditas, Tiago Sami Pereira, Grupo de Percussão de Valhelhas, DJ Maksimus e os sinos irão repenicar. “O Madeiro de Natal irá aquecer-nos. Atenção às cavaladas, não se podem distrair. O Magusto da Velha promete invadir todos os nossos cinco sentidos”, sublinham, sem esquecer a missa por alma da Velha como manda o Testamento. “Presença obrigatória, porque o Magusto é também a celebração da solidariedade”, conclui a missiva.
O “Magusto da Velha” é revivido anualmente no dia 26 de Dezembro e conta, entre todas as actividades, com uma missa na igreja matriz por alma da “velha” e de António Martins, o único Soldado nascido em Porco, hoje Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda e morto na 1ª Guerra Mundial, no dia 16 de Junho de 1917.
A história da tradição de Aldeia Viçosa, mencionada no livro “Livro de Usos e Costumes desta Igreja do Lugar de Porco”, do Padre António Soares Meirelles, conta que foram lavradas escrituras com o gesto desta Velha, em que esta estabelece um compromisso com a Igreja local: “Tem obrigação de dar (…) cinco meios de castanha e cinco alqueires de vinho pela alma de uma velha que deixou noventa e seis alqueires de centeio a esta Igreja impostos na Quinta do Lagar de Azeite para que com esta castanha e vinho se fizesse no mesmo dia um magusto e todos dele comessem e rezassem na Igreja um Padre Nosso pela sua alma”.
Desde então, o povo tem organizado esta festa que recorda o gesto benemérito de quem deu de comer aos pobres em plena época medieval, uma época caracterizada por fomes, guerras e doenças. São comprados 150 quilos de castanhas que são atirados do alto da torre da Igreja Matriz, única classificada como Interesse Público do concelho da Guarda.
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