Home - Opinião - E assim nasceu o Centro de Recreio e Convívio de Alvôco das Várzeas. Autor: António Fontes*

E assim nasceu o Centro de Recreio e Convívio de Alvôco das Várzeas. Autor: António Fontes*

Aproveito a brilhante organização do arraial social, de 1 de Setembro de 2023, que juntou todas as colectividades num só espaço, dando o seu melhor para valorizar o evento com o objectivo de requalificação do salão polivalente da CERCAV, para contar a forma como nasceu o Centro de Recreio e Convívio de Alvôco das Várzeas. Uma instituição vulgarmente conhecida como… CERCAV.

Falando de história e tradição.  Pessoalmente assumo fazer parte da história da casa que foi mãe do lar que actualmente Alvoco possui, ou seja, o lar e respectivas valências (o ATL, creche e jardim de infância). O ATL foi a primeira que transitou, por interesses políticos, para a Ponte das Três entradas, desfalcando o número de crianças no jardim de infância, sendo este o primeiro do concelho, solicitado por mim na Assembleia municipal, onde o Eng. Homem Ribeiro, as forças partidárias votaram a proposta apresentada pela excelentíssima doutora Adelaide Freixinho. Todos votaram a favor menos o Eng. Homem Ribeiro

Se não irritar ninguém dou a conhecer duas pessoas. Sem informação da primeira não chegaria à segunda. Sem estas duas pessoas não tínhamos a Cercav. A primeira pessoa foi o meu compadre Eng. António Campos Lencastre. Ao ser informado, desloquei-me a Coimbra falar com o saudoso doutor Páscoa Pinheiro. De regresso fui ter com uma grande senhora, saudosa também, Dona Carolina Antunes. Dei-lhe conta de toda a conversa do Dr. Pascoa Pinheiro. Onde ele diz que dava 1500 contos, mais a madeira necessária e carpintaria e mais material disponível, que tivessem no estaleiro, em Poiares.

Faltava-nos tudo (comissão, terreno ou casa). Na verdade, não tínhamos nada. Tudo isto foi transmitido a Dona Carolina que respondeu: “não posso ficar indiferente a uma obra social, vendo-vos a casa queimada por um preço inferior ao valor, por 350 contos e ofereço 50 contos para as obras.”

Faltava constituir a comissão. No mesmo dia ficou tudo resolvido. Estavam a actuar no largo 25 de Abril uns artistas, solicitei-lhes o micro e, de cima do carro de bois do Sr. Albano, a todos foi transmitido o que se passou em Coimbra e as cedências da Dona Carolina Antunes. Com os presentes constitui-se a comissão.

O preço da casa queimada que a Dona Carolina pedia era de certo inferior ao seu real valor. Fomos então selar o negócio. Eu, o Salvador Figueiredo, o Higino Silva Moura, o Diamantino Baila, o Zé Pedro e o Armando Tavares. A Dona Carolina fez questão de voltar a repetir que dava 50 contos para a obra.

Era necessário desbloqueamento da RENE e da RAN, algo que com o voluntarismo do Dr. Eng. Fuinhas ficou resolvido. Para dar o “Ok” ao arquitecto Neves de Oliveira responsável pelo gabinete da engenharia agrícola a nível nacional.

“…não era uma direcção para venda de vinho, nem aguardente, mas sim para trabalhar na área social…”

Com as burocracias ultrapassadas deu-se início a obra.

A obra semi- acabada teve várias direcções. Falo somente de duas.

Uma era constituída por Armando Tavares na presidência, Vítor Fontes e António Andrade Fontes. Nesta direcção foram comprados alguns utensílios com dinheiro emprestado por alguns sócios. Fomos à Segurança Social a uma entrevista com o Dr. Queiroz de Lima para solicitarmos apoio social para aquilo que temos hoje.

Na segunda direcção, onde o Presidente era José Ferreira Loureiro, e contava ainda com Acácio Mendes e o Baltazar. Com muito empenho, o presidente fez vários contactos na segurança social. Também se empenhou a nível cultural, criando um rancho que foi ensaiado pelo Sr. Teles, com algum prestígio. Não foi mais além porque os outros dois elementos não eram favoráveis às suas iniciativas.

Umas listas teriam de aparecer. Surgiu uma com nomes sem as pessoas serem consultadas. Verificando-se que ficaria mais uma vez adiado o objectivo que muitos de nós ambicionávamos.

Pedi à mesa se me consentia a apresentação de uma lista com nomes consultados naquele momento. Foi-me dito que sim.

Antes de ir à votação pedi a palavra, que me foi dada, e expliquei que não era uma direcção para venda de vinho, nem aguardente, mas sim para trabalhar na área social. Tivemos uma votação superior 95 por cento. A direcção foi constituída por António Andrade Fontes (presidente), António Gonçalves, José Dias, Antero Gouveia Gonçalves e Salvador Figueiredo.

A direcção solicitou ao Director da Segurança Social uma reunião para concretização dos nossos objectivos. Fomos recebidos pelo Dr. Oliveira Alves que nos deu todas as esperanças. Numa destas reuniões com o DR. Oliveira Alves assinamos com os primeiros cinco utentes, onde houve alguma dificuldade de aceitação. A nível psicológico sentiam um certo estigma em pertencer ao centro de dia. Com eles, também assinaram os primeiros utentes na creche e do ATL.

Mas aquele estigma apenas desapareceu quando o Adelino Fontes e a esposa, Salvador Figueiredo e a esposa e a Adelaide Roque se tornaram utentes com muito esforço da minha parte. No fim do mês já tínhamos oito, mas com o apoio para cinco. No final do mês já eram muito mais, mas com as respectivas folhas de comprovativo para a segurança social. Chegando aos 15 utentes assinados ainda pelo Dr. Oliveira Alves.

Cumprido as valências do Centro de Dia, outras valências desejávamos conseguir. Na CERCAV adaptaram-se algumas partes físicas de acordo com as indicações dos técnicos da Segurança Social. Após essas adaptações, faltava-nos a valência do apoio domiciliário.

A substituir o Dr. Oliveira Alves veio o Dr. Sousa Alves e a Dra. Lurdes Leal. Grandes amigos de Alvoco e da nossa instituição. Em Reunião com o Dr. Sousa Alves foi dado a conhecer as dificuldades financeiras pelos atrasos de pagamentos da Segurança Social. O Dr. considerou pagar tudo com efeitos retroactivos à assinatura dos acordos, ficando a CERCAV com um fundo de maneio que permitiu ter a meio tempo a técnica Dra. Anabela e a seguir a Dra. Luísa. Em terceiro, a tempo inteiro a Dra. Carla Nereu muito empenhada, fazendo um estudo sociológico tão bem elaborado para participar ao P.A.I., sendo considerado dos mais bem fundamentados. Fomos apoiados. Obrigado à Dra. Carla Nereu.

As valências do P.A.I. e do domiciliário permitiu folgadamente um fundo de maneio considerável. As instalações da CERCAV já eram insuficientes. Gastou-se algum dinheiro em projectos. Um foi feito pelo saudoso Dr. Eng. Veiga que não levou dinheiro nenhum. O último foi feito na ABCI, sugerido pelo meu primo Vítor Fontes, foi aprovado por administração directa sobe o controle do Eng. Alves Santos. Acompanhei as obras por indicação dos restantes membros da direcção, fiz com empenho a caminhada desde a CERCAV até à meta: o local onde se encontra a grande obra social e empregadora.

Na caminhada houve um grande ano e tal parado. Sem solução. Tivemos também a perda Dra. Carla Nereu que foi substituída pela Dra. Laura.

Julgo que o Tó Mané deve ter tido várias conversas com a doutora Laura, porque várias vezes me telefonou, a fazer pressão para desbloquear o assunto junto das entidades.

“…. Sempre tive consciência que eu a liderar incentivava o ódio e a inveja de alguns que gostariam que houvesse insucesso nos eventos que liderei…”

Eu fui lhe dizendo que não me envolvia mais, justificando que os outros elementos da direcção eram capazes de levar a obra até ao fim.

A obra estava dia após dia na mesma sem solução de continuidade. Foi um telefonema inteligente da doutora Laura dizendo-me que as assistentes sociais do conselho tinham tido uma reunião com o Presidente da Câmara.

Este que tinha referenciado que nada faziam nas juntas socialistas e nas obras sociais onde estavam os socialistas envolvidos. Isto tocou-me politicamente. Liguei à secretária do doutor Nuno Filipe, dizendo-lhe que precisava de falar com ele. Vinte minutos depois liga-me a secretária a dizer: para no dia a seguir estar no gabinete do doutor às 11h30.

O doutor Nuno Filipe era o Presidente das cinco regiões da segurança social. Ao apresentar-lhe a situação, que atrás já reverenciai, para a continuidade da obra. O doutor respondeu-me que tínhamos de ser rápidos a apresentar alguns documentos. E porquê?

O ministro da segurança social o doutor Ferro Rodrigues tinha sido substituído pelo Bagão Félix. Este teria conversado com o doutor Filipe que seria substituído. Nesse mesmo dia fiz uma chamada do gabinete do doutor Filipe à doutora Laura dando-lhe a conhecer o solicitado.

Ela foi de uma eficácia e rapidez que tornou a possível irmos a concurso para acabar o inacabado.

Eu e a doutora Laura encontramo-nos em Coimbra e fomos à segurança social acompanhados pelo engenheiro Pedro Coimbra e o engenheiro Alves dos Santos.

Todas as portas se abriram e deram o “OK”. Solicitei que recebessem a doutora Laura como se eu estivesse presente, pois com os meus afazeres, nem sempre estava disponível. Rapidez e eficiência tornou-se concretizável, o que por ela, insistentemente era solicitado. O que o Tó Mané certamente lhe transmitia. Abençoado o seu empenhamento, o ter-me convencido a continuar o que estava parado. Meu reconhecimento pelo seu profissionalismo. Muito obrigado doutora Laura.

“Nas últimas eleições, fui descartado para um quinto lugar, tendo consciência plena que os bons nunca prestam na boca dos que nada valem e nada fizeram nem fazem…”

Quando falo em portas abertas, falo nelas porque eram de várias cores partidárias. Uma delas abriu-se e chamou-me para me mostrar o que o doutor Nuno assinou, só tinha o carimbo e a assinatura. Disse-me: “volta para trás como é da tua cor e diz-lhe é preciso o selo branco. Venha quem vier tem que cumprir”. Subo as escadas, falo com o doutor Nuno, transmiti-lhe de imediato. Pôs o selo branco.

Ao concurso ainda decorreu com o doutor Nuno. A substituí-lo veio doutor Oliveira Alves.

Sempre entendi e entendo sem um mecanismo social, solidariedade, não existe democracia e socialismo. A solidariedade tem de ser transversal a todos e para todos. Sempre tive consciência que eu a liderar incentivava o ódio e a inveja de alguns que gostariam que houvesse insucesso nos eventos que liderei. Mais tarde menciono-os a todos.

As obras foram concluídas. Todas as valências e actividades transitaram para o actual lar.

Foi necessário contrair o empréstimo A Caixa geral de depósitos, foi pago. Repete-se mais um pequeno empréstimo, para os voltaicos e painéis solares, estes pagaram se por eles próprios.

O Presidente Mário Alves compra o terreno ao lado, onde pagámos o montante de cinco mil euros. Tínhamos de dar continuidade ao crescimento. Houve dinheiro vivo para pagar os projectos.

Havia necessidade de negociar um novo empréstimo na Caixa geral de depósitos. O mesmo foi assinado em 2014 na Caixa Geral de Depósitos, em Coimbra, por António Andrade Fontes, António Manuel, Antero Gouveia Gonçalves e a presença de doutora Vera. Eu estava bastante debilitado, com dificuldade assinei e em seguida eles deixaram-me no hospital inconsciente. Se demorasse mais tempo aconteceria o pior.

Com a aprovação do crédito, iniciou-se a obra paralela à primeira, sendo Jorge Silva o seu seguidor. Mais tarde renegociou o empréstimo com a Caixa Arícola, em melhores condições. Tudo isto tornou a obra visivelmente deslumbrante. Esta obra em Alvôco tem valor económico e social.

Nas últimas eleições, fui descartado para um quinto lugar, tendo consciência plena que os bons nunca prestam na boca dos que nada valem e nada fizeram nem fazem. O meu desabafo é verdadeiro com sentido de solidariedade social e humanista. Não são os conselheiros de bancada que valorizam a importância social e humanista da grande obra física, que pela entrega dos seus quadros e restante pessoal pode e deve ser uma grande referência social.

Por último, quero agradecer ao engenheiro António Campos Lencastre a alma da dona Carolina, aos seus familiares, noras netos e bisnetos, o meu muito, muito obrigada.

Ao Casimiro temos de agradecer o facto de ter equipado a cozinha com o material hoteleiro em cerca de 80 por cento. Só começou se começou a pagar ao fim de 12 meses. Certamente este gesto generoso as pessoas esqueceram-se. Eu, enquanto tiver o computador com massa encefálica, não esquecerei. Obrigada Casimiro.

Seguiu-se a trajectória social do antes e depois do 25 de Abril.

 

 

 

Autor: António Fontes

* Membro histórico do Partido Socialista de Oliveira do Hospital

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