Home - Opinião - É bonito o Açude da Ribeira. Mas não devemos fazer “publicidade enganosa” a este “Passadiço-Ponte”!… Autor: João Dinis, Jano

É bonito o Açude da Ribeira. Mas não devemos fazer “publicidade enganosa” a este “Passadiço-Ponte”!… Autor: João Dinis, Jano

Olhando nós para os cartazes, as fotos e os vídeos de “propaganda publicitária” – institucional ou não – sempre se vê, impactante, a bela cascata de água a cair no Açude da Ribeira. Uma imagem que, pela Natureza, na realidade não se vê, ali, durante metade do ano.  Uma tal ausência da bonita cascata é  um autêntico desconsolo visual e emocional…

Assim, imagine-se desde já a reacção de muita Gente que ali virá sobretudo no Verão, época de férias, e apenas lá vê a parede alta do Açude, a qual, sendo de admirar, todavia não é o motivo principal para as visitas atraídas pela imagem da grande cascata a cair do alto.  Muitas dessas Pessoas visitantes podem sentir-se defraudadas e, provavelmente, até vão indignar-se. E não vão voltar e até vão desencorajar outras de virem até cá !…

Senhor Presidente da Câmara tenha mais bom senso e não exagere tanto…

Senhor Presidente da Assembleia Municipal reveja a “matéria dada” que já  “esqueceu”…

Ouvimos e vemos pela comunicação social local as “conversas” produzidas durante a inauguração (21 de Maio) do “Passadiço-Ponte” em que o Presidente da Câmara esteve particularmente agitado e palavroso. E antes disso terá ele dito em declarações à LUSA  que o Açude da Ribeira, e citamos, “tem o efeito, passe o exagero, das Cataratas do Niágara” (?!).  Ora, isto não se trata de um mero “exagero” de imaginação em ambiente de alguma voluptuosa epifania. Trata-se de exagerar muito o nível já de si criticável do próprio disparate e seja este “instagramável” ou não.  Portanto, mais contenção que o nosso Município merece essa sua presidencial compostura…

Entretanto, o Presidente da Assembleia Municipal e também Deputado na Assembleia da República voltou a insistir em que no pagamento total da obra do “Passadiço-Ponte” não entrou dinheiro nem do Orçamento do Estado nem do Orçamento Municipal o que não é verdade.  Esta sua repetida incorrecção constitui uma gafe tremenda  da sua parte.  Dessa forma, digamos que vem adensar um “mistério” à volta da proveniência dos 75 mil euros de custos a considerar e que remanescem acima dos anunciados 375 mil euros de comparticipação específica da União Europeia no custo total divulgado dos 450 mil euros.  Vá, vá rever esta matéria em que teve intervenção directa e mesmo decisiva para depois se “esquecer” dela tão flagrantemente…

Passadiços” pelo belo Vale do Mondego com atracção real todo o ano.

E o Presidente da Assembleia Municipal também insistiu na ideia em que essa comparticipação da União Europeia se não fosse gasta ali, naquele “Passadiço”, poderia ir para outro país, o que é outra inverdade que sobretudo serve para manipular o raciocínio das Pessoas nesta matéria dos financiamentos públicos.  É que, exactamente no âmbito do programa público – “PO Centro, do Portugal 2020”, integrado no programa comunitário “FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional”, em que foi apresentada e aprovada a candidatura deste “Passadiço-Ponte” a financiamento comunitário (e também camarário), poderia ter sido apresentado, em alternativa decidida politicamente pela Câmara, outro projecto do género.   Por exemplo, para um “Passadiço” a sair desde o mesmo cimo “panorâmico”  na margem direita do Rio Seia, junto ao Açude, e a continuar de uma forma “simplificada” também para a margem esquerda logo abaixo do “velho” Pontão por ali existente.  Um “Passadiço” muito menos agressivo para o local e que seria até muito mais barato.  Ou um outro projecto  com “Passadiços” e outros percursos no correr do belo Vale do Mondego, com passagem também por baixo da Penha da Póvoa.

E o agora Presidente da Assembleia Municipal também se substituiu ao Presidente da Câmara, como aliás usa fazer, ao anunciar – publicamente – que já há outro projecto camarário no valor de “um milhão de euros” para mais “passadiços” nesta mesma zona do Rio Seia e envolvências… Ora, com este tipo de “antecipações” dá mesmo a  ideia de que é ele quem continua a “mandar” na Câmara através de interposta pessoa e autarca.  E, ao mesmo tempo, o actual Presidente (institucional) da Câmara Municipal deixa-se subalternizar com pelo menos aparente passividade.  Ora, esta é uma situação que subverte o funcionamento democrático dos Órgãos Autárquicos e respectivo âmbito de intervenção política e administrativa.  Não faz nada bem à Democracia e fere a ética e o respeito pelas atribuições e competências que devem prevalecer entre os principais Autarcas do Município.

Já agora, a senhora Presidente da Junta de Freguesia de Lagares da Beira também precisa de se actualizar quanto ao facto de, desde 2001 e independentemente de outras considerações, a margem esquerda do Rio Seia, no local, já fazer parte da “sua” Freguesia e  não da de Ervedal da Beira como era antes dessa data.  Enfim, talvez por isso, a Câmara não fez incluir o seu nome na placa ali descerrada no acto da inauguração do “Passadiço”. Mais uma gafe…

E assim (mal…) vai este “campeonato local”…

 

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