O reconhecimento àquele grande vulto da cultura portuguesa, que faleceu com 91 anos no passado dia 28 de Abril, vai ser feito através da inauguração de uma biblioteca escolar com o nome de Pina Martins na EBI da Ponte das Três Entradas.
Na cerimónia, que contará com a presença da viúva, Prímola Martins, e do presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, vão estar presentes – entre outras entidades – o director do Serviço de Educação da Gubenkian, Manuel Carmelo Rosa, e o ex-secretário de Estado da Educação, José Manuel Canavarro.
Professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e presidente da Academia das Ciências de Lisboa em vários mandatos, de 1982 a 2006, José Vitorino de Pina Martins foi um investigador e grande especialista do Humanismo e do Renascimento português e europeu.
Natural de Penalva de Alva, iniciou-se como poeta, tendo publicado mais de 300 estudos filológicos, exegéticos, bibliográficos e culturais.
Deve-se-lhe, entre outros feitos, a identificação do Tratado de Confissom como um dos primeiros títulos da primitiva tipografia portuguesa (datado de 1489).
Tendo leccionado nas Universidades de Roma e de Poitiers, Pina Martins iniciou, a partir de 1962, a sua docência na FLUL, onde, em 1965, fez parte da Comissão Nacional do V Centenário de Gil Vicente.
Depois de orientar, em 1972, na Biblioteca Nacional de Lisboa, a exposição sobre Os Lusíadas (a propósito do seu IV centenário), foi para Paris dirigir o Centro Cultural Português Gulbenkian.
Depois do seu doctorat d’Etad, na Sorbonne, regressou em 1983, convidado pela Universidade de Lisboa, como professor catedrático, e pela Fundação Calouste Gulbenkian, como director do seu Serviço de Educação.
Especialista no estudo do livro antigo e de obras como as de Erasmo, Thomas More, Sá de Miranda, recebeu do Governo italiano, em 1963, a medalha cultural de ouro pelos seus estudos sobre Pico della Mirandola.
Mais recentemente (em 2008), recebeu o Prémio da Academia Pedro Hispano.
Falecido no dia 28 de Abril, Pina Martins deixa à cultura nacional a maior biblioteca de estudos humanísticos. Entre os seus contributos, salientam-se a introdução à tradução portuguesa da obra Utopia, a publicação de A História de Menina e Moça, Humanismo e Erasmismo na Cultura Portuguesa do Século XVI ou Humanisme et Renaissance de l’Italie au Portugal.
Como ficcionista, publicou, em 2005, o livro Utopia III e, como memorialista, lançou, em 2008, a obra Histórias de Livros para a História do Livro.
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