Para descontrair, começo por evocar o espectacular salto em elevação de Cristiano Ronaldo, vai a 2,57 metros com a cabeça pelas medições electrónicas, no desafio com a selecção do Gana. Que pena não ter dado golo! E muito queremos que Ronaldo faça aquilo que ele melhor sabe fazer e que são golos, golaços!
Curto bastante o saltinho “enganador” do Bruno Fernandes antes de chutar a bola nos penaltis que marca com um controlo que até choca. Queremos continuar a ser chocados dessa forma…
Já por aqui dissemos que Diogo Costa é um dos melhores guarda-redes do mundo. E para ser mesmo o melhor deve esforçar-se para ser dos mais atentos, também às traseiras, vidé o que lhe aconteceu no final do jogo com o Gana… Ai, ai, se o adversário “manholas” não tem escorregado depois de lhe ter tirado a bola vindo por trás…
Gosto imenso do “gesto técnico”, de dificuldade muito elevada, do avançado brasileiro Richarlison no seu segundo golo contra a Sérvia. Aquilo, meus Amigos, aquilo não se “aprende”. Improvisa-se e apanha toda a Gente de surpresa…
Um grande e solidário abraço ao Danilo e ao Octávio pelas lesões sofridas. E muito em especial ao Nuno Mendes que agravou a lesão que o vai afastar deste Mundial. Faz (-nos) muita falta ! E retenho comovido aquela parte em que ele limpa o rosto e as lágrimas à camisola do equipamento quando tem que sair do campo lesionado. Transportou-me a uma imagem idêntica do meu ídolo da bola mais querido, Eusébio, a limpar o rosto em lágrimas à camisola no fim do jogo contra a Inglaterra que nos eliminou, dramaticamente, nas meias finais do mundial de 1966. Viva Eusébio ! Sempre !
E como não evocar o genial Diego Armando Maradona ?! Em particular naquele jogo no mundial em 1986 (México) contra a Inglaterra que ele eternizou e que, definitivamente, o eternizou a ele como o mais espantoso criador de “preciosidades futebolísticos” do maior relevo. Esse é o jogo que condensa três “factos futebolísticos” únicos e irrepetíveis também dadas as circunstâncias históricas da “ressaca” argentina pela derrota na guerra das Malvinas contra Inglaterra. Falamos da muito famosa “mão de Deus” que Maradona inventou para aparar críticas por causa da mão na bola, que de facto deu com toda a perícia, e com que fez o primeiro dos seus dois golos nesse desafio. E do “golo do século”, essa obra-prima de arte e de energia em que driblou, sempre em rápida progressão até ao golo, metade da selecção inglesa! E que inspirou e motivou um relator sul americano desse mesmo jogo para o relato épico e “plasticamente” único – à altura daquele golo – relato que ele produziu aos microfones enquanto Maradona efectuava a sua espantosa jogada, fazia o golo e dava saltos eufóricos, de punho cerrado. Vale a pena ir procurar na Net e ver e ouvir.
E como não evocar Pélé tanto mais que ele, nestes dias, “joga” pela sua vida, contra a doença? Vi, e com frequência revejo, lances filmados de Pélé a fazer aquilo que ele fez a jogar futebol a um nível realmente de outro mundo. Para mim, Pélé é a síntese do futebol! Como jogo coletivo onde o individual pode destacar-se e brilhar intensamente. Neste contexto, evoco a jogada completa, absolutamente notável em construção colectiva através do individual a nível superior. Falo de toda a jogada (passa por dez jogadores brasileiros) do 4º golo do Brasil contra a Itália, na final do Mundial de 1970 (México). Nessa jogada, destaco ainda a execução perfeita do passe – faz parecer que é um passe simples – que Pélé faz para o chuto para golo de Carlos Alberto. É em si mesmo um passe perfeito, em tempo, em projecção de saída da bola para a direita, em distância exacta (uns 15 metros), em movimento macio da bola submissa, em pressentimento daquela exacta oportunidade que ganha forma e força em Carlos Alberto que vem a jacto de trás, e sem Pélé estar a olhar para trás quando faz esse passe prenhe de macieza letal. Esse passe foi um belo e suave “beijo da morte” de Pélé na selecção Italiana que, afinal, teve o privilégio de sofrer esse golo, e outros golos mais, daquela que terá sido a mais brilhante constelação colectiva de génios individuais a jogar, juntos e cada um, hinos ao futebol! Viva Pélé!
E viva a muitos mais, inolvidáveis “artistas” da bola! Viva!
Que o melhor que há no futebol são os jogadores, aliás como mais uma vez fica provado neste Mundial da nossa vergonha cívica, no Catar…
Autor: João Dinis, Jano
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