“Expresso do Alto Mondego” quer prolongar estadias de turistas em quatro concelhos

Uma nova oferta turística pretende levar os visitantes a permanecer mais tempo em quatro concelhos da região. Apresentado ontem no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Nelas, o projecto “Expresso do Alto Mondego” representa um investimento superior a 500 mil euros e deverá estar concluído em Maio de 2028.

A proposta passa por juntar numa mesma plataforma informação sobre alojamento, restauração, visitas e experiências nos quatro concelhos, permitindo aos visitantes escolher programas de um, dois, três ou mais dias. A viagem até à região poderá ser feita de comboio, embora essa opção não seja obrigatória, e a circulação pelo território será apoiada por 40 bicicletas eléctricas, dez em cada município, instaladas junto às estações ferroviárias, com estruturas de carregamento. Estão também previstas outras formas de deslocação entre os diferentes pontos de interesse.

“Queremos criar um produto inovador, de qualidade, diferenciado e de alto valor”, explica Áurea Gonçalves, da Ruris, empresa que está a desenvolver o projecto com os quatro municípios. A responsável adianta que a oferta ainda está a ser construída e que a próxima fase passa por ouvir os operadores turísticos e outras entidades, antes de definir com a CP as propostas a disponibilizar. A rota a criar entre os quatro concelhos, sublinha esta responsável, tem também como meta a obtenção da certificação Biosphere na área do turismo sustentável.

A ferrovia esteve também presente na apresentação através da história da própria Linha da Beira Alta. Antes da sessão nos Paços do Concelho, os autarcas, parceiros e agentes turísticos reuniram-se na estação de Nelas e visitaram, na Zona Industrial, as inscrições da linha que datam de 1880 e que testemunham uma vistoria realizada, à época, pelas equipas responsáveis pela sua construção. No local, o presidente da Câmara Municipal de Nelas, Joaquim Amaral, inaugurou ainda um painel explicativo.

A Linha da Beira Alta é um dos elementos que aproximam os quatro concelhos, a par do rio Mondego, da Serra da Estrela, das paisagens, da cultura, das artes e da tradição. Joaquim Amaral destacou precisamente estes pontos em comum e defendeu que a ferrovia, por ser “um transporte sustentável, moderno, ecológico”, pode ser “um motor essencial para o desenvolvimento dos nossos territórios”.

A ligação entre os municípios não começou, contudo, com este projecto turístico. Nelas, Mangualde, Fornos de Algodres e Gouveia desenvolveram entre 2018 e 2022 a Rede Cultural do Alto Mondego, que terá agora uma nova edição entre Novembro de 2026 e Fevereiro de 2027. O trabalho conjunto passa agora da cultura para o turismo, com o objectivo de criar uma oferta que permita conhecer os quatro territórios através de diferentes experiências.

A vereadora da Câmara Municipal de Mangualde Rosalina Alegre considera que o crescimento da procura turística na região de Viseu Dão Lafões cria condições para reforçar a atracção de visitantes através de uma oferta articulada. Para a autarca, projectos deste tipo podem potenciar ainda mais a procura numa região que tem registado um crescimento significativo nos últimos meses.

Já o presidente da Câmara Municipal de Fornos de Algodres, Alexandre Lote, frisou que estes projectos “são muito importantes e têm um grande impacto na região”, como deram provas os que foram desenvolvidos na área da cultura. Essas iniciativas, acrescentou, permitiram que jovens pudessem crescer nessa área, algo que considera “impensável antes da criação desta rede”, e fizeram acontecer em Fornos de Algodres iniciativas que antes seriam difíceis de concretizar.

O presidente da Câmara Municipal de Gouveia, Jorge Ferreira, salientou, por sua vez, a particularidade de uma rede que junta municípios de duas comunidades intermunicipais. A ambição do novo projecto é, segundo o autarca, atrair para o interior do país pessoas que queiram permanecer o máximo de tempo possível na região.

Dos mais de 500 mil euros de investimento, 70 por cento serão assegurados pelo Turismo Centro de Portugal e os restantes 30 por cento pelos quatro municípios. O projecto conta ainda com a participação do Geopark Estrela, da ADIRAM, da Universidade da Beira Interior, do Instituto Politécnico de Viseu, do Instituto Politécnico da Guarda, do IGEP, da Comissão Vitivinícola Regional do Dão, da A. Certifica, do NEST e da CP.

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