Home - Desporto - Fase final do Mundial – 2026 – em Futebol de Selecções. “É o negócio, estúpido, é o negócio !”… Autor: João Dinis, Jano

Fase final do Mundial – 2026 – em Futebol de Selecções. “É o negócio, estúpido, é o negócio !”… Autor: João Dinis, Jano

Falta meia dúzia de dias para começar o maior espectáculo do Mundo !  Falamos da fase final do Campeonato Mundial de Selecções em Futebol, 2026.  Desta vez, vai disputar-se em estádios de três países – México – Estados Unidos – Canadá.

Destes, México e Estados Unidos já realizaram (sem crises) anteriores fases finais de anteriores Campeonatos do Mundo. Aliás, o do México – 1986 – registou os mais extraordinários cinco minutos alguma vez acontecidos em jogos de futebol. São aqueles cinco minutos seguidos dum irrepetível Argentina – Inglaterra (22 de Junho) que mediaram entre a mais do que famosa “Mão de Deus” – aos 51 minutos da segunda parte  (o tal golo com a mão marota) – e o “Golo do Século” este aos 55 minutos.  São golos de um também irrepetível jogador da bola/futebolista chamado Diego Maradona.  E “quem os viu, viu, quem os não viu. perdeu”.  Entretanto, ainda se poderá hoje ir revisitá-los à Net mas já será com 40 anos de atraso… Mas ainda assim vale a pena.

E nestas revisitações lembrar ainda a fase final do Mundial de 1966 – há 60 anos – disputada em Inglaterra,  com 16 selecções no início.  Portugal fez terceiro lugar – até hoje a nossa melhor classificação de sempre em fases finais de mundiais – com uma equipa fabulosa onde se destacou Eusébio – marcou 9 golos nessa fase final –  o meu eterno ídolo da bola (mas também Mário Coluna).  Lembrar sempre o Portugal – Coreia do Norte, com os empolgantes, embora inesperados, 5 – 3 a nosso favor.  E “quem viu, viu, quem não viu perdeu!”.         E nós vimos, sofremos e empolgámo-nos, em directo, pela televisão.  Avé !

O Campeonato do Mundo das televisões, das publicidades  e apostas…

São várias as alegadas “inovações” deste Mundial de 2026.  A primeira são os três países co-organizadores pois ainda se não tinha passado de dois.  A seguir, são as 48 selecções envolvidas – com um total e 1 248 jogadores – na primeira fase de grupos.  A terceira são os dois “intervalos” de três minutos cada, um em cada parte, para a alegada “hidratação” dos intervenientes em cada jogo e quer chova quer faça sol. E, já agora, referir ainda os curtos limites de tempo impostos para reposições da bola em jogo e para a saída do campo de jogadores a substituir, esta parte a pretexto de dar combate a certas formas de anti-jogo…

A “brutalidade” das 48 selecções na disputa inicial, pode até parecer “democrática” ao possibilitar a participação de duas ou três dezenas de equipas nacionais que de outra forma não teriam hipótese de disputar uma fase final de um Mundial em futebol. Mas não são esses objectivos “altruístas”, democráticos,  que moveram a FIFA a esta “inovação”… Vamos assim ter o maior Campeonato do mundo até agora. Falta vermos se também vai ser o melhor…

Depois, são os três mais três minutos, por jogo, para a tal “hidratação” com as correspondentes paragens em cada desafio. O pretexto é uma enorme treta com que os promotores  pretendem dar a ideia de que estão preocupados com o físico dos futebolistas.  E é uma treta perversa pois o que esta organização de facto mostra é exactamente o contrário pois prolonga-se a duração do Mundial – com mais jogos em três países e em regiões quentes – numa altura em que a grande maioria dos futebolistas das principais selecções, vem de uma época desgastante, muitos deles já com uns 50 jogos (duros…) nas pernas…

 Pois então “quem manda”  nestas decisões da FIFA?

A primeira constatação é que são os interesses directos das Televisões e outra grande comunicação social a “mandarem” nesta FIFA através dos dinheiros astronómicos envolvidos e a envolver nas transmissões sobretudo em directos.

Para as Televisões o que mais interessa são os “shares” – percentagem de espectadores por programa – para venderem e mostrarem as publicidades muitas vezes pagas a grandes somas.

Anteveja-se agora como vai ser a “festa”…em três países…com 48 selecções…com “prolongamento” para durar um mês seguido e em crescendo de interesse competitivo…

Claro que muito associadas às transmissões televisivas, também estão as apostas a dinheiro pelo que quanto mais jogos, quanto mais selecções (países) envolvidas, mais apostas…

Os tais três mais três minutos de “hidratações” – paragens – por desafio subordinam-se às “tradições” das televisões dos EUA com as publicidades a enxertar nesses períodos a serem pagas a peso de ouro.  Outras das “inovações” reflecte-se sobre os muito inflacionáveis e caros preços dos bilhetes de acesso aos estádios para ver a bola ao vivo.  Portanto…

Para vermos melhor os envolvimentos económicos e financeiros do “espectáculo”, calcula-se que só em Portugal e se este Mundial nos correr bem, as receitas globais correlativas podem atingir os mil milhões de euros !  E lá temos a aparecerem como cogumelos, incrementados sobretudo por Autarquias, os grandes painéis televisivos para transmissões “públicas” e em directo, desde logo dos jogos da nossa Selecção.  Festa é festa e até poderá vir a render votos…

Ou seja, os grandes interesses económicos e as grandes multinacionais são “quem manda” nestas decisões da FIFA  !  O espectáculo alarga-se mas isso não significa a melhoria da competição.  Vai haver os “sacrificados” no altar da competição e do dinheiro.  Desde logo a maioria dos futebolistas envolvidos.

Portugal tem hipóteses…se jogarmos com duas Selecções diferentes.

Já tivemos Selecções fabulosas envolvidas em fases finais do tipo.  A Selecção do Figo foi uma dessas e todavia não ganhou nada.

Neste Mundial vamos a jogo com meia dúzia dos melhores jogadores do mundo.  Precisamos é de vir a ser a melhor equipa do mundial…

Tendo até em conta a época em que decorre e a duração deste mundial, a meu ver será necessário que o “destreina” da nossa Selecção seja capaz de ver a possibilidade real em pôr a jogar, e jogo a jogo, duas equipas distintas desde logo em termos de composição e estrutura.  Temos bons e suficientes jogadores para isso.  Aliás, estes dois jogos ditos de preparação – com Chile e Nigéria – isso mesmo voltaram a demonstrar. A bem dizer, o nosso problema neste aspecto é a quantidade da qualidade…  E já aqui não vamos abordar o (bom) “problema” da participação do Cristiano Ronaldo…a caminho dos seus 42 anos…

10 de Junho de 2026

 

 

 

Autor: João Dinis, Jano

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