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Ciclismo de altíssima competição e a sua imponderável previsibilidade. Autor: João Dinis

Não há outra modalidade, dita de desporto em alta competição (profissionalizado/industrializado), simultaneamente tão previsível quanto imponderável.

Previsível, por exemplo, no contra-relógio individual em que esteja Remco Evenepoel. Tem ganho quase todas as provas do género em que participa.

E, nas provas em estrada, Tadej Pogačar ganha aí 95% dessas corridas em que participa, das provas (voltas) de três semanas às de uma semana ou de um só dia. Uma máquina de pedalar. Como no seu tempo foi Eddy Merckx.

No ciclocrosse e similares, temos Mathieu van der Poel, que é campeoníssimo, e temos Wout van Aert, mais Thomas Pidcock, também eles umas máquinas. Quando participam, “canibalizam” os adversários e as provas da sua maior especialização, a que, entretanto, somam brilhantes vitórias em estrada. Nestes últimos anos, van der Poel tem sido uma tremenda máquina de versatilidade e de força também. E tem genes para isso, via o pai e sobretudo o avô Federico Bahamontes. Mathieu van der Poel é bem capaz de ser o mais completo ciclista da história.

Entretanto, a imponderabilidade maior destas variantes velocipédicas todas advém das quedas violentas e da sua permanente ameaça aos ciclistas em prova e mesmo em treino. Por vezes, ainda em consequência de resfriados e outras causas imprevistas. Por exemplo, Pogačar tem caído e, algumas vezes, depois disso ainda consegue recuperar e vencer. Sem dúvida que devido à sua força física e mental, mas também porque várias dessas quedas não lhe têm corrido mal, pois, digamos, “apenas riscou a pintura”… Lembremos, entretanto, o “azar” de Vingegaard na Volta ao País Basco em 2024, em que ia morrendo numa muito violenta queda colectiva. E outra vítima habitual de quedas é Roglič, de entre outros. E isto sem esquecer a queda “estúpida”, no Algarve, que acabou por matar o nosso inesquecível Joaquim Agostinho.

Pogačar vai ter concorrência à sua altura…

Todavia, esta época e nas próximas, Pogačar vai encontrar adversários muito fortes que não aceitam correr para disputar apenas o segundo ou o terceiro lugares… Aliás, já os encontrou. Foi claramente batido por van Aert na clássica “monumento” Paris–Roubaix e, por uma vantagem de apenas 30 centímetros, não foi batido por Pidcock, no “sprint” final do “monumento” Milão–San Remo. E, já a seguir (26 de Abril), veremos o que acontece na Liège–Bastogne–Liège, perante Evenepoel, também este um especialista em clássicas de um só dia. E vai lá encontrar um dos seus mais prováveis sucessores a vencer corridas, no médio prazo pelo menos, o jovem (19 anos) luso-francês Paul Seixas. Para lá do Del Toro, que está na mesma equipa de Pogačar, a UAE. Vamos a ver o que acontece…

Ou seja, creio que Pogačar, esta época e nas próximas, vai enfrentar adversários muito bem preparados para lhe fazerem concorrência.

Quanto ao nosso João Almeida, outra máquina na bicicleta, esta época tem-lhe corrido muito mal até agora. Aliás, em grande contraste com os vários sucessos obtidos na época anterior. Depois, ele faz parte da equipa de Pogačar e, quando este compete, Almeida compete, mas para ajudar o seu “capitão” ou “chefe de fila”. É a vida…

Então, na Volta à França, o sempre incontornável “Tour de France”, desta vez Vingegaard, outro formidável voltista, vai dar mais luta a Pogačar, aliás tal como já antes lhe deu, quando venceu o “Tour” (2022 e 2023). E, como ambos têm grandes equipas a ajudá-los, a luta entre eles vai ser empolgante. Cá estaremos para a seguir, nas televisões, pois claro! E que nenhum caia…

Volta a Portugal em Bicicleta
Tem que recuperar das “quedas” que a fizeram dar…

Este ano, a Federação Portuguesa de Ciclismo assegura a organização da Volta a Portugal, assim corrigindo a prática anterior de delegação dessa responsabilidade numa empresa privada, sistema que deu maus resultados, como é sabido. Mas, ainda assim, continua a haver outra empresa privada lá pelo meio. Ora, o “negócio” é a alma da actuação deste tipo de empresas e de empresários, pelo que, se o ciclismo tiver de ser lixado, pois que o seja…

Fazemos votos de que a nossa Volta a Portugal em Bicicleta recupere das “quedas” para que a têm empurrado, e se reafirme como a melhor prova de ciclismo realizada em Portugal, mais prestigiada e concorrida do que vem sendo, por exemplo, a Volta ao Algarve.

Subsiste um problema “difícil”, que é a realização da Volta a Espanha (a “Vuelta”), que se inicia a 22 de Agosto, apenas seis dias depois de ter terminado (16 de Agosto) a Volta a Portugal. Esta proximidade é prejudicial para a Volta a Portugal, sob todos os pontos de vista. Ainda como exemplo, João Almeida e António Morgado, os nossos melhores ciclistas/voltistas da actualidade, normalmente vão correr a “Vuelta”, integrados na UAE, que valoriza mais a “Vuelta”. Por isso, só por um “milagre de generosidade” da UAE, a equipa que lhes paga, e paga bem, é que viriam correr a nossa Volta, a terminar seis dias antes do início da “Vuelta”. Pois é.

Autor: João Dinis

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