O grupo TAVFER reuniu hoje cerca de cinco centenas de pessoas no 49º encontro colaboradores das empresas lideradas por Fernando Tavares Pereira, que voltou a lamentar a falta de apoio e a criticar as dificuldades criadas pelos diversos governos. O líder do grupo empresarial ouviu ainda fortes elogios de Rui Rio, uma das várias personalidades presentes no evento que decorreu numa das unidades hoteleiras do grupo em Celorico da Beira. Fernando Tavares Pereira falou do grupo que está presente em vários países, sem esquecer a sua região de origem, onde é já uma das empresas mais antigas e da perseguição de que tem sido alvo.
“Este ano faz 49 que me estabeleci como empresário, em 1975. Tivemos anos bons, outros menos bons, mas estamos cá e temos suportado tudo aquilo que nos têm feiro ao longo dos anos. Mas somos pessoas duras, resilientes, com palavra e dignidade, coisa que, por vezes, quem está no poder, se esquece que é com empresários e funcionários que o Estado vive. Nós dependemos deles, mas eles também dependem de nós. É isso que transmito aos nossos funcionários. A firma é só uma e engloba-me a mim, aos funcionários e família. Todos somos a TAVFER que faz 49 anos e onde o agricultor e o doutor são tratados da mesma forma”, frisou o empresário, enumerando os vários países onde o seu grupo marca presença.
“Já andámos pela Argentina, estamos no Brasil, Moçambique, Bulgária, Cabo Verde, Espanha, e já estivemos no Japão. Temos feito muito pela empresa, pela região e pelas famílias que nos acompanharam nestes anos de muita luta”, disse, revelando que o encontro que assinala meio século de vida do grupo será em Midões, no concelho de Tábua. “Tenho todo o gosto de fazer este evento, em que vamos assinalar 50 anos de trabalho, na minha terra”, disse, sublinhando que quando se fala da TAVFER, estamos a falar de uma das empresas com mais anos de vida na região. “Sempre de cara levantada. É para isso que cá estamos, nós e os nossos colaboradores”, rematou antes de falar sobre a sua aventura na política de candidato à Assembleia da República pela mão do PSD de Rui Rio.
“Confiou em mim. Fui em quarto lugar e não fui eleito apesar do PSD ter tido mais nove mil votos em Coimbra. Teria ido para o Parlamento se já houvesse AD. Quer dizer que, dentro daquilo que poderíamos fazer, fizemos um bom trabalho. Mas se fosse eleito, em Lisboa iam correr comigo de lá para fora [diz enquanto pede desculpa a Rui Rio sentado ao seu lado]. Porque eu não ia para lá para mentir. Sou uma pessoa terra a terra e falo com o coração, mas com conhecimento das causas que é o que falta a muita gente. Rui Rio confiou em mim e ficou uma amizade”, atirou, num discurso em que não esqueceu os autarcas que foram convidados, mas não compareceram. “Só aparecem para os votos. Mas deviam saber que os municípios desenvolvem-se, lado a lado. Quem pensa que pode fazer tudo sozinho, o melhor é ir embora porque está a prejudicar os munícipes, os municípios e as empresas”, concluiu.
“Fernando Tavares Pereira nunca renegou a sua terra. Está sempre disposto a lutar por ela…”
Rui Rio mostrou-se me “sintonia” com muito daquilo que o empresário tinha dito, bem como outras intervenções como os oficiais dos comandos, uma tropa especial que têm uma associação da qual Fernando Tavares Pereira é sócio honorário. “Há aqui uma sintonia claro naquilo que foi dito aqui, palavras com as quais concordo. Quem queria resolver os problemas do país não podia dispensar da lista alguém com perfil de comando, como foi aqui reconhecido por oficiais dessa tropa especial. Não é um perfil militar, mas o perfil de alguém que, respeitando os valores essenciais e princípios éticos da nossa sociedade, tem força, garra, dimensão e experiência. Estas são características que Fernando Tavares Pereira mostrou ao longo da sua vida. O senhor Fernando é um empresário de Abril (se se meter na política não se esqueça de referir isso que sempre vai buscar votos à esquerda que poderá juntar aos da direita para ganhar aquilo a que se candidata)”, brincou Rui Rio numa alusão ao facto da actividade empresarial de Fernando Tavares Pereira se ter iniciado cerca de um ano depois do 25 de Abril de 1974.
O ex-presidente do PSD elogiou ainda o trabalho desenvolvido por Fernando Tavares Pereira sobre o interior. “É também alguém que orientou tudo o que fez, o esforço e o empreendimento, pela a sua terra. Ou seja, apesar de ter investimento noutros locais, nunca renegou as suas origens. Sempre lutou pela sua terra e sempre se baseou na sua terra. Isto contrasta com outros princípios e outros valores daquelas pessoas que vendo as dificuldades nas suas terras, vão para outras onde é mais fácil, para o Porto ou Lisboa, particularmente para Lisboa e ao fim de um ou dois anos quase que já têm vergonha de dizer de onde vêm, tendo-se vendido àquilo que é o centralismo de que este país sofre há muitos anos”, atirou o antigo presidente da CM do Porto e candidato a Primeiro-ministro, lembrando a forma “abnegada” como o empresário procura ajudar a sua região, mesmo nos momentos mais complicados.
“A maior parte dos políticos servem a família e os amigos, não foi para isto que aconteceu o 25 de Abril”
“Fernando Tavares Pereira nunca renegou a sua terra. Está sempre disposto a lutar por ela, como é patente na parte empresarial e como também ficou patente na forma como lidou com a questão dos incêndios de 2017, onde demonstrou um enorme altruísmo , em que a sua preocupação fundamental era ajudar quem precisava, não era obviamente para ganhar dinheiro, bem pelo contrário sabia que o ia perder”, atirou Rui Rio que partilhou da opinião de Fernando Tavares Pereira que defende a necessidade de uma descentralização. “Um dos problemas gravíssimos do país, onde começam todos os problemas, é a concentração e centralismo de que o país enferma. E não é no litoral, como costumam dizer. É fundamentalmente em torno do grande Porto e muito particularmente à volta da grande Lisboa. É preciso ter uma visão nacional e perceber que o resto do país precisa de investimento e de criar emprego”. concluiu.
Talvez pelo facto de estar a lado de um politico que questionou recentemente, através do lançamento de um Manifesto, a forma como a Justiça tem sido administrada no país, Fernando Tavares Pereira voltou a intervir antes de se cantarem os parabéns, para frisar que lidera “a empresa mais perseguida do país”, citando o caso do Centro de Inspecções de Viseu que foi retirado à TAVFER e o processo arrasta-se há cinco anos nos tribunais com os próprios juízes a sublinharem não terem competência para o julgarem”, evocando ainda um processo na Madeira que se arrasta há 27 anos nos tribunais.
“A maior parte dos políticos servem a família e os amigos, não foi para isto que aconteceu o 25 de Abril”, acentuou, lembrando que o sector de actividade da suas empresas sofreu nos últimos dez anos um aumento nos impostos de 18 por cento, facto que aconteceu durante o governo de Passos Coelho, lembrando, apesar de tudo, os investimentos que tem feito para manter 600 famílias que dependem da actividade do seu Grupo. “A política como a justiça está tudo interligado, quer queiram quer não”, acentuou Fernando Tavares Pereira, numa intervenção bastante aplaudida.
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