Das Macal à Famel Zundapp, da SIS Sachs à Confersil. Estes foram só alguns exemplos de míticas motorizadas que algumas dezenas de apaixonados das duas rodas até 50cc levaram ao segundo convívio “Rota das Tabernas”, uma iniciativa promovida pela Associação Desportiva Recreativa e Cultural do Fornotelheiro, no concelho de Celorico da Beira. O evento, com início logo pela manhã, contou com um passeio que passou por várias localidades do concelho e terminou com um almoço tardio de porco no espeto. Pelo meio, os participantes procuraram tirar partido do convívio e exibir as “máquinas com várias dezenas de anos”. Algumas delas, todavia, num estado que quase pareciam saídas de fábrica, tal o requinte colocado pelos proprietários no seu restauro.
“É um prazer enorme ter estes clássicos com mais de 50 anos num estado como se fossem novas. São extremamente bonitas e quase todas elas produzidas em Portugal”, explica Agostinho Santos, responsável pela organização do evento, ele que também recuperou uma SIS Sachs Turismo, de 1963. Foi ao pormenor de pesquisar qual a pintura de origem. “Depois foi para uma oficina que se dedica a recuperar estas motorizadas e acabei por gastar dois mil euros, mas ficou como se tivesse acabado de sair da linha de montagem”, sublinha Agostinho Santos, assegurando que é cada vez mais é difícil encontrar motorizadas à venda para recuperar e as que aparecem têm preços muito elevados. “Mesmo aquelas que não andam”.
Fábio Cabral, 38 anos, por exemplo, não esconde o orgulho na sua Confersil Casal, de 1969, que ele próprio recuperou com peças de origem, mas para a qual ainda não conseguiu encontrar uma ou outra peça. “Há algumas que são muito difíceis de encontrar e o carburador teve de ser colado”, explica, ele que veio de França para participar neste convívio. “Só quem gosta disto sabe o prazer que existe em
participar nestas actividades”, conta depois de superar um dos pouco percalços do dia: enganou-se e atestou o depósito com gasóleo, quando a máquina pedia gasolina com mistura. “Depois de limpa pegou, mas deitava tanto fumo que parecia o diabo… depois lá acalmou”, conta entre sorrisos.
O grupo arrancou com todos os elementos. Mas rapidamente se foi espartilhando. À medida da demora de cada um “nas tabernas”. Nem todos, explicava um dos participantes, “têm a mesma desenvoltura a despachar minis e acabam por ficar para trás”. Afinal, este, confessam, também é um aspecto quase sagrado destas concentrações que todos parecem aguardar. “Daqui a um mês volto cá e a moto já vai rodar mais uns quilómetros nestes passeios com os amigos”, rematou Fábio Cabral que no dia seguinte tinha de se deslocar para o Porto onde iria apanhar o avião que o levaria de volta ao trabalho em França. “Não pode ser só festa. É a vida”, concluiu
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