O conhecido militante fala de um “baixar de braços” e considera que para isto “não valeu a pena a luta de uma vida”.
Elemento da plateia na tertúlia Fernando Vale que, na última sexta- feira, trouxe o ex ministro da economia, Vieira da Silva, a Oliveira do Hospital, o conhecido rosto do PS elevou a voz para, de sua justiça, tecer críticas à forma como o PS nacional tem seguido o seu caminho.
“Acho que o PS perdeu garra e determinação”, começou por afirmar António Campos que acusa o partido que ajudou a fundar de “baixar os braços” em vários domínios e de assistir com “passividade” ao estado atual do país.
Lembrando que foi o PS que “modernizou Portugal que não tinha pessoas qualificadas e infra-estruturas” – “hoje somos um país moderno e com infra-estruturas do melhor que há”, refere – o ex eurodeputado lamenta a “falta de luta” do partido, que nada faz para “obrigar cidadãos até aos 35 anos a permanecer em Portugal”. “A Irlanda tomou medidas para não deixar fugir os seus quadros”, referiu, ao mesmo tempo que também denunciou a falta de ação do partido na defesa do estado que é hoje alvo de um “ataque monumental”.
“Há uma passividade”, insiste António Campos, chegando até a considerar que “os políticos são passivos e e trabalham para a especulação financeira” .
Para o conhecido socialista, o PS deveria “reivindicar a reestruturação do Estado” porque não considera aceitável que se queiram encerrar serviços em zonas desprotegidas.
Deu o exemplo da ESTGOH, para notar que o IPC não pode fechar a escola de Oliveira do Hospital, mas sim outras em Coimbra onde há constante duplicação das ofertas formativas. Deu ainda o exemplo da saúde para se opor a qualquer intenção de encerramento do SAP em Oliveira do Hospital, quando em, Coimbra existem sete hospitais.“Não há uma cidade no mundo como Coimbra, com sete hospitais”, referiu, alertando para o facto de Oliveira do Hospital pertencer ao mesmo distrito e não poder ficar desprotegida do serviço de urgência.
Para António Campos é urgente que se faça uma “reestruturação do interior” com beneficio para as populações e, o PS deveria-se “inflamar sobre estas questões”.
“A minha angústia leva-me a a fazer um protesto”, insiste o socialista que não compreende o “baixar de braços do PS, quando se deveria discutir a infâmia que está a ser criada na Europa sobre o sistema financeiro”.
“Como é possível o PS estar aqui e calado?”, questiona António Campos, aconselhando os dirigentes do seu próprio partido a estarem atentos ao destino que é dado ao dinheiro que entra em Portugal e assim evitar o caminho da “especulação”. “Temos que reclamar, senão, não valeu a pena a luta de uma vida. Foi perdida”, rematou.
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