Candidato presidencial defendeu em Tábua que o interior do país precisa de ser desenvolvido e apoiado “por uma política coerente e bem planeada”
O almirante Henrique Gouveia e Melo assegurou esta terça-feira de manhã, em Tábua, que, se for eleito Presidente da República, fará regressar as presidências abertas, em particular no interior do país, porque, no seu entender, permitem levar o foco para uma zona que “sofre com a desertificação e a ausência de vias de comunicação”.
O candidato presidencial, que falava durante um encontro matinal com o empresário Fernando Tavares Pereira, sublinhou que estas visitas terão como objectivo conhecer as dificuldades e a realidade do interior, que, considerou, continua atrasado em termos económicos face ao litoral.
“Nós precisamos desenvolver o interior, fortalecer a economia no interior. Isso é a coisa mais importante. Temos um território desocupado que tem o potencial para gerar riqueza e não o estamos a aproveitar. Devemos distribuir melhor a população. Ao fazermos isso, potenciamos o território todo”, afirmou o almirante, salientando que o Presidente da República tem poder de intervir através da magistratura de influência.
O candidato presidencial acrescentou ainda que estes territórios necessitam de mais empresários como Fernando Tavares Pereira. “A prosperidade portuguesa depende dos empresários, porque a economia não é feita pelo Estado. A economia estatizada acabou com o fim da União Soviética. É preciso apoiar as empresas e os empresários para criarem uma economia robusta. A partir de uma economia robusta, nós podemos então, através dos impostos, ter receitas para o Estado e criar também um Estado robusto. Uma economia fraca produz um Estado fraco”, afirmou, defendendo que é necessária uma política bem pensada e bem planeada para o interior, executada de forma coerente de princípio a fim. “Temos de fazer isso de uma vez por todas”.
Sublinhando que a sua campanha será feita com base na honestidade, Gouveia e Melo considerou que há ainda muito por fazer relativamente ao interior. “Este país são diversos países. Nós temos densidades populacionais de 20 pessoas por quilómetro quadrado no interior e de três mil por quilómetro quadrado ou mais no litoral. Temos de atrair o tecido económico com incentivos positivos de fiscalidade, com mobilidade, com vias de acesso, com infra-estruturas”, disse.
O empresário Fernando Tavares Pereira, que recebeu o candidato num dos seus hotéis, o Palace Hotel de Midões, mostrou-se agradado com a visita de Gouveia e Melo, considerando-a “muito importante para a região”. “Quer dizer que é uma pessoa próxima de quem tem necessidades e de quem pouco tem para enfrentar dificuldades, sejam familiares, empresariais, de saúde, educação ou justiça. Nestes territórios queremos qualquer coisa e não temos, e quando nos dirigimos a uma repartição, às finanças, à conservatória ou ao tribunal, não há quem nos receba. O país tem 750 mil funcionários públicos, mas penso que não estão onde deviam estar, a dar apoio às necessidades de cada um”, criticou, acusando o actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de “ter desprezado o interior”. “Foi o que aconteceu com os incêndios de 2017. Ainda há milhares de pessoas sem qualquer apoio. Há processos que continuam a correr nos tribunais. Muita gente deixou de trabalhar, porque não tem condições, desde logo pela falta de apoio dos municípios. Houve casas construídas que não deviam ter sido e muitas outras que deviam estar concluídas ainda hoje não estão”, sublinhou, apelando a Gouveia e Melo que apoie o interior se vencer as eleições.
“Esperamos que o senhor, se vier a ser eleito Presidente da República, nos ajude. É muito importante. O interior também faz parte do nosso território e, como o senhor sabe, tem sido muito esquecido. Sabemos que pode fazer alguma coisa por nós, pelo menos alertar quem nos governa de que também somos portugueses de primeira, não portugueses de terceira”, concluiu o empresário que considera importante a visita dos candidatos ao interior do país, bem como a disponibilidade para ajudarem a colocar os problemas destas regiões na agenda política.
Gouveia e Melo respondeu de forma forma afirmativa: “Sim, podem contar comigo. Neste momento discute-se se há portugueses de primeira, de segunda, de terceira ou até de quarta categoria. Para mim, em Portugal, quem tem nacionalidade portuguesa é sempre um português de primeira e deve merecer toda a nossa atenção”.
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