Fogo consumiu 64 mil hectares em 11 dias e ultrapassou a marca registada em 2017 na Lousã. Este ano já arderam cerca de 250 mil hectares.
O incêndio que deflagrou no concelho de Arganil, no distrito de Coimbra, no dia 13 de Agosto, apresenta a maior área ardida de sempre em Portugal, com 64.451 hectares consumidos, segundo o relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). O fogo entrou em resolução no domingo, ao fim de 11 dias.
De acordo com o Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF), este incêndio ultrapassa a anterior marca do fogo de Vilarinho, no concelho da Lousã, que em Outubro de 2017 tinha atingido 53 mil hectares.
O incêndio de Arganil teve origem no Piódão e acabou por afectar também os concelhos de Pampilhosa da Serra, Tábua e Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, bem como Seia, na Guarda, e ainda Castelo Branco, Fundão e Covilhã, no distrito de Castelo Branco.
Só em 2025 já arderam cerca de 250 mil hectares. O fogo que começou em Freches, no concelho de Trancoso, no dia 9 de Agosto, consumiu 49.324 hectares e é o segundo maior deste ano e o terceiro maior desde que há registos. Em terceiro lugar surge o incêndio de Sátão, que queimou 13.769 hectares e se juntou ao de Trancoso, formando um complexo que afectou 11 municípios dos distritos de Viseu e da Guarda.
Na lista dos dez maiores fogos deste ano, quase todos registados em Agosto, figuram ainda os de Freixo de Espada à Cinta (11.697 hectares), Sabugal (10.539 e 10.403), Trancoso (8.673), Guarda (7.151), Vila Real (6.007) e Ponte da Barca (7.164, em Julho).
Até domingo, tinham sido registados 80 grandes incêndios, responsáveis por 97 por cento da área ardida em Portugal em 2025. Os distritos da Guarda, Viseu e Castelo Branco são os mais afectados, enquanto os concelhos da Covilhã (20.257 hectares), Sabugal (18.726) e Trancoso (17.239) lideram a lista dos mais atingidos.
O investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Paulo Fernandes já tinha antecipado, na quarta-feira, que o fogo de Arganil poderia tornar-se o maior de sempre, sublinhando que tinha as condições necessárias para uma progressão rápida, com ignição provocada por raios em zona de difícil acesso e vegetação homogénea.
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