O lançamento da primeira pedra de uma nova unidade empresarial na Zona Industrial de Oliveira do Hospital, um investimento de 1,5 milhões de euros na produção de estruturas metálicas e casas modulares, serviu esta sexta-feira de pretexto para o presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo, renovar a exigência de conclusão do IC6, ligação que classifica como condição essencial para reter o investimento que o concelho tem vindo a atrair. Em declarações ao Notícias de Coimbra, o autarca sublinhou que a região “não está a pedir nenhuma auto-estrada” nem a supressão de portagens, mas apenas o cumprimento de um compromisso de há três décadas: a conclusão do itinerário complementar que liga Tábua, Oliveira do Hospital e Seia e que, nas suas palavras, está “parado no meio de uma mata”.
Antes de chegar às acessibilidades, José Francisco Rolo destacou, ao mesmo jornal, o investimento privado assinalado esta sexta-feira, apresentando-o como prova da confiança dos empresários no território. Segundo o autarca, a nova unidade vai produzir soluções habitacionais de baixo custo, inicialmente para o mercado nacional e, numa segunda fase, também para exportação. É precisamente esse dinamismo empresarial que José Francisco Rolo usa como argumento central: Oliveira do Hospital reúne, disse ao Notícias de Coimbra, empresários, mão-de-obra qualificada e áreas empresariais infra-estruturadas, mas continua limitada pela dependência da EN17, que considera desadequada aos actuais padrões de circulação e segurança rodoviária.
Ainda em declarações ao mesmo jornal, o autarca afirmou que o concelho tem investido de forma significativa na sua zona industrial nos últimos anos. “Foram criados 27 novos lotes, 2 milhões de euros de infra-estruturação desta ampliação da zona industrial, mais 7 milhões e meio de euros de investimento do PRR”, revelou. Entre os projectos previstos, apontou ainda uma comunidade de energia renovável com parque fotovoltaico, cobertura 5G, um sistema de abastecimento de hidrogénio, postos de carregamento eléctrico e um sistema de monitorização e detecção precoce de incêndios. José Francisco Rolo adiantou também que uma nova hasta pública para atribuição de lotes deverá ser lançada até ao final do ano, e referiu a passagem recente por Oliveira do Hospital de uma delegação de empresários alemães interessada no território.
É neste contexto de investimento crescente, segundo o próprio, que José Francisco Rolo insiste em ligar o pedido do nó junto à zona industrial à conclusão da ligação ao IC6, reivindicação que, disse ao Notícias de Coimbra, surge de forma recorrente nos principais momentos públicos do concelho, do feriado municipal aos discursos do 25 de Abril, passando pela ExpoH e pela Feira do Queijo Serra da Estrela.
Questionado pelo mesmo jornal sobre a frustração perante sucessivas promessas não cumpridas, o presidente da Câmara recusou falar em revolta, preferindo enquadrar o pedido como uma questão de justiça para quem investe, trabalha e vive no concelho. Deixou, ainda assim, um apelo directo às entidades responsáveis: “Cumpra-se, abra-se o concurso.” O autarca garantiu, também ao Notícias de Coimbra, disponibilidade do município para colaborar na aceleração do processo.
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