Ao acordar verifiquei que era 25 de Abril de 2022 e parei para meditar sobre o que se diz por aí sobre esta data.
Pensei que é urgente fazer uma análise sobre este tema, pois na maioria dos casos, as pessoas estão profundamente enganadas sobre o tema, limitando-se, uns a serem papagaios e outros a fazerem fretes a quem lhes paga o salário.
Passaram 48 anos sobre uma interessante temática; cravos nos canos de espingardas!
Pena é que os fabricantes de armas tenham deixado de fazer cravos e tenham aumentado a sua produção de armas, algumas delas químicas.
Hoje teríamos enormes canteiros no Iémen, Vietname, Iraque, Coreia, Somália, Checoslováquia, Croácia, Kosovo, Sérvia, África e vou parar, pois daqui a pouco não tenho espaço para escrever mais texto, limitando-me a elaborar uma lista das feiras de armamento.
Voltando ao dia em que Portugal regrediu na sua história e que permitiu a entrada de ideologias nada saudáveis, com radiações acima dos limites razoáveis, venho lembrar que seria inteligente os portugueses lerem os livros de história, sem cargas rápidas de manipulação e com uma dose bem grande de isenção.
Sei que é difícil, pois basta ver o que se passa no rescaldo dos jogos do campeonato de futebol, onde cada cor analisa os lances, até à exaustão, mas sempre com os mesmos tons.
Não é exagero o que digo e vou dar um exemplo que consubstancia a minha afirmação.
Existe uma cidade na Alemanha, onde tive o gosto de trabalhar, onde existe, seguramente, uma das maiores comunidades portuguesas neste país.
Fiz cerca de 3 reportagens para o jornal onde trabalhei nessa altura e tive o privilégio de conhecer gente trabalhadora e patriótica, que abriram as suas portas para me receber e falar das suas vidas, com a humildade natural deste povo.
Uma das maravilhas que me deram a conhecer foi o Centro Português, vulgarmente conhecido por Associação e onde a esmagadora maioria dos portugueses (e não só) marcavam a sua presença em convívios, baptizados, casamentos, festas e claro, para ver na televisão os jogos de futebol, o onde os lances eram calorosamente discutidos.
Milhares de euros foram gastos nessa sede, que para além do seu salão de festas, com palco, existia um restaurante, biblioteca, sala de jogos e parque estacionamento privativo.
Ponto de encontro de uma comunidade numerosa, onde se poderiam encontrar para matarem saudades da sua terra, até ao dia em que apareceram as casas do Porto, Sporting e Benfica.
A divisão chegou em força, com os consequentes problemas financeiros, que criaram um buraco nas contas, passando a ser um problema para sustentar aquela maravilhosa obra, que representava para muitos, a sua segunda casa.
Não vou contar mais detalhes dessa história, pois já o fiz noutro local e com os nomes de todos os que deram o seu melhor para evitar a hecatombe
A conclusão que tiro desta efeméride, é que as cores clubistas e as partidárias, depois do dia 25 de Abril, conduziram Portugal a várias bancas rotas, proliferação da corrupção, pobreza e `precariedade, para não mencionar outros fenómenos.
Uma campanha alicerçada em muitas mentiras e imprecisões, foi lançada depois desta data e em que os seus resultados só se tornaram visíveis nos dias de hoje.
Ofender e descredibilizar, de todas as formas, o regime deposto por uma pseudo revolução de cariz burguês e militar, direccionada no sentido de obter os resultados visíveis, era prioridade.
As coisas não foram tão más como apregoaram os arautos da maledicência, pois as verdadeiras razões foram aparecendo com o decorrer dos décadas, pois as reais intenções estavam escondidas, com o objectivo de tomarem e consolidarem o poder.
Só quero recordar os momentos onde a liberdade começou a esfumar-se; no PREC.
É conveniente que os meus leitores investiguem o que esta sigla representou e ao que ela nos conduziu, juntando uma pesquisa ao funcionamento da então Assembleia Nacional, onde a Ala Liberal era oposição, provando que afinal, ainda havia alguma liberdade de expressão.
Os detractores ignorantes do antigo regime, clamam aos quatro ventos que “ganhámos a liberdade e matámos a censura”., como se tivesse sido tudo mau.
Nada mais falacioso do que estas afirmações, pois como sabemos, estivemos em prisão domiciliária durante dois anos, tendo a censura se institucionalizado, agressiva e ditatorial.
A manipulação, a mentira e o medo têm sido os ingredientes para vermos a nossa liberdade por um canudo, como é costume dizer-se.
Campanhas orquestradas por uma elite, que nunca trabalhou na vida, que se limita a comandar, sem qualquer sensibilidade pela vida humana e seus valores, ultrapassando os limites do aceitável, tendo sempre o lucro como objectivo.
Falar e usar o 25 de Abril como o dia da liberdade, é usar um tema desgastado, ultrapassado, sem substrato e completamente descontextualizado do significado da palavra.
Este evento, continua na ordem do dia, fazendo parte dos anexos de uma obra que está quase pronta para ser comercializada, daí o interesse em manter a temática.
Eu não vejo notícias, pois estas são todas tiradas a papel químico, onde só ouvimos uma parte da história, esquecendo que existe uma outra versão, que por acaso,está proibida.
Proibida?! Então onde está a liberdade de poder pensar pela minha cabeça e tirar as minhas próprias conclusões?
Pobres dos acusados em tribunal, pois com esta lógica, nunca se poderiam defender, passando de acusados a condenados num ápice e pior ainda, sem direito a defesa.
Foi assim durante a pandemia, onde o contraditório foi censurado e os seus adeptos, classificados como negacionistas, sem direito de omitir a sua opinião.
Pergunto de novo; onde está a liberdade?
Vou voltar atrás na história e relembrar a histeria que circulava em Portugal contra a guerra colonial, onde estava em jogo a defesa das vidas de compatriotas, famílias e seus bens.
Já escrevi várias vezes que sou contra a violência, mas a pergunta impõe-se; então não temos o direito de nos defender quando somos atacados?
As colónias que Portugal detinha queriam a independência ou será que alguém queria mudar a sua propriedade?
Vou mais pela segunda razão, pois se estavam mal, as guerras civis, fratricidas, sem quartel, tornaram a situação dos seus habitantes muito pior, miserável e desumana.
Dar autonomia ou independência, era uma decisão que teria que ser tomada, salvaguardando vidas humanas, bens e liberdade, sobretudo a dos nossos compatriotas.
Isso não aconteceu, pois no lugar de estabilidade e respeito, pelas liberdades e direitos, recebemos retornados (convém recordar quem iniciou este termo), que perderam todo o trabalho de uma vida e regressaram com uma mão à frente e outra atrás.
Tudo em nome da famigerada liberdade!
Não vi uma onda de solidariedade como aquela a que assistimos hoje durante a guerra colonial, pois muitos democratas solidários, falavam à boca cheia que estes “retornados vêm para cá, têm as ajudas todas e nós nenhumas”.
Os governantes demonstram bem aquilo que pretendem para o seu país e para isso basta analisar o rácio, entre a indemnização que o cidadão Ucraniano, que foi alegadamente assassinado numa instituição portuguesa e o valor do cidadão, português, morto num acidente numa auto-estrada deste país, recebeu.
Olhamos para agentes da autoridade que são punidos ou presos, expulsos e como se isso não bastasse, ainda têm que carregar os valores que lhes foram imputados de indemnização por terem cumprido o seu dever.
A liberdade não se apregoa em comemorações dispendiosas, em salões ricamente decorados e cheios de palavras ocas, sem relação directa entre o que elas significam e os resultados práticos da sua execução no quotidiano de um cidadão que a ama e respeita.
É esta a liberdade que nos querem fazer crer que existe?
Fernando Roldão
Texto escrito segundo o antigo acordo ortográfico
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