Diário da Caravana Humanitária Portuguesa à Ucrânia
Dia 5
Casa, onde o coração está
À medida que a carrinha cruzava Espanha, nas curtas paragens em estações de serviço, Oksana, que vivia em Kyiv e vem para Portugal com a irmã e os sobrinhos, mantém a esperança de que em breve esteja a fazer a mesma viagem de regresso à Ucrânia.
Trabalha remotamente com um banco e essa possibilidade dá-lhe espaço para se manter em Portugal, mas o seu plano é voltar a Kyiv e recuperar a sua vida.
A vontade de acreditar que é possível salvar a Ucrânia e regressar em breve acompanha os refugiados que fizeram as malas apenas com bens pessoais, para o que seria uma temporada com a família em Portugal, deixando para trás as suas casas com tudo o que têm e toda uma vida em suspenso.
Na Ucrânia cresce o número de vítimas, civis e militares. O registo oficial divulgado pelos Direitos Humanos das Nações Unidas é de 364 civis mortos e 759 feridos. O número de baixas militares continua a ser alvo de grande controvérsia entre a Rússia e a Ucrânia, com um controle apertado sobre a informação divulgada e acusam, os ucranianos “muito longe da verdade”.
Para além de um ataque que atingiu um hospital psiquiátrico, em Borodyanka, a cerca de 60 quilómetros a noroeste de Kyiv. OutRo ataque atingiu uma maternidade particular, numa localidade próxima a Kyiv. As autoridades garantem que não houve vítimas nestes ataques, a informação partilhada entre os civis aponta no sentido contrário.
Ataques que afastam cada vez mais a possibilidade de um conflito temporário que permita a Oksana e milhares de refugiados regressar à Ucrânia em breve. Apesar deste cenário, Oksana mantém a esperança confiante na força dos homens que regressaram à Ucrânia para combater, apresentando-se voluntariamente, assim como os que já lá viviam. “Há um grande desejo de defender o território, ninguém quer deixar a Ucrânia”, orgulha-se.
Seguindo com a viagem em frente a angústia de recordar os momentos vividos antes de sair de Kyiv, dá espaço à esperança. A entrada em Portugal foi o momento em que o sentimento de concretização invadiu a carrinha. As mulheres e crianças a bordo, apesar da madrugada alta, foram despertando na sua contagem decrescente para o reencontro com a família.
Um reencontro carregado de emoções onde os abraços se trocaram entre famílias e voluntários num profundo agradecimento. Afinal, diz a avó de Galyna “quem poderia imaginar que, de repente, pessoas desconhecidas se unissem para ajudar a trazer as nossas famílias para Portugal. E de imediato ficou no ar a pergunta “vão voltar?”.
Ana Martins Ventura
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