Morreu ontem na Austrália, vítima de cancro Max Stahl, o jornalista inglês, de 67 anos, que filmou o massacre no cemitério de Santa Cruz, em Dili, Timor, em 12 de Novembro de 199. Terão morrido mais de 300 pessoas, segundo a RTP, às ordens de militares indonésios. Foi a divulgação deste filme que revelou ao mundo a brutalidade da ocupação da Indónésia da antiga colónia portuguesa.
Se hoje Timor-Leste é um país independente de que os portugueses muito gostam -lembram-se das manifestações a favor da desocupação? – deve-o muito a Max Stahl. Condecorado com o Colar da Ordem da Liberdade, o mais alto galardão que pode ser dado a um cidadão pelo Estado timorense, Max Stahl viu-lhe atribuída a nacionalidade timorense.
Christopher Wenner, que começou a ser conhecido como Max Stahl, iniciou a sua ligação a Timor-Leste a 30 de agosto de 1991 quando, “disfarçado de turista”, entrou no território para filmar um documentário para uma televisão independente inglesa. Entrevistou vários líderes da resistência e, depois de sair por causa do visto, acabou por regressar, entrando por terra, acabando, a 12 de novembro desse ano por filmar o massacre de Santa Cruz.
Max Stahl estava na Austrália há algum tempo, para onde teve que viajar para tratamentos médicos. Por coincidência, faleceu no mesmo dia em que morreu, em 1991, Sebastião Gomes, o jovem que foi a enterrar em Santa Cruz e cuja morte suscitou o protesto que acabaria por terminar no agora conhecido como massacre de Santa Cruz.
Mais de duas mil pessoas tinham-se dirigido a Santa Cruz para prestar homenagem a Sebastião Gomes, morto por elementos ligados às forças indonésias no bairro de Motael. A ação dos militares indonésios foi filmada por Max Stahl e a atenção internacional sobre Timor-Leste mudou para sempre os destinos do país.
No cemitério, os militares indonésios abriram fogo sobre a multidão e provocaram a morte de 74 pessoas no local. Nos dias seguintes, mais de 120 jovens morreram no hospital ou em resultado da perseguição das forças ocupantes.
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