O empresário Fernando Tavares Pereira não se conforma com o comportamento “dos poderes públicos regionais e nacionais para com todos os concelhos da região Norte da Serra da Estrela”. O presidente do Conselho de Administração do Grupo TAVFER, que é considerado, por muitos, como um dos maiores dinamizadores desta região do interior, com diversos investimentos em várias áreas empresariais, entre as quais a Albergaria Sra. Do Espinheiro, uma unidade hoteleira situada na estrada 339, que liga a cidade de Seia à Torre, e que, segundo o empresário, não tem acesso à rede de fibra e onde a cobertura de rede móvel é demasiado pobre. O empresário acusa os detentores dos poderes públicos, como autarcas e deputados da região, de negligenciarem o território e de não defenderem a construção das infra-estruturas necessárias.
“Nem as estradas digitais nos fornecem. Temos a promessa da fibra há várias anos, mas nunca se concretizou. Será que foi a neve que a levou? Estamos sem os acessos rodoviários devidos, nem as estradas digitais que existem em quase todo o país. É inadmissível que, depois de tantas reclamações, inclusive para município de Seia e para várias entidades oficiais, não exista uma resposta e solução para o problema”, assegura Fernando Tavares Pereira, sublinhando que este tipo de atitude dos poderes públicos desencoraja o investimento na região.
“A responsabilidade aqui é tanto do poder central, como das autarquias. Não conseguem criar as condições para dinamizar, neste caso, uma indústria importante como é o turismo. Investimos milhões de euros e depois temos estes problemas, que são incompreensíveis em pleno século XXI, mas que prejudicam muito estas empresas. Há investimentos que só se fazem uma vez e quando os responsáveis regionais não se preocupam em adaptar as infra-estruturas à procura e à qualidade exigida pelos investidores não existe qualquer tipo de futuro. Fala-se muito e faz-se pouco. Não devia ser revisto o facto de haver tantas entidades para decidirem e, a maior parte delas, nada fazerem? Só não se esquecem em dos seus vencimentos”, acusa.
Fernando Tavares Pereira tem sido, de resto, uma voz que se tem batido pela construção de vias rodoviárias que foram projectadas na década de 90 e que nunca avançaram, como é o caso do IC6 (que deveria ligar Coimbra à Covilhã), o IC7 (ligação de Seia a Celorico da Beira) e IC37 (de ligação a Viseu). O esquecimento a que foram votados estes projectos deve-se em grande parte, segundo, o líder do Grupo TAVFER, à falta de empenho dos autarcas e deputados da região. Estes últimos, segundo Fernando Tavares Pereira, esquecem-se, logo a seguir às eleições, das bandeiras que deveriam defender.
“É uma vergonha. Esta vertente Norte da Serra da Estrela está abandonada há dezenas de anos, sem condições de vida e capacidade para cativar empresas e pessoas para esta região. Senhores presidentes e deputados unam-se e façam desta região aquilo que ela já foi no passado. Unam-se e defendam as causas para que foram eleitos, independentemente das cores políticas, para que o desenvolvimento e bem-estar seja para todo o país e não só para o litoral”, apela o empresário, voltando a criticar a forma como tem sido tratado o recurso natural que é a Serra da Estrela.
“O Parque Natural da Serra da Estrela e as concessões feitas a alguns empresários da Serra da Estrela talvez sejam o motivo do não desenvolvimento desta zona. Será que o facto desta região estar entregue em regime de monopólio a uma só empresa não terá contribuído para esta situação? Não sei. Mas que é estranho, lá isso é. Como é possível em 2024, uma unidade hoteleira não ser o servida devidamente por rede móvel e por fibra? Como pretendem atrair investimento? É inacreditável. Que este Governo não faça como os outros que tudo prometeram e quase nada concretizaram. Está na hora do desenvolvimento do interior entrar verdadeiramente na agenda política”, remata.
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