Aldeia do concelho de Seia recuperou a Bandeira Azul e o presidente da Junta diz-se apostado em criar condições para atrair turistas e fixar população
Depois de vários anos de investimento, a Praia Fluvial de Sandomil recuperou esta época a Bandeira Azul, juntando- se a Lapa dos Dinheiros e Loriga, as outras duas praias distinguidas no concelho de Seia. Foi uma vitória para a actual junta de Freguesia liderada por André Martins, um autarca que cumpre o segundo mandato e vê nesta distinção uma âncora para transformar Sandomil num centro turístico. “Queremos que esta seja a melhor praia do concelho e transformar esta aldeia num local capaz de atrair turistas e fixar população”, explica em entrevista ao CBS. Este gestor de empresas tem ainda como objectivo construir um Coworking para atrair quem labora em teletrabalho e tem praticamente concluído o museu (da aguardente e agricultura) que, acredita André Martins, ajudará Sandomil a transformar-se numa centralidade. “Queremos que quem vem à serra da Estrela sinta necessidade de visitar Sandomil”, conta o responsável por uma localidade com 750 habitantes, sublinhando que a tranquilidade e a beleza natural são mais valias do interior.
CBS – Qual a importância da Bandeira Azul para Sandomil?
André Martins – Há dois aspectos relevantes. A divulgação da praia fluvial vai passar a ser feita de uma forma completamente diferente. Nos anos anteriores, nos roteiros turísticos era apresentada como zona de banhos, agora surge como uma praia fluvial com bandeira azul que é aquilo que os turistas procuram e que os levava, no nosso concelho, sempre para Loriga e Lapa dos Dinheiros. Este galardão muda esse paradigma e o objectivo é transformar Sandomil na melhor praia do concelho e uma das melhores da região, desenvolvendo economicamente a localidade.
Quais os argumentos que o levam a pensar que pode atingir esse patamar?
É a praia com maior leito do rio Alva no concelho, temos estacionamentos, espaço para merendas, parque infantil e gaivotas no rio. Os visitantes, graças aos parques enormes à volta praia fluvial, podem também fazer piqueniques. Há grelhadores…. Temos tudo em Sandomil. As pessoas que vierem encontram numa só aldeia onde comer, beber, descansar e pernoitar.
Ficou surpreendido com a atribuição da Bandeira Azul?
Não. Seria uma forte desilusão se a bandeira não fosse atribuída. A população e toda a equipa da Junta de Freguesia, do executivo à Assembleia, fizeram um trabalho. Tudo à volta da praia foi restaurado e o leito do rio foi sempre limpo. O nosso objectivo é recuperar o prestígio de Sandomil, que era conhecido como o livro de visitas do concelho de Seia, e que pretendemos que passe a ser um local de passagem obrigatório para quem visita Seia e a Serra da Estrela.
Está a realizar um investimento nas antigas instalações da cooperativa agrícola de Sandomil…
É o Centro Interpretativo do vale do Alva e Aguardente que, inclui o museu da aguardente e agricultura, deve estar concluído até ao final do ano. Representa um investimento de 230 mil euros, sendo 120 mil provenientes do programa Renovação de Aldeias e o restante suportado pela junta e Câmara Municipal com quem estamos em plena sintonia, assim com o seu presidente Luciano Ribeiro.
Qual a razão de museus da aguardente e agricultura?
São duas vertentes riquíssimas que marcam esta localidade que merecem ser preservados e divulgadas. Sempre tivemos vinha em socalcos, ainda existem cerca de 40 hectares, e todos faziam aguardente de bagaço, mas também de medronho num alambique que estava precisamente neste edifício. A fertilidade da nossa terra, por outro lado, permitiu que durante anos fossemos conhecidos como a horta abastecedora dos mercados de Seia e Oliveira do Hospital. O nosso objectivo é que este projecto tenha capacidade de atrair alunos das escolas e por arrasto posteriormente também os pais. Isto além dos restantes turistas.
Uma das suas apostas é também atrair população…
O nosso lema é que a aldeia de Sandomil seja boa para os actuais cerca de 750 habitantes que temos e óptima para quem nos visita. Queremos oferecer todas as condições para que as pessoas se possam instalar aqui. Vamos reconverter uma área da Junta num espaço coworking para receber quem optar por trabalhar a partir daqui com todas as comodidades e por um valor simbólico. No interior, temos de nos saber adaptar. A nossa densidade populacional tem vindo a diminuir, logo devemos apostar na criação de condições para atrair visitantes que façam mexer o comércio e toda a economia local. Só assim podemos parar a desertificação.
Tem conseguido combater esse problema que tanto afecta esta região?
Sim. Temos já alguma comunidade estrangeira, entre os quais alguns jovens, que veio para aqui em teletrabalho e ficou, assim como nacionais. Sandomil, de resto, tem tudo para os convencer. É uma aldeia calma. Tem o rio no Verão e a Serra da Estrela no Inverno. O custo de vida é baixo. Ou seja, viver aqui é ganhar qualidade de vida e o teletrabalho veio para ficar. Há muitas empresas que continuam a permitir essa opção de forma permanente e é algo em que temos de explorar. Temos de vender esta tranquilidade e beleza natural. São mais valias do interior. Precisamos de fazer os investimentos certos.
Qual a capacidade de Sandomil em termos de alojamento?
Conta com três empreendimentos: Ecofurtado (três apartamentos T2), Refúgio do Alva (dois T2) e Vila Alzira (está a realizar uma ampliação e, dentro de um mês, terá nove quartos). Vamos fazendo o que é possível para devolver a Sandomil aquilo que merece.
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