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O preço da má gestão… Autor: Fernando Tavares Pereira

Alguns executivos desta região, incluindo os de Tábua e Oliveira do Hospital, têm afirmado que fizeram um trabalho perfeito. Perfeito? Talvez não seja essa a palavra adequada, quando se constata que estamos, de facto, pior do que há cerca de três décadas.

No caso de Tábua, o retrato é preocupante. Podemos falar das acessibilidades, do desemprego, da ausência de infra-estruturas básicas, como o saneamento, cuja conclusão se esperava há vinte anos e que, ainda hoje, continua a ser motivo de inaugurações. Há falta de ETARs e outras obras de necessidades elementares que nem sequer começaram em algumas freguesias.

O desemprego tem vindo a aumentar, e nem os POC (programas ocupacionais), que vão necessariamente diminuir, parecem ter capacidade para inverter esta tendência. Estes programas, de resto, dificilmente resultam quando não são pensados, como é o caso,  enquanto formação profissional adequada às necessidades do tecido empresarial local. Sem empresas dinâmicas a contratar e sem qualificação ajustada, os POC acabam por ser apenas uma ocupação temporária, sem efeito prático no desenvolvimento económico e prejudicando as futuras reformas desses utentes dos POC.

Falta limpeza urbana, faltam novas vias para garantir mobilidade. Perdeu-se a justiça e outras valências do Estado. A saúde nocturna continua por resolver e foi preciso um Governo do PSD para suprir a escassez de médicos que persistiu durante tantos anos neste concelho.

Em Oliveira do Hospital, a situação é ainda mais grave. A carência de acessibilidades e o desemprego configuram, seguramente, duas das maiores falhas deste concelho. A saúde e a justiça, entre outras valências, foram perdidas, com o concurso de médicos a ficar deserto. Onde estamos e para onde vamos? Que se saiba, não se criou um único novo acesso para o desenvolvimento interno da cidade nos últimos dezasseis anos. Promessas feitas e não cumpridas. Hoje, chega-se a quase todas as freguesias e não existe uma única empresa com mais de cinco funcionários, à excepção das IPSS, que não oferecem futuro sustentável, pois, quando a população idosa desaparecer, não haverá quem tratar. Este é o espectro que ameaça estes dois concelhos.

“…bater palmas a uma má gestão pesa demasiado e prenuncia um futuro difícil, para não dizer negro…”

Que futuro nos reserva esta região?

Com tantas inquietações do nosso povo, impõe-se a pergunta: o que foi feito com os cerca de quinhentos milhões de euros investidos em Tábua, nos últimos 30 anos, entre fundos do FEF, impostos locais, apoios governamentais e da União Europeia? Deveria ser claro e transparente o destino de tantos milhões. No caso de Oliveira do Hospital, no mesmo período, falamos de cerca de setecentos milhões de euros. Anualmente, deveria ser pública a prestação de contas dos investimentos realizados, para que os munícipes soubessem exactamente onde foram aplicados tantos recursos e, se necessário, responsabilizar os dirigentes do município.

Mais: nos últimos anos, foram criadas parcerias intermunicipais, com mais custos para as autarquias, que absorveram serviços municipais, mas, ainda assim, o número de funcionários nas câmaras aumentou. Será que os autarcas trabalham para o voto ou para o bem dos municípios?

É verdade que alguma coisa foi feita, mas, na minha opinião, muitos desses investimentos carecem de rentabilidade e não foram pensados para colmatar necessidades futuras. Sem uma estratégia firme. As festas e eventos culturais (aqui esquecendo os apoios para a cultura local, enquanto quem de fora é bem pago) são importantes para a população, mas bater palmas a uma má gestão pesa demasiado e prenuncia um futuro difícil, para não dizer negro, tanto para a nossa região como para a nossa juventude, que deveria ser o futuro do nosso país.

As mudanças políticas são urgentes em todos os concelhos. O limite máximo de dois mandatos seria um bom princípio para garantir maior responsabilidade dos eleitos. Se uns trabalham e outros não, urge que se julguem os responsáveis que quase nada fizeram e simplesmente realizaram investimentos de pouca produtividade e que garantem pouca qualidade de vida para o futuro. Continuamos a aguardar um debate alargado nesta região para defender os interesses locais. Como sempre, estou disponível para participar e contribuir para o bem-estar de todos.

 

 

Autor: Fernando Tavares Pereira

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