O Sampaense Basket assegurou a manutenção na Proliga (o segundo escalão da modalidade em Portugal) na derradeira jornada da prova e graças a uma conjugação de resultados. O coordenador e treinador de basquetebol do clube, Cláudio Figueiredo, que está ligado ao clube há vários anos, reconhece que houve alguma angústia, antes da festa, mas que o objectivo principal foi atingido. O técnico do clube, que conta cerca de uma centena de jovens na formação, considera que é muito difícil um emblema do interior jogar a este nível, quer pela dificuldade de recrutar jogadores, quer pela menor existência de patrocinadores. “Além disso muitos dos jogadores que formamos chegam aos 18, 20 anos vão estudar para fora e deixam de poder treinar”, conta o técnico ao CBS, lamentando que o emblema de Oliveira do Hospital seja o único do interior do país a disputar as provas profissionais.
CBS – Esta época que terminou a equipa e os adeptos do Sampaense Basket sofreram até ao último minuto…
Cláudio Figueiredo – Conseguimos a manutenção apenas na última jornada. Mas conseguimos o principal objectivo da época: a manutenção. Queríamos mais. Queríamos evitar a angústia de deixar todas as decisões para a última jornada e com a manutenção a não depender apenas do nosso resultado. Não foi fácil. Mas, no final, foi reconfortante conquistar a continuação na Proliga.
É difícil manter uma equipa de basquetebol do interior nas provas profissionais?
É muito complicado. Não é fácil para nenhuma modalidade, mas para aquelas que são consideradas amadores o panorama é ainda mais complexo. Há menos patrocinadores, logo um orçamento inferior, mas há também uma dificuldade maior de atrair jogadores. Os que têm experiência e qualidade não querem vir para o interior e em termos financeiros também não conseguimos ser atractivos.
O Sampaense Basket é uma das poucas equipas do interior a jogar basquetebol nas provas profissionais. É devido a essas dificuldades?
O Sampaense é mesmo a única equipa do interior a jogar as provas profissionais. Infelizmente não há mais nenhuma. Agora está na Proliga, mas já esteve alguns anos na I Divisão (da época 2009/2010 até à temporada de 2014-2015). Mas é muito difícil superar todas as dificuldades, tanto financeiras, como de recrutamento de jogadores. Quase todos os que têm experiência e qualidade não querem vir para esta região. Temos de recrutar nos escalões inferiores e alguns estrangeiros. Esta época tínhamos, por exemplo, três americanos que vão embora, mas vamos ter outros três estrangeiros.
A formação não consegue fornecer jogadores à equipa principal?
Temos todos os escalões de formação em masculinos que conta com cerca de 70 atletas e voltámos a ter o basquetebol feminino que já tem já 24 meninas. Mas também aqui temos um problema de reter os jovens porque atingem os 18 ou 20 anos vão estudar para fora e deixam de poder treinar. Mesmo assim na equipa principal temos dois jogadores formados no clube. E esta época temos um atleta Sub-18 que vai para a equipa principal e outros dois vão começar também a treinar com os seniores. Esta transição entre escalões é muito complicada. Tem de ser realizada com muito cuidado. Mas os jogadores que conseguimos formar são o reflexo de um clube que trabalha bem e consegue mitigar as dificuldades.
….
A adesão dos jovens a esta modalidade, diga-se, tem aumentado. Temos conseguido que alguns dos nossos jogadores vão às diversas selecções…
Agora uma jovem atleta do Sampaense, a Anouk Kievit, foi chamada aos trabalhos da Federação….
Como treinador e coordenador do clube é muito gratificante esta chamada. Estamos a falar de uma jovem que só pratica basquetebol há dois anos, tem 13 anos e joga no escalão de Sub-16 porque não temos Sub-13, em femininos. É um orgulho para ela e para todos os que fazem parte desta família do Sampaense. Ela vai estar entre as 30 melhores basquetebolistas Sub-13 da Zona Norte. É significativo e demonstra que este emblema está a trabalhar bem a formação, o que, de resto, permitiu que outros dos nossos jogadores fossem chamados às diversas selecções. Talvez por isso, a adesão dos jovens a esta modalidade, diga-se, tem aumentado.
A Federação Portuguesa de Basquetebol não ajuda os clubes do interior?
Devia ter mais respeito por quem realiza este trabalho nestas regiões de baixa densidade. Afinal, os clubes que por aqui existem estão a prestar um serviço à modalidade e mereciam medidas de incentivo para ajudar a superar as dificuldades. É que nós estamos a competir com armas diferentes, frente a equipas com mais facilidade em encontrar jogadores e patrocinadores. A FPB devia ter orgulho destes clubes. Mas o que sinto, muitas vezes, é o contrário. E os árbitros deviam sempre olhar para nós como olham para as outras equipas. Isso nem sempre acontece e irrita-me verificar que nos procuram empurrar mais para baixo.
Estas dificuldades também fazem com que exista, digamos, uma vontade extra em representar este emblema?
Sim. Sentimos muitas dificuldades, mas também um orgulho enorme de ser do interior. De levar por esse pais fora o nome desta cidade e da região. Esse é um aspecto que nos dá uma força extra. Já tive um convite para ir trabalhar para o estrangeiro, mas recusei porque trabalhar no Sapaense Basket é algo de muito motivador. O orgulho de sermos uma equipa que representa os territórios de baixa densidade é algo que também ajuda os jogadores a superarem-se.
Qual será o objectivo da próxima temporada?
Estamos ainda a preparar a equipa, mas será um grupo competitivo que tem por objectivo básico a manutenção. Mas vamos procurar fazer melhor que esta época.
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc