Home - Outros Destaques - O sonhador Edgar, o mais jovem guardador de ovelhas de Oliveira do Hospital

O sonhador Edgar, o mais jovem guardador de ovelhas de Oliveira do Hospital

Aos cinco anos, Edgar Pinto começou a ganhar o gosto pela pastorícia. Mesmo sem ser proveniente de uma família de pastores, este jovem de Lagares da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital, encontrou num vizinho, que tinha um “rebanho enorme”, um mentor e um “professor”. “Ensinou-me muita coisa”, conta Edgar que chegou “a fugir da escola para ajudar a guardar as ovelhas”.

Hoje, aos 18 anos, o jovem que sonha ser pastor a tempo inteiro trabalha na construção civil e vai seleccionando o seu rebanho. Já conta com 16 ovelhas ou “ovelhitas” como ele carinhosamente trata os seus animais. Comprando umas, seleccionando outras que ele próprio cria. “Todas bordaleiras”, faz questão de notar, agarrado ao tradicional cajado e acompanhado pela pequena cadela Kaya, de apenas quatro meses, de raça Serra da Estrela.

Edgar acabou por ser a estrela improvável da Feira do Queijo Serra da Estrela de Oliveira do Hospital. Ouviu os responsáveis da região falarem dele como um exemplo de que a tradição da pastorícia tem futuro. “Não os quero desiludir, ainda só tenho poucas ovelhitas que já vão dando para a minha mão fazer uns queijos de qualidade para consumo próprio. Mas o meu objectivo é aumentar o efectivo. Ir comprando mais algumas e criando outras, escolhendo as melhores, para um dia ter um efectivo de 100 a 150 cabeças. E ir à luta e fazer disto a minha vida”, conta.

Reconhecendo que para se singrar nesta actividade é preciso ter gosto e paixão pela natureza e pelos animais, aquele que é considerado o mais jovem pastor do concelho de Oliveira do Hospital diz que “não há dinheiro que pague a vida ao ar livre”. “Uma pessoa quando gosta do que faz não acha o trabalho duro”, conta com uma forte convicção. Nem os horários, o assustam. “No Inverno levanto-me às 5h30, 6h00, mas no Verão lá pelas 4h00 já costumo estar a pé”, diz.

Por enquanto, tem um segundo trabalho. “Mas de manhã e à noite estou com as minhas ovelhinhas”, conta com um sorriso genuíno. Acorda e faz a primeira ordenha, deixa as “ovelhinhas” a pastar, num terreno que vedado, e regressa pelas 17h30 “para as arrumar” e fazer a segunda colheita de leite. “Mas vai chegar o dia em que vou ter o tempo todo para tratar das minhas ovelhinhas”, conclui, sem disfarçar que esse é o seu grande sonho. Quando lhe falam em apoios diz que não os conhece e que para se conseguirem é preciso “muita papelada”. “A ver se no final do ano já tenho as 30 ovelhitas e tudo devidamente regularizado. Depois vejo se posso ter alguma ajuda, o que que seria sempre bem-vinda”, conta, com o seu rosto humilde, sempre com um sorriso de quem possuiu uma alegria contagiante.

LEIA TAMBÉM

EM503 em Meruge já se encontra transitável após deslizamento de terras

A EM503, em Meruge, já se encontra transitável após ter sido cortada ao trânsito devido …

Subida dos caudais dos rios Alva e Alvoco leva Câmara de Oliveira do Hospital a emitir alerta

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital lançou esta tarde um alerta à população devido …