Vamos inspirar-nos nos Oráculos do Mundo Antigo – depois Oragos para as elites e «bruxos» e «bruxas» para a plebe, para mediar informação datada de porvir (para o futuro) quanto à política local em Oliveira do Hospital.
E como muito se tem ouvido, visto e escrito sobre as «peripécias» e sobre gafes presidenciais sobre o «Passadiço-Ponte» do Açude da Ribeira, no Rio Seia, vamos partir, por método «ilustrado» com essas situações, para procurar ver e adivinhar, em tempo presente, para lá das conversas e outras reacções de protagonistas principais do «enredo».
Em respostas públicas a questões pertinentes sobre o assunto, dirigidas ao actual Presidente da Câmara e enquanto este se diverte a «instagramar» – a dar curtas mas também exageradíssimas imagens verbalizadas sobre o belo Açude da Ribeira quando este tem água a cair em cascata – o actual Presidente da Assembleia Municipal assume-se como o Presidente da Câmara de facto e dá respostas erróneas a tais questões e, por vezes, também de forma bastante agressiva.
Assim, um exagera no disparate outro exagera no disparatar.
O actual Presidente da Assembleia Municipal, e anterior Presidente da Câmara, repete, entre outros, o estranho dislate em afirmar que no custo com a instalação do «Passadiço-Ponte» não há verbas do Orçamento do Estado Nacional nem do Orçamento Municipal, o que não é assim pois pelo menos há uns 67 mil euros pagos pela Câmara para essa obra, para poder receber cerca de 350 mil euros, esses sim, provenientes de comparticipação da União Europeia para a obra em causa.
E a 21 de Maio, por ocasião da inauguração oficial, pela Autarquia Municipal, do «Passadiço-Ponte» do Açude da Ribeira, José Carlos Alexandrino, como Presidente da Assembleia Municipal e, pelos vistos, também como Presidente da Câmara de facto, anunciou um novo projecto municipal, com «um milhão de euros», para mais Passadiços na mesma zona do Rio Seia. Ora, aqui temos mais uma «antecipação» ilegítima de Alexandrino em relação ao actual Presidente da Câmara.
E também tal como já foi anunciado, na sessão pública da Câmara Municipal de 9 de Junho, o actual Presidente da Câmara veio desmentir ao informar que há ideias para isso, mas não há qualquer projecto já definido para mais «Passadiços» … E lá cai pela base institucional mais uma «Alexandrinada» na procura dos protagonismos, aliás de forma abusiva, tendo em conta a conveniente e democrática separação de competências entre o Presidente da Câmara e o Presidente da Assembleia Municipal e respectivos Órgãos Autárquicos.
E o actual Presidente da Câmara também confirmou aquilo que, afinal, já era sabido por todos os interessados, menos por Alexandrino, e que é haver uma «comparticipação nacional» de cerca de 67 mil euros – notou-se que, aqui, evitou dizer «comparticipação municipal» – para pagar o «Passadiço-Ponte».
Recorde-se, entretanto, que nos idos de 2014, o então Presidente da Câmara Municipal, José Carlos Alexandrino, contestou o então Presidente da Assembleia Municipal, António Lopes, alegadamente por este pretender ser o Presidente da Câmara.de facto.
E a pretexto dessa divergência fundamental, António Lopes foi mesmo «despedido» pelo PS, aliás de forma nada curial, de ser o Presidente da Assembleia Municipal, quer dizer, o PS veio à liça apoiar José Carlos Alexandrino contra António Lopes.
E agora? É que a história não se repetindo apresenta, todavia, circunstâncias muito parecidas nesta «disputa», surda e ao mesmo tempo «ensurdecedora», de competências e protagonismos entre Alexandrino – Presidente da Assembleia Municipal – e Francisco Rolo – Presidente da Câmara…
Francisco Rolo é prejudicado politicamente pela sede de protagonismo exibida por Alexandrino.
É uma situação que, inclusivamente, prejudica Francisco Rolo que ganha fama (justa ou injusta) de ser «pau mandado» de Alexandrino e, assim, começa a ficar fragilizado para uma nova corrida eleitoral a Presidente da Câmara.
Por outro lado, esta dinâmica local de Alexandrino, que contrasta com a falta de notoriedade com que exerce a função de Deputado na Assembleia da República, pode indiciar desde já a sua vontade em regressar à Câmara Municipal nas próximas eleições autárquicas, em 2025, pelo que já trabalha para «afastar» Francisco Rolo dessa nova corrida eleitoral pelo menos como cabeça de lista à Câmara.
Aliás, para também assim segurar no PS, o actual Vice-Presidente da Câmara, Nuno Filipe Ribeiro, «Julinho», força de atracção que, chegada a hora, Francisco Rolo poderá não ter perante «Julinho», um potencial e forte candidato também por força partidária concorrente ao PS (o PSD…) e com hipótese de ser vista como alternativa maioritária à Câmara Municipal nas próximas Eleições Autárquicas em 2025.
Claro que o PS vai ter opções desse tipo a tomar entretanto que, hoje, PSD e CDS/PP se trabalharem bem – falta mais de dois anos para o final deste mandato autárquico – poderão mesmo aparecer como alternativa eleitoral muito credível ao PS tendo em conta o mandato complicado que Rolo atravessa e, ainda, o facto, de o actual Executivo Municipal ter 4 eleitos pelo PS e 3 eleitos pela coligação PSD / CDS – PP.
Portanto, atenção a estes «cenários» que o nosso Oráculo desvenda para o futuro próximo na política local no concelho de Oliveira do Hospital…
E, sobretudo, que arranquem, rápido e bem, as obras municipais em atraso! E nisto o Oráculo apenas respondeu às dúvidas com um: «sem comentários para não adivinhar de forma desagradável e inconveniente. Abram vocês os olhos e o cérebro…» – e mais não disse o Oráculo sobre o assunto dos atrasos nas obras municipais…
Autor: Carlos Martelo
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc
