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Pacheco Pereira assume liderança da comissão científica do Centro Interpretativo do Estado Novo em Santa Comba Dão

O historiador e jornalista José Pacheco Pereira assumiu no dia 28 de Fevereiro, através da Associação Cultural Ephemera, a liderança da comissão científica do Centro Interpretativo do Estado Novo (CIEN), que será instalado na Escola Cantina Salazar, em Santa Comba Dão. A cerimónia de formalização do compromisso ocorreu com a assinatura de um protocolo de cooperação entre o Município de Santa Comba Dão e a Ephemera, que vai coordenar a criação e o funcionamento do centro.

O protocolo define que a Ephemera terá a autonomia, direcção e coordenação científica do CIEN, cujo nome completo será CIEN 1926 – 1974 Regime e Resistência. Além de José Pacheco Pereira, a comissão científica é composta por vários historiadores de renome, incluindo Maria Inácia Rezola, Luís Reis Torgal, Irene Flunster Pimentel, Luísa Tiago Oliveira, Rui Feijó e Marçal Grilo.

Durante a cerimónia, Pacheco Pereira destacou que a comissão científica ainda não está completamente fechada e afirmou que há muitos historiadores voluntários da Ephemera envolvidos no projecto. “Ainda não está fechada e, depois de hoje, espero que mais pessoas se disponibilizem. Quando tudo estiver definido, divulgaremos os nomes, mas serão pessoas com sólidos pergaminhos”, garantiu.

O presidente da Ephemera aproveitou a ocasião para lançar um apelo à comunidade, pedindo que cidadãos enviem documentos, fotografias, jornais, panfletos e outros objectos relativos ao período do Estado Novo. “Tudo é válido. O primeiro passo é guardar. Depois, vamos estudar e analisar a importância de cada material. É essencial que salvemos todo o material histórico sem tabus”, frisou.

Pacheco Pereira revelou ainda que a Ephemera já possui um vasto acervo de documentos, alguns dos quais poderão ser depositados no CIEN. “Hoje mesmo chegou um carro cheio de livros que farão parte da biblioteca que vamos criar aqui”, disse. A biblioteca, que marcará o início das actividades do centro, estará disponível ao público até Junho, conforme anunciou o presidente da Câmara de Santa Comba Dão, Leonel Gouveia. Após a sua abertura, a Ephemera dará continuidade ao projecto, avançando com a criação do centro interpretativo.

Apesar das dificuldades históricas associadas ao local, Pacheco Pereira sublinhou que o CIEN não tem como objectivo reviver o saudosismo do regime de Salazar. “Não temos saudades da ditadura, e queremos evitar que a história do Estado Novo se torne também um ‘fantasma’. O que queremos é dar um contributo para o conhecimento e estudo desse período, sem cairmos no erro de ignorá-lo ou minimizá-lo”, defendeu.

A criação do CIEN, que já falhou em várias tentativas anteriores, é vista por Pacheco Pereira como um desafio, mas um projecto necessário para a democracia e para o entendimento da história portuguesa. “Estamos conscientes das armadilhas que este terreno acarreta, mas não podemos permitir que o conhecimento histórico se torne vítima de uma ‘maldição’. A história tem de ser preservada para que possamos continuar a aprender com ela e fortalecer a nossa democracia”, concluiu.

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