A pesca excessiva, as alterações climáticas e eventuais mudanças no ciclo de vida do ciclóstomo, que há milhões de anos sobreviveu à extinção em massa dos dinossauros, podem estar na base da redução do número de lampreias que actualmente sobem o Mondego e afluentes, a partir do oceano, na Figueira da Foz. O assunto foi abordado durante a apresentação do Festival da Lampreia de Penacova que vai decorrer nos dias 25 e 26 de Fevereiro em 11 restaurantes do concelho.
“As pessoas vão pagar pelos seus erros”, afirmou o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, Emílio Torrão. Em 2022, as lampreias “começaram a entrar no rio no início de Março”, o que permitiu baixar o preço da iguaria nos restaurantes de Montemor-o-Velho, município ribeirinho a jusante de Penacova, ao qual preside Emílio Torrão.
“Temos de nos adaptar à realidade”, acentuou, para sugerir que os concelhos junto ao Mondego diversifiquem os programas ligados à lampreia, incluindo com a introdução nas ementas do chamado “peixe do rio” (barbos, bogas e outras espécies fluviais fritas), por exemplo, uma ideia que foi bem acolhida por Álvaro Coimbra.
O presidente da Câmara de Penacova testemunhou que, há poucos dias, o preço de uma lampreia inteira, com arroz, ascendia a 140 euros numa casa especializada do concelho. Álvaro Coimbra admitiu que os programas gastronómicos locais, “a manter-se o actual cenário” de falta de lampreias, venham a ser ajustados no futuro.
Em Travanca do Mondego, Álvaro Coimbra adiantou que os 11 restaurantes envolvidos na iniciativa, nos dias 25 e 26 de Fevereiro, “entenderam que continua a ser fundamental” realizar o festival, “apesar do preço muito alto” da lampreia, e da sua escassez no rio Mondego. “A época da lampreia prolonga-se até Abril”, rematou Álvaro Coimbra.
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