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Piranhas. Autor: Fernando Roldão

As piranhas são peixes carnívoros de água doce, muito vorazes, predadores, com mandíbulas fortíssimas, chegando a atacar os da sua espécie, quando num aquário, por isso não se devem misturar espécies.

Possuem uma das mordidas mais fortes encontradas nos peixes ósseos. Os maxilares fortes combinados a dentes, finamente serrilhados, tornam-se adeptos da carne, rasgando-a, chegando a atacar os humanos quando cheiram sangue.

Não resisti à tentação de comparar estes carnívoros com outros, de duas pernas, que vivem fora de água, com apetite igualmente devorador, quando em grupo.

Atacam quem lhes aparecer pela frente, devorando tudo até ao tutano, não resistindo a fazer o mesmo aos da sua espécie ou família, usando, inclusive, sons para intimidar as suas potenciais presas.

A metáfora está feita e quem não tiver receio de perder o resto da sua massa cinzenta, que tire a suas conclusões.

Cinquenta anos passaram sobre o golpe que derrubou o governo português da altura, com a finalidade de usurpar as colónias (leia-se, riquezas) a Portugal, aparecendo na primeira fila para saborear os despojos, os Estados Unidos da América e a Rússia, após um longo financiamento aos “movimentos de libertação”.

Seria interessante, para entender o Abril, que se estudasse o que esteve por detrás deste golpe, pois infelizmente a maioria fala daquilo que não sabe e mais grave, segue uma linha de fecundação auricular, que origina verdadeiros abortos históricos.

Ainda bem que já aparecem vozes lúcidas e cultas, que estão a ajudar a desmontar essa enorme e descomunal mentira que foi o 25 de Abril.

Está tudo documentado, quer em registos, cartas, depoimentos, havendo todo um manancial de informação, caso queiram gastar algum do vosso tempo livre na pesquisa na internet, enquanto uns quantos “patriotas” não se lembrarem de apagar estas memórias.

Os revolucionários em causa própria, têm usado um disco riscado, onde as mentiras subsistem, em detrimento dos riscos que fizeram nas verdades.

Os partidos têm sido a desgraça deste país, desde a monarquia constitucional, passando pela república e terminando em 1926, com a chegada a ministro das finanças de António Oliveira Salazar.

Havia que por cobro ao regabofe, que originou uma das maiores dívidas do nosso país e para isso, em 21 de Maio de 1935, com a lei 1901, proibiu as associações secretas, com destaque para a Maçonaria, demonstrando proteccionismo em relação à coisa pública.

Então porque não fazer o esmo hoje, pois todos sabemos quem nos (des) governa?

Talvez por isso ainda hoje o apelidam de ditador e fascista, opinião contrária foi expressa por Madeleine Albright, 64 secretária de estado dos USA, que o enquadrou no grupo dos líderes autoritários, que desconfiava da democracia e classificava o Nazismo como imoral.

Apregoar honestidade e democracia, não passa de retórica para enganar o povo. É preciso demonstrar, na prática que, estar no governo será para servir a causa pública e não servir-se da mesma em proveito próprio.

Não resisto a comparar duas situações, uma recente e outra antiga.

Em Agosto de 1963, Fernanda Jardim, directora à época da Caritas Portuguesa, escreve a Salazar a informar de que a comissão diocesana de Luanda, está aflita de dinheiro e por isso a necessitar de ajuda.

Salazar responde em carta que transcrevo:

“Exma. Senhora D. Fernanda Jardim, fui ver se tinha ainda algum dinheiro que pudesse aliviar as aflições imediatas de Sor. Maria de S. Luís. Achei 50 contos que V.Exa. fará o favor de mandar levantar e de mandar transferir para Luanda. Não sei quanto custa a transferência mas V.Exa. manda depois a conta para que não fique a pesar na Caritas.

Com respeitosos cumprimentos. Que a Guilhermina continue a melhorar.

Ol. Salazar”

A importância foi remetida por cheque de Salazar sobre a sua conta particular na Caixa Geral de Depósitos-Caixa Económica Portuguesa.

Vem isto a propósito do caso das gémeas e do actual Presidente da República Portuguesa.

«Não restam dúvidas de que se trata do governo de um homem só e que não há lá outro homem como ele. O mais provável é que, se Salazar morrer ou perder os seus poderes, Portugal volte à confusão da qual ele o arrancou».

Dean Acheson(antigo secretário  de Estado dos USA)

Rolão Preto quis introduzir o fascismo em Portugal, inspirado no modelo italiano.

Era o partido da extrema-direita, dos portugueses que vestiam camisas-azuis, faziam a saudação romana e que tentaram por diversas vezes derrubar o regime.

Foi condecorado por Mário Soares,  a 10 de Fevereiro de 1994, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a título póstumo.

Cartas mal baralhadas, de um baralho, já de si defeituoso e perverso, onde jogadores, sem moral, ditam as próprias regras para conseguirem ganhar.

 

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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