Não pretendo polemizar com ninguém e menos ainda com a Junta de Freguesia de Seixo da Beira acerca do incómodo encerramento das Piscinas Municipais nesta Localidade.
Porém, de facto, o inusitado da situação e os incómodos que causa aos eventuais Utentes, à população da Cordinha, às Crianças e Jovens em especial, reclamam por não se largar o assunto que assume contornos de incompetência e efectivo desleixo, político e administrativo, sobretudo por parte da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. Tenham lá “santa” paciência !…
Entretanto, a argumentação produzida pela Junta de Freguesia de Seixo da Beira, também merece alguns comentários com o objectivo não de maldizer mas de clarificar posicionamentos e perspectivas. Por exemplo, na resposta publicada, ter esta Junta afirmado que o encerramento das Piscinas se deve “apenas e só à falta de Nadador-Salvador” (?!), tem implícita uma efectiva desvalorização do caso e sua causa principal. Pelos vistos, a falta do Nadador-Salvador, afinal, é razão forte e mais do que suficiente – não, não é “apenas e só…” – para manter encerradas estas Piscinas e vai em dois meses !…
Já agora, permito-me a juntar outros argumentos e a formular perguntes concretas :
— Por que razão é que a Câmara Municipal deixou, há já alguns anos, de promover cursos de formação de Nadadores-Salvadores ? Ao interromper, sem alternativa, essas acções de formação específica, a Câmara não previu – política e administrativamente – aquilo que era mais do que provável vir a acontecer como ficou agora provado com a falta desses Nadadores-Salvadores para apoiar várias das praias fluviais e piscinas a cargo das Autarquias Locais, a nível do Concelho. Sim, trata-se de incompetência e desleixo !
— Dando-se um “mergulho” na legislação específica, e designadamente no estatuto do Nadador-Salvador, de imediato é constatável o “complicómetro” burocrático e administrativista que enforma essa Legislação. Por lá aparecem várias siglas – ISN – EAM – DGAM – AMN – C T – o que logo indicia outros tantos meandros do “complicómetro” formal.
— Considero também que é uma legislação não adequada às distintas realidades, logo distintas necessidades. Afinal, por que especial razão – julgo ser assim – não há “graduações” diferentes, na respectiva formação específica a atribuir a cada Nadador-Salvador, consoante o local em concreto em que este pretende ir exercer a função:- nas praias marítimas ou nas praias fluviais e piscinas locais e regionais ? E não é preciso ser-se “iluminado” para reconhecer que Mar é Mar e que é sempre diferente – mais “duro” de enfrentar, logo mais perigoso – do que rios e riachos quanto mais que piscinas…
Na esmagadora maioria das praias fluviais (autorizadas como tal) da nossa Região e nas piscinas públicas, o “prestador de primeiros-socorros” com alguma formação será mais indispensável que o Nadador-Salvador. Nas praias marítimas, já não será assim. Ou seja, justifica-se separar – graduar – a formação em Nadador-Salvador para quem pretenda ficar em piscinas e em praias fluviais e para quem opte pelas praias marítimas (ou até em algumas zonas fluviais a classificar como mais perigosas). Esta diferenciação que a nós nos parece óbvia e “descomplicadora” deve ser assumida, entre outras Entidades, pelo Instituto de Socorros a Náufragos, ISN”. E sobretudo compete às nossas Autarquias pugnarem para que assim aconteça.
— Mas mesmo estando a formação em Salvador-Nadador “cegamente” uniformizada, também compete sobretudo à Câmara Municipal e respectiva maioria partidariamente PS programarem novas acções de formação (com antes se fez) mas de forma que possa fidelizar um número suficiente de Nadadores-Salvadores para as necessidades do Município. Ora, tudo isto é possível desde que haja competência organizativa e vontade política !
— Além do mais, o Município tem investido milhões de euros do nosso dinheirinho – dos nossos impostos – na instalação e melhoria de praias fluviais e em algumas Piscinas. A População tem o indeclinável direito a usufruir de algum retorno agradável proveniente dessas verbas!
Ah ! E continua a fazer tanto calor !…
João Dinis, Jano
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