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“Poucos acreditavam que isto vingasse numa terra ‘de volta atrás’”

Albertino Moreira reagiu com emoção à homenagem recebida no “Vê Portugal”, sublinhando que o restaurante que fundou há quase cinco décadas em Folgosinho representa todo o seu esforço e dedicação. A distinção reconhece “O Albertino” como uma referência da gastronomia da Serra da Estrela.

“É um grande orgulho para mim, porque este restaurante representa todo o meu esforço. É algo em que poucos acreditavam que pudesse vingar numa terra que, há 53 anos, era ‘de volta atrás’, porque daqui não se podia ir para lado nenhum.” As palavras são de Albertino Moreira, 78 anos, fundador do restaurante “O Albertino”, em Folgosinho, Gouveia, que foi distinguido no dia 3 de Junho como entidade de referência no sector do turismo, no âmbito do jantar oficial do “Vê Portugal – 11.º Fórum de Turismo Interno”, promovido pela Turismo Centro de Portugal e realizado em Anadia.

A homenagem, atribuída durante o jantar oficial do fórum, reconheceu o papel do restaurante na afirmação da identidade culinária da região e o esforço contínuo do seu proprietário ao longo de quase cinco décadas. A câmara municipal de Gouveia felicitou publicamente o restaurante e o seu fundador, sublinhando a importância desta distinção para a valorização da gastronomia local: “O município congratula este merecido reconhecimento, bem como o Sr. Albertino e a sua família, pela referência gastronómica, não só da aldeia de Folgosinho, mas de toda a região.”

Aberto desde 1976, “O Albertino” consolidou-se como um ponto de referência na Serra da Estrela, servindo população local e visitantes de todo o país, atraídos pela cozinha tradicional portuguesa, fiel aos sabores serranos. “As pessoas vinham de longe pela qualidade da comida. Vinham para comer bem”, resume o fundador. Albertino recorda ainda que só há cerca de uma década foi aberta a estrada que liga Folgosinho a Manteigas.

A história do restaurante confunde-se com a do seu proprietário. O espaço era originalmente uma pequena taberna onde a mãe de Albertino trabalhava. Começou a ajudar aos dez anos, após a morte do pai. Durante a guerra colonial, foi destacado para a Guiné, onde integrou a equipa da cozinha militar. Aprendeu novas técnicas com um cozinheiro local e, de regresso a Folgosinho, aplicou esses conhecimentos nos seus primeiros petiscos: orelha de porco, fígado e cabidela de coelho — prato que viria a tornar-se emblemático da casa.

A transformação da taberna num restaurante resultou da mestria de Albertino na cozinha e da selecção criteriosa dos ingredientes. “Procuro comprar o que posso aos produtores locais. Quando muitos dos meus colegas ainda estão a dormir, já eu ando por essas quintas a fazer compras”, contou, acrescentando que o restaurante é hoje um motor da aldeia. “Se não fosse o restaurante, não se via ninguém. Acredito que a culinária pode trazer muita gente a visitar a nossa região.”

Entre os pratos mais procurados destacam-se o arroz de cabidela de coelho, a vitela com champignon, o javali com feijão, o leitão à Albertino e o borrego assado com batata alourada. Este último, garante o proprietário, “é especial”: “O borrego da Serra não tem par. É criado com a ovelha e o resultado é uma carne superior.” Nas entradas e acompanhamentos, o queijo da Serra e a morcela são presenças incontornáveis.

A Turismo Centro de Portugal, entidade promotora do fórum “Vê Portugal”, destacou que esta distinção contribui para reforçar o papel da gastronomia como componente essencial da atractividade turística e da identidade cultural da região. Este ano, o encontro teve como tema a Estratégia Turismo 2035, centrada nos desafios e oportunidades do turismo interno na região Centro.

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