O presidente da Câmara de Coimbra rejeitou hoje as acusações de que tinha conhecimento das alegadas adjudicações feitas pelo vereador Jorge Alves, que renunciou ao cargo, nos Transportes Urbanos de Coimbra a uma empresa detida pelo seu filho. Manuel Machado repudiou, em comunicado, “as calúnias difamatórias e torpes que determinados actores políticos têm propalado”.
“Atacando-me de forma injusta e infundadamente, a mim e aos vereadores com competências delegadas, que, reitero, têm desempenhado as suas funções com competência, honestidade e idoneidade”, lê-se na mesma nota.
O movimento Somos Coimbra, recorde-se, considerou hoje que o presidente e vice-presidente da câmara sabiam das alegadas adjudicações feitas e que “a STRA SA estava a trabalhar para os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) e que era liderada pelo filho e pelo sobrinho do ex-vereador Jorge Alves”.
Face as estas afirmações, o autarca socialista disse que se “reserva, desde já, no direito de demandar os respetivos autores, no foro próprio, e em tempo útil”. Manuel Machado salienta que, “tendo em vista o apuramento da verdade e na sequência de um processo interno de averiguações com o objetivo de identificar eventuais irregularidades imputadas ao ex-vereador Jorge Alves, enquanto presidente do Conselho de Administração dos SMTUC”, o município comunicou, “oportuna e documentadamente”, os factos ao Ministério Público na segunda-feira.
O presidente da autarquia acrescenta ainda que “manifestou a total disponibilidade para prestar todos os esclarecimentos”. “A respeito de tal factualidade e dos seus intervenientes, as declarações e esclarecimentos serão dados, única e exclusivamente, para todos os devidos e legais efeitos, perante o Ministério Público, como é habitual e saudável no Estado de Direito democrático”, sublinha.
Para o Somos Coimbra, que detém dois vereadores no executivo municipal, os mais altos responsáveis pelo município (presidente e vice-presidente) “não podem invocar ignorância do conflito de interesses no valor de mais de 200 mil euros que levou à demissão de Jorge Alves” no sábado, invocando razões pessoais e de saúde.
“O presidente e o vice-presidente da autarquia devem aos conimbricenses rápidas e claras explicações sobre a sua participação nestas matérias”, sublinha a nota do movimento liderado pelo ex-bastonário da Ordem dos Médicos José Manuel Silva, que acusa os vereadores Regina Bento (PS) e Francisco Queirós (PCP) de aprovarem os contratos em causa, “sendo diretamente corresponsáveis”.
Na terça-feira, a Procuradoria-Geral da República revelou que foi aberto um inquérito para averiguar as alegadas adjudicações feitas pelo então vereador Jorge Alves, que “corre termos no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] Regional de Coimbra”.
A oposição exigiu esclarecimentos relativamente à demissão do vereador, apontando para alegadas adjudicações nos SMTUC, por ajuste direto, a uma empresa do filho e sobrinho, superiores a 200 mil euros, quando Jorge Alves era membro do conselho de administração, que integrou como vogal desde 2013 e que presidiu desde o final de 2017.
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