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Presidente da Câmara de Manteigas elogiou seis sapadores que salvaram bosque de faias

O presidente da Câmara de Manteigas elogiou hoje a coragem de seis sapadores florestais, dois em particular, que avançaram “sem medo” para uma frente que ameaçava as faias da Encosta de São Lourenço, ‘ex libris’ da Serra da Estrela. Um dos sapadores é Rui Ventura, natural de Nelas, que tem marcado no corpo as cicatrizes de um incêndio que combateu há alguns anos. “As faias estão vivas! São a força e esperança de Manteigas. Missão concluída!”, escreveu Ventura no seu Facebook, antes de um merecido e reparador descanso.

O presidente da Câmara de Manteigas, Flávio Massano, não se cansou de agradecer e descreveu como tudo aconteceu. Explicou que se encontrava na encosta contrária à Rota das Faias, observando sucessivos “focos, chamas e fumo”, sem vislumbrar qualquer acção de pessoas no terreno. Decidiu seguir para a Encosta de São Lourenço, onde se situa o bosque de faias, juntamente com o coordenador do gabinete técnico florestal de Manteigas. “Encontrámos dois heróis do ICNF que, sozinhos numa primeira fase, aceiraram uma linha até lá ao fundo, garantindo que não continuasse a consumir a base das faias”, relatou o autarca.

“Logo a seguir apareceu um carro dos serviços florestais, com mais quatro sapadores, que ainda tinham alguma água, e avançaram para fazer face a uma forte frente, que seguia pelas copas das árvores”, contou Flávio Massano, referindo que, ao mesmo tempo, ligava para a comando local e regional a pedir “meios com toda a força” para o local.

“Aquelas seis pessoas avançaram sem medo nenhum. Conseguiram parar e atrasar as chamas e poupar as faias. Fizeram um trabalho fantástico. Aquelas faias nunca irão esquecer esse momento”, salientou o presidente da Câmara de Manteigas. “Aquelas seis pessoas, a avançarem sem hesitar, pareciam um batalhão de 100”, conta.

Posteriormente, acabaram por chegar mais meios e, no espaço de duas a três horas, dezenas de operacionais conseguiram fazer o rescaldo e o combate naquela zona, referiu.

“Manteigas vive da sua natureza, da sua paisagem, da sua biodiversidade e estas pessoas compreenderam isso mesmo. Não hesitaram ao ver um dos principais pontos turísticos e naturais em risco, quando ninguém fazia rigorosamente nada”, sublinhou.

O presidente da Câmara de Manteigas realçou que foi possível preservar “95 por cento do bosque de faias”, mas notou que outras zonas da mesma Rota das Faias sofreram grandes danos, nomeadamente onde há povoações de pinho e pseudotsugas, árvores altamente inflamáveis. “O percurso em si acabou por ficar muito afectado”, lamentou.

“Estamos ao fim de sete dias de combate e estamos a chegar a um período de esperança que o incêndio acabe no concelho”, salientou, estimando que tenham ardido perto de cinco mil hectares em Manteigas, concelho que fica no coração da Serra da Estrela.

O incêndio deflagrou no sábado no concelho da Covilhã, no distrito de Castelo Branco, e alastrou-se para Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira (distrito da Guarda).

Com início na madrugada de sábado nos concelhos da Covilhã e de Manteigas, o fogo atingiu na tarde de quarta-feira também Gouveia e Guarda e passou na quinta-feira, a meio da manhã, para o concelho de Celorico da Beira.

Hoje, pelas 14h00, estavam no terreno 1.652 operacionais, apoiados por 461 viaturas e 17 meios aéreos, segundo o sítio na Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil.

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