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Presidente da CM de Oliveira do Hospital prorrogou novamente prazo de empreitada que já conta com oito meses de atraso

Estrutura da Requalificação da Zona do Açude da Ribeira, em Ervedal da Beira, além dos atrasos, está a levantar polémica em relação aos efeitos que terá na paisagem 

A conclusão da empreitada de Requalificação da Zona do Açude da Ribeira, em Ervedal da Beira, conta já com cerca de oito meses de atraso em relação aos 120 dias de execução previstos no contrato. Ainda assim, na última reunião de Câmara, o presidente da autarquia, José Francisco Rolo, informou os restantes colegas de executivo que tinha concedido, sem qualquer penalização, mais 20 dias à empresa Pavisteel para concluir os trabalhos, uma vez que a mesma tinha falhado a data limite, 19 de Outubro, que lhe tinha sido concedida num outro adiamento. Este é mais um contratempo numa construção que está a gerar polémica. A obra, concebida no tempo do anterior presidente José Carlos Alexandrino, está a ser alvo de críticas provenientes de vários sectores, devido ao impacto que terá na paisagem local. Muitos classificam a obra como “um atentado” e outros pedem que a mesma seja travada e repensada.

“Alguém devia colocar uma providência cautelar para parar com aquela aberração. Estão a destruir um lugar com uma beleza extrema”, conta Carlos Amaral, de Ervedal da Beira, que nos últimos 15 anos tem apostado em promover o local, incluindo com actuações musicais ou a realização de piqueniques “à moda antiga”. “Em Março de 2019 juntei lá mais de uma centena de pessoas, muitas delas vindas de outros concelhos que faziam questão de apreciar a extraordinária beleza daquele espaço”, continua. Mas isso, garante, com este “mamarracho” perdeu-se. “Quando lá fui e vi aqueles pilares de betão nunca mais lá voltei, nem volto”, remata.

O líder da oposição, o social-democrata Francisco Rodrigues, prefere não se pronunciar sobre a estética da obra, enquanto a mesma não estiver construída. “Mas não gosto”, sentencia, sem adiantar mais. Já sobre os atrasos explica “que já não sabe o que dizer, uma vez que muitíssimas obras do concelho foram anunciadas com pompa e circunstância e continuam praticamente todas em derrapagem de prazos, sem fim à vista e sem explicações consistentes para esses factos”.

Já o vereador do PSD Rui Fernandes não esconde a sua insatisfação com a obra. “Nem vamos falar dos atrasos, porque já parece ser algo natural nesta autarquia. Mas aquela estrutura está completamente desenquadrada paisagisticamente e arquitectonicamente do espaço envolvente. Não se entende aquela brutalidade”, sublinha.

“É uma aberração autêntica. Não lembrava a ninguém colocar aquilo num espaço natural. Betão e ferro, quando existe a madeira?”, questiona, questiona, por seu lado, o elemento do CDS João Duarte. “Há ainda outro problema que tem a ver com o facto de se investirem cerca de 400 mil euros numa obra em que não se cuidou de arranjar os acessos e espaços de apoio. É o que dá não ter visão para o concelho. Aqueles 400 mil euros, em vez de destruírem um espaço natural, podiam fazer muito por aquela freguesia”, conta, defendendo que a autarquia devia estar apreensiva era com a qualidade da água do rio Seia que ali chega. “A poluição é um grande problema e, aí, não parece existir grande preocupação”, conclui.

Entre a população muitos discordam da visão do anterior autarca José Carlos Alexandrino que na sessão de lançamento da obra, há cerca de um ano, não se conteve elogios ao que ali iria nascer. “Hoje esta queda de água é visitada por centenas ou milhares de pessoas. É uma obra que vai ter um impacto turístico. Vai trazer valorização à freguesia de Ervedal, mas também a Lagares da Beira”, referiu Alexandrino. “Mais lhe valia quieto”, responde hoje Carlos Amaral, rematando que as críticas em relação que que está a acontecer só não atingem outros patamares “devido a um certo clima de medo” que se vive no concelho.

 

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