“Não há soluções milagrosas”. Quem o garantiu foi o deputado do PSD, eleito pelo distrito de Coimbra, na Assembleia da República, Pedro Saraiva, que numa visita que hoje realizou ao concelho de Oliveira do Hospital acompanhado por Maurício Marques e Nuno Encarnação deitou por terra as expectativas de resolução rápida dos Itinerários Complementares, em particular do IC6 até Oliveira do Hospital.
“Agora os tempos são cada vez mais difíceis para terminar as meias obras que outros só levaram a metade” afirmou há instantes o deputado que integra a Comissão de Economia e Obras Públicas, opondo-se ao modo como o o processo de IC6 foi conduzido até aqui, ao ponto de considerar que “ou se fazem obras inteiras ou não se fazem”.
Na opinião do parlamentar, o IC6 é representativo da “falta de bom senso e de planeamento” no modo como se “atacam as questões”, pelo que até considera “sui generis” a ideia de que “se fazem obras que terminam a meio e não têm continuidade”. “Levo este retrato na memória, para que eventualmente em termos futuros, quando as condições sejam outras, se possa fazer aquilo que desde o início deveria ter sido terminado”, afirmou, notando ainda que a região sempre “foi o parente pobre das apostas feitas em Portugal” em oposição aquilo que são os “excelentes” troços que existem no sentido vertical.
Pedro Saraiva considera estar em face de “um desequilíbrio no modo como se fez planeamento a este nível” e assegura que a preocupação do atual governo é de conferir “sustentabilidade e equilíbrio” a um “sistema rodoviário em que muitas vezes se prometia e não se percebia como é que essa promessas iam ser cumpridas”.
Críticas que, no entanto, não surgem acompanhadas de soluções para a resolução de um anseio que o próprio deputado considera “antigo e legítimo”. “Não é razoável dizer que vai ser resolvida no curtíssimo prazo”, afirmou aos jornalistas, assegurando tratar-se de um assunto que “não pode deixar de estar na agenda, para num horizonte de médio prazo a prioridade do IC6 não ficar esquecida para sempre como infelizmente aconteceu desde há uns anos a esta parte”.
Sem também conseguir indicar o modo como a restante obra pode vir a ser financiada, Pedro Saraiva considerou que o “importante é fazer com que a questão não morra e fique em carteira para quando houver disponibilidades financeiras para o governo lhe dar continuidade”.
Para além da passagem pelo ‘fim do IC6’, os deputados visitaram esta manhã a Igreja Moçárabe de Lourosa que, no ano em que comemora 1100 anos, continua à espera de financiamento para requalificação do espaço envolvente. Um preocupação que foi transmitida ao grupo de deputados que também foi conhecer a Santa Casa da Misericórdia de Galizes que se prepara para avançar com a construção de unidades residenciais. Bobabela também constou do roteiro dos deputados que valorizaram toda a requalificação dos achados romanos e se revelaram críticos em relação ao Centro de Interpretação das Ruínas Romanas que continua de portas fechadas e que, por isso, também faz parte do grupo das “meias obras”.
Num almoço com um grupo de empresários, os deputados ouviram ainda preocupações de quem enfrenta diariamente os efeitos da crise e da má imagem que Portugal tem no exterior e que os obriga a pagamentos antecipados junto dos fornecedores.
Aos empresários, os deputados deram conta das linhas de financiamento existentes e outras políticas promovidas pelo atual governo no sentido de apoiar e até viabilizar empresas que se encontrem em risco de encerrar. “É injusto quando se diz que este governo está desatento às questões da economia”, referiu Pedro Saraiva.
Também o tema da ESTGOH foi dominante no encontro com empresários que encerrou o périplo dos deputados no concelho. Uma iniciativa que mereceu o apreço da presidente da Comissão Política de Secção do PSD, por permitir aos oliveirenses fazer eco das suas preocupações junto do governo. “Temos esta missão patriótica de colaborar com o governo, mas não podemos esquecer, de maneira nenhuma as nossas reivindicações”, frisou Sandra Fidalgo.
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