Os quatro sapadores florestais da Câmara Municipal de Seia, indiciados pelos crimes de violação, coacção, coacção sexual e perseguição de que foi vítima um colega de 61 anos, saíram em liberdade, ficando sujeitos a apresentações semanais no posto da Guarda Nacional Republicana da cidade, proibidos de contactar entre si e com a vítima, medidas controladas por pulseira electrónica. O Tribunal de Seia determinou ainda a suspensão de funções na autarquia.
Os quatro sapadores florestais, com idades entre os 40 e os 51 anos, foram detidos na terça-feira pela Polícia Judiciária, através do departamento da Guarda, no âmbito de um inquérito titulado pelo Ministério Público. Estão fortemente indiciados pela prática dos crimes de violação, coacção, coacção sexual e perseguição, tendo como vítima um colega de 61 anos, assistente operacional com funções de vigilância florestal, integrado na mesma equipa.
Segundo a Judiciária, os crimes ocorreram em contexto laboral, em locais ermos onde desenvolviam actividade. Desde Setembro de 2018, a vítima terá sido sujeita a actos sexuais violentos, acções vexatórias e ofensas sexuais quase diariamente. A investigação teve início após uma denúncia apresentada à GNR de Seia, motivada pelo estado de saúde periclitante da vítima, resultante das agressões sofridas ao longo dos anos. Os abusos terão cessado, alegadamente, em Janeiro de 2025, quando o trabalhador sofreu um AVC e relatou os factos ao médico.
O caso levou à abertura de um processo de averiguações por parte da autarquia e à suspensão dos sapadores envolvidos, posteriormente alvos de processo disciplinar interno. A Câmara anunciou ainda a intenção de se constituir assistente no processo judicial, para prosseguir e concluir os procedimentos disciplinares instaurados.
A autarquia refere em comunicado que tem vindo a colaborar com as autoridades competentes, tendo remetido oportunamente ao Ministério Público o processo de averiguações interno realizado sobre a situação. Foram igualmente adoptadas medidas cautelares, designadamente a transferência do trabalhador que apresentou queixa para outro serviço, evitando qualquer contacto com os alegados agressores e garantindo acompanhamento psicossocial.
O presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, adiantou à Lusa que a vítima tem recebido apoio psicológico e social. Acrescentou que, quando houver decisão da justiça, o município concluirá o processo disciplinar em curso e aplicará as sanções que se justificarem.
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