Home - Últimas - “Queremos que a Aldeia Viçosa seja uma referência turística no Vale do Mondego”

“Queremos que a Aldeia Viçosa seja uma referência turística no Vale do Mondego”

Presidente da Junta lamenta que os seus mandatos tenham sido condicionados pela dívida de 240 mil euros que encontrou em 2013

A Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda, pretende transformar-se numa referência turística do Vale do Mondego. A freguesia hasteou, pela segunda vez consecutiva, a bandeira Azul e o presidente da Junta Luís Prata, que cumpre o terceiro e último mandato, quer construir uma área de apoio ao autocaravanismo e uma pista de pesca federada. O autarca revela ainda que os seus mandatos foram marcados pelo pagamento de 600 euros por mês das dívidas no valor de 240 mil euros herdadas do anterior executivo. “Isso condicionou-nos muito, mas estamos a trabalhar e a construir o caminho”, conta.

CBS – Qual a importância para esta freguesia e até para a região as bandeiras Azul e de Praia Acessível nesta praia?

Luís Prata – Em primeiro lugar trazem uma auto-estima ao povo da Aldeia Viçosa que bem precisava. Quando a minha equipa assumiu a junta, em 2013, esta freguesia estava muito em baixo, mal vista e malfalada. Estas bandeiras são um pequeno símbolo daquilo que a junta é hoje, bem vista e galardoada. Mas além dessa parte simbólica, estes símbolos são importantes do ponto de vista económico. Ajudam a vender o espaço. Temos cada vez mais turistas provenientes do litoral e estrangeiros, nomeadamente belgas, alemães e holandeses. Nota-se também, cada vez mais, turistas com elevada capacidade financeira. E estes símbolos garantem aos visitantes e a toda a população que o espaço tem qualidade de excelência. Ajudam a promover a economia local e a dinamizar o interior que bem precisa.

Quantos visitantes tem a praia por época balnear?

Cerca de dez mil visitantes, sendo que as pessoas da freguesia não estão contabilizadas. Elas não pagam o preço simbólico de um euro por entrada, logo não fazem parte da estatística.

Perderam as bandeiras e conseguiram recuperá-las. Foi difícil?

Quando chegámos ainda apanhámos um ano de bandeira Azul, mas devido ao historial perdemo-la. Seguiram-se cinco anos de trabalho árduo para que no final conseguíssemos recuperar o galardão. Conseguimos. Agora, o nosso objectivo é mantê-lo, em particular, nos próximos três anos para atingirmos a bandeira de Ouro.

Um dos problemas desta praia prendia-se com as descargas da barragem do Caldeirão…

Essa questão já não se coloca. Existe uma articulação perfeita entre a Junta e os responsáveis daquela estrutura.

Esta zona do Vale do Mondego tem registado uma aposta forte no alojamento local. A praia fluvial é uma ajuda para esses investimentos?

Claro. Há uma sintonia entre esses empreendimentos e a praia fluvial. Ajudamo-nos uns aos outros. Há dinâmica. Depois, existe outro aspecto importante: as pessoas estão a vir e a ficar normalmente uma semana. Não são turistas passageiros e a praia fluvial ajuda a promover essa estadia. Na Aldeia Viçosa já temos quatro alojamentos locais que representam mais de 50 camas e estão lotados durante todo o Verão.

Os passadiços do Mondego podem ajudar a atrair ainda mais turistas?

Não tenho dúvidas que sim. Aquela parte do concelho não é suficiente para alojar tanta gente e vão acabar por vir para aqui, até porque também temos mais valias para lhes oferecer. A Câmara Municipal da Guarda terá um papel fundamental nesta divulgação

Quais os grandes projectos que tem em mente para tornar a Aldeia Viçosa ainda mais atractiva?

Temos em vista obras aqui no espaço que catapultem a praia fluvial para outros patamares. Temos dois projectos âncora: a construção de uma área de apoio ao auto caravanismo e uma pista de pesca federada. A Câmara Municipal disse-nos para englobar todos os projectos num só. Estas empreitadas vão alargar a praia a montante (área de apoio ao caravanismo) e a jusante (pista de pesca). Queremos que a Aldeia Viçosa seja uma referência turística no Vale do Mondego.

Quando é que esses projectos devem estar concluídos e qual o investimento previsto?

Este é o meu terceiro e último mandato. Conto ter a pista de pesca e a área de apoio ao autocaravanismo prontas e a funcionar antes de me ir embora em 2025. A pista de pesca será com pesqueiros naturais, nada de cimento ou madeira. Vamos deitar algumas árvores abaixo, o mínimo possível, construindo 42 pesqueiros. Além disso, teremos de abrir um caminho de terra. Quero deixar também as novas margens do açude prontas. Não será um investimento muito avultado.

Este espaço em termos de exploração é deficitário?

Pelo contrário, é auto-suficiente. No final da época balnear ainda sobra algum dinheiro.  As receitas, provenientes das entradas e da concessão da exploração do bar, permitem custear as pessoas que trabalham aqui, tudo o que é higiene e segurança, bem como a manutenção. Não é pouco. Temos o brio de ter um espaço seguro e limpo. Não poupamos. Por época balnear temos custos de aproximadamente cinco mil euros. Mas sobra sempre dinheiro que nos ajuda a gerir as contas da freguesia ao longo do ano.

Está a dizer que a praia fluvial ajuda a financiar outras actividades da Junta?

Somos uma freguesia atípica. O dinheiro deveria ser para investir aqui, mas não é. Serve para pagar as dívidas que herdámos de outros executivos e que em 2013 eram de 240 mil euros. Neste momento está em cerca de 150 mil. Todos os meses pagamos 600 euros. Em nove anos, como dizia no outro dia ao senhor presidente da Câmara, com o que pagámos tínhamos o suficiente para comprar um bom tractor para assegurar a limpeza da freguesia. É a nossa sina.

Os seus mandatos foram muito condicionados?

Sem sombra de dúvida. Tanto a nível financeiro, como de realização de infra-estruturas. O anterior presidente ajudou muita gente, bem ou mal… levou muita gente a passear e nós estamos a pagar a factura. Mas estamos a trabalhar e a construir o caminho.

Praia fluvial hasteou bandeiras Azul e de Praia Acessível e já tem escorrega em funcionamento

A Praia Fluvial de Aldeia Viçosa hasteou, pelo segundo ano consecutivo, as bandeiras Azul e de Praia Acessível – Praia para Todos, distinções que atestam as condições de qualidade da praia fluvial, pelo cumprimento de critérios de gestão e educação ambiental, informação, qualidade da água balnear, serviços e segurança dos utentes, e também dos requisitos legais relativamente à acessibilidade para pessoas com mobilidade condicionada.

A Junta de Freguesia, responsável pelo espaço, deu conta que nesse mesmo dia recebeu a notícia do licenciamento de um escorrega de água instalado no local e que se encontrava encerrado por falta de licenciamento. A cerimónia contou com a presença o presidente da Câmara Municipal da Guarda que assegurou a disponibilidade do município para ajudar, dentro do possível, a melhorar o espaço que é uma “mais valia para o concelho”.

“A continuidade deste serviço de proximidade, entre a CM da Guarda e as Freguesias, permite investimentos que servem toda a população. Podem contar com a Câmara para uma manutenção contínua e com ajuda, dentro dos possíveis, para melhorar este espaço”, referiu Sérgio Costa.

Fotos: CM Guarda

LEIA TAMBÉM

Vereador do PS assegura maioria ao PSD na Câmara de Nelas e concelhia retira-lhe confiança política

O presidente da Câmara Municipal de Nelas, Joaquim Amaral, alcançou um entendimento com o vereador …

CM de Tondela aprova mais de 277 mil euros em apoios a entidades do concelho

A CM de Tondela aprovou, na reunião de 10 de Fevereiro, mais de 277 mil …