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Rescaldo de uma queda anunciada. Autor: Nuno Tavares Pereira

Poucas horas passaram depois das eleições, provavelmente as mais disputadas da democracia, mas os efeitos são irreversíveis.

Por partidos, o grande destaque vai para o PSD/CDS, que teve uma vitória significativa, embora sem alcançar maioria absoluta. Em contrapartida, o PS afundou, com um dos candidatos mais à esquerda de sempre — e aí poderá estar a resposta que muitos questionam.

O estilo radical à esquerda de Pedro Nuno Santos retirou votos à sua esquerda e fez perder muitos votos ao centro e à direita. Isso levou o PS a cair de forma inesperada, nem sequer antecipada pelas piores sondagens. Deve ainda sublinhar-se que, durante a campanha, muitos autarcas e militantes socialistas abandonaram o seu candidato. Na região centro, no entanto, estiveram todos em força: presidentes de câmara socialistas, funcionários das autarquias socialistas e candidatos socialistas às próximas eleições locais formaram uma verdadeira máquina a lutar pelo melhor resultado possível.

Figuras como Ana Abrunhosa em Coimbra, João Azevedo em Viseu, Ricardo Cruz em Tábua, Francisco Rolo em Oliveira do Hospital, Paulo Catalino no Carregal do Sal, Luciano Ribeiro em Seia, entre muitos outros autarcas socialistas, participaram nas arruadas, nos comícios e até foram a Lisboa no desfecho da campanha.

Mesmo assim, foi uma derrota em larga escala.

O desfecho impressionante destas legislativas arrastou o candidato do PS e os seus apoiantes para o abismo político do dia 18 de Maio de 2025. Tal como aconteceu com outros partidos socialistas pela Europa fora, este poderá ser um momento de viragem — ou de extinção. O PS é necessário à democracia, mas a sociedade não precisa de radicais como Pedro Nuno Santos.

Em Coimbra, o PS teve o pior resultado de sempre. O Chega, por sua vez, registou o pior resultado entre todos os distritos, muito por mérito da Aliança Democrática (AD), que alcançou o melhor resultado desde que o distrito passou a eleger apenas nove deputados. A AD elegeu quatro deputados, retirando um ao PS, e catapultou o distrito para uma onda laranja e azul, que só não venceu no concelho de Soure, onde o candidato local do PS beneficiou do efeito casa.

Em Viseu, a AD venceu em todos os concelhos e o candidato socialista à câmara local, João Azevedo — que já foi deputado —, foi politicamente humilhado na maior cidade do Interior. O PS perdeu ali mais um deputado para a AD.

Na Guarda, a AD voltou a ser a coligação mais votada, vencendo em todos os concelhos, com excepção de Manteigas. A divisão de deputados manteve-se inalterada face às últimas eleições.

A nível nacional, o PSD/CDS cresceu, o PS perdeu expressão e o Chega aumentou a sua base eleitoral à custa do descontentamento generalizado. O Chega foi buscar votos à esquerda, à direita e a quem nunca tinha votado.

Localmente, estes resultados não podem ser transpostos automaticamente para as próximas eleições autárquicas, mas têm sempre impacto. Foi o que aconteceu quando Passos Coelho venceu as legislativas e afirmou que se estava a “lixar para as autárquicas” — muitos municípios mudaram de cor e passaram para o PS.

É óbvio que podem ocorrer mudanças a nível local. Os funcionários das autarquias socialistas sentem que o poder pode mudar e começam a ficar nervosos. Mas é assim a vida democrática. Um dia são uns, no outro são outros. Os lugares políticos não devem ser vitalícios, mas transitórios.

Na região, o Chega cresceu, mas como se sabe, não apresentará listas em todas as autarquias, o que irá libertar votos para outras candidaturas.

Estas eleições não devem ser lidas como uma antevisão directa das autárquicas, mas são um sinal claro: há uma revolta das populações face ao domínio socialista nas câmaras municipais. E esse sinal não pode ser ignorado.

Resta agradecer a todos os que fizeram as eleições acontecer — e até Setembro.

 

 

Autor: Nuno Tavares Pereira

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