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“Há falta de coragem dos políticos para resolver os problemas do interior”

O ex-líder do PSD Rui Rio levou a problemática do interior ao seu programa de televisão no canal Now. O ex-líder dos sociais-democratas contou com testemunhos de autarcas dos territórios mais desfavorecidos e do empresário Fernando Tavares Pereira, tendo este último acusado os deputados eleitos pelos círculos do interior de se esquecerem rapidamente das causas para as quais foram eleitos. Rui Rio defendeu ainda a descentralização e um pacto de regime para contornar a tendência dos políticos canalizarem os investimentos para onde existem votos, ou seja, para os grandes centros do litoral, como o Porto e Lisboa.

O ex-presidente do PSD Rui Rio considera que numa altura em que país comemora os 50 anos do 25 de Abril, há duas áreas em que ficou pior durante estes anos: na justiça e no que respeita ao interior do país. “Se o país antes do 25 de Abril já era desigual, nestes últimos anos a situação agravou-se. Se existia concentração da população em Lisboa e Porto, agora ainda está pior”, revelou o ex-deputado no programa do canal Now: “Informação Privilegiada, Sem hipocrisia, com Rui Rio”. O espaço informativo contou ainda com a opinião do empresário Fernando Tavares Pereira e dos autarcas do interior do país Fermelinda Carvalho (CM de Portalegre), Rui Santos (CM de Vila Real) e Helena Barril CM Miranda do Douro). Rui Rio frisou ainda que existe “falta de coragem aos políticos” para investirem nas regiões que não têm tantos votos.

“O que os políticos não têm tido é coragem para contrariar aquilo que é a lógica de investir onde estão os votos. Quando fazem um investimento em Lisboa ou Porto agradam a um eleitorado que não existe em Portalegre ou Beja. Infelizmente é este o cenário”, sublinhou Rui Rio que deixou alguns números que demonstram um país completamente inclinado para o litoral. “83 por cento da população portuguesa com menos de 25 anos vive no litoral. 17 por cento vive no interior. 70 por cento da população do país vive nos primeiros 50 quilómetros a partir da costa. 30 por cento nos restantes cerca de 200 quilómetros. A densidade populacional nos 50 quilómetros a partir da costa é de 350 habitantes por km2. No restante território, a densidade é de 0,28 por quilómetro quadrado, ou seja, um quarto de pessoa por quilómetro quadrado.  45 por cento da população vive na área metropolitana de Lisboa e Porto”, explicou o antigo candidato a Primeiro-ministro.

“Isto é uma estupidez. Não tem pés nem cabeça. E como não fizeram nada para inverter este estado de coisas, a própria dinâmica, por si, leva a que o cenário seja cada vez cada vez pior”, continuou Rui Rio que defendeu a necessidade de descentralizar e deu o exemplo da Alemanha como um país que tem os diversos serviços públicos dispersos pelo território, algo, segundo ele, impensável em Portugal. “O tribunal Constitucional está em Berlim? Não, está na 22ª cidade da Alemanha, em Karlsruhe. Aqui admitíamos colocá-lo em Barcelos ou Famalicão? Não. Eu tentei que fosse para Coimbra e não consegui. O Banco Central na Alemanha também não está em Berlim, está em Frankfurt. Temos aqui um exemplo de um pais desenvolvido e adulto com os serviços descentralizados. Eu tentei fazer os possíveis para inverter esta situação, mas depois os resultados eleitorais foram o que foram precisamente porque eu não me regi pelos cânones habituais”, frisou.

Rui Rio contou com a concordância dos autarcas presentes e do empresário Fernando Tavares Pereira. O líder do Grupo Tavfer, com investimentos espalhados por quase todos os distritos do interior e litoral do país, incluindo Guarda, Viseu, Coimbra, Castelo Branco e Bragança, acusou mesmo os deputados eleitos por estes territórios de pensarem apenas nos votos. “Depois esquecem-se. Não defendem as causas do interior pelas quais foram eleitos”, sublinhou o empresário que não teve pejo de sublinhar que começou a trabalhar aos oito anos anos com os pais,  vendendo pelas feiras e que aos 18 anos se estabeleceu por conta própria, construindo, “com avanços e recuos “ , um grupo empresarial que dá trabalho a centenas de colaboradores.

“Os empresários que falam são perseguidos. Mas eu ainda hoje defendo as causas que não são minhas, mas de todos os portugueses. Há locais, de Norte a Sul, do interior do país com muitas dificuldades. Desde logo em termos de acessibilidades. Nós temos o IC6 que deveria ligar à Covilhã, prometido há 40 anos. Mas só foram feitos dez quilómetros. Temos a promessa do IC7 até Celorico da Beira que nos permitiria exportar os nossos produtos para a Europa e o IC37 de Seia a Viseu. Mas não passam de promessas com mais de 40 anos”, continuou Fernando Tavares Pereira que em 2022 ficou muito perto de ser eleito para a Assembleia da República nas listas do PSD.  “Mas eu se fosse para lá nunca me calaria”, conta, sublinhando que no interior é também muito difícil segurar quadros qualificados. “Formamos pessoas, mas dois anos depois vão embora, porque não temos condições para as reter. Faltam serviços de saúde, justiça, bancos e até os CTT. Tudo o que era bom tem desaparecido das nossas regiões”, conclui.

Rui Rio concorda e fala na necessidade de se estabelecer um pacto de regime a dez anos para contornar a ditadura dos votos. “Será a única forma de superar este problema. O interior, o país, precisa de incentivos fiscais para os empregos criados no interior. É necessário ajudar a que as empresas se instalem nesses territórios. Existir um ensino com cursos que respondam às necessidades das empresas. Mas também um investimento na saúde e outras áreas importantes. Isto seria benéfico para o pais como um todo. Actualmente, quem vive nos grandes centros tem má qualidade de vida devido ao excesso de concentração populacional. No interior há a ausência de serviços, de investimento e um forte envelhecimento da população”, concluiu Rui Rio.

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