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Sandomil recuperou edifício que promete ser atracção turística e uma homenagem aos agricultores

“O nosso objectivo é colocar Sandomil como uma referência em termos turísticos. É um sector que está a crescer na zona centro e queremos que quem visitar Seia ou a Serra da Estrela passe necessariamente por Sandomil”. O presidente da Junta de Freguesia daquela localidade do concelho de Seia, André Martins, acredita que o Centro Interpretativo do Vale do Alva e da Agricultura de Sandomil (CIVA), que ontem foi inaugurado, será um dos polos de atracção daquela aldeia que vive paredes meias com o rio Alva. O projecto implicou a recuperação de um edifício em ruínas, herdado pela Junta de Freguesia ao assumir as dívidas de uma cooperativa agrícola existente no local, e um investimento a rondar os 250 mil euros. Tudo graças à vontade da junta de Freguesia (constituída por André Martins, Ana Cardoso e Carla Martins), ao amparo da Câmara Municipal e, em particular, do seu presidente, Luciano Ribeiro.

O jovem autarca de 35 anos explica, sem disfarçar uma ponta de orgulho, que um dos objectivos do “imponente espaço” é dar a conhecer a história da agricultura e, em particular, do vinho, daquela localidade. Mas também vai receber exposições temporárias ligadas à Serra da Estrela e ao vale do Alva, ao mesmo tempo que passará a acolher os serviços da Junta de Freguesia. “Foi um monte de ruínas que se transformou num dos edifícios mais bonitos de Sandomil e do concelho de Seia”, conta André Martins, mostrando as paredes onde estão gravadas histórias e lendas das localidades Sandomil, Corgas, Cabeça de Eiras e Furtado. Fala sobre as diversas salas, cada uma com a sua narrativa sobre o passado da agricultura. Desde os artefactos ao relato de como eram desenvolvidos os trabalhos.

O edifício estava de tal maneira danificado que o projecto inicial teve de ser alterado porque o que encontraram no seu interior depois de retirado o entulho deixou à vista paredes e uma escadaria de rara beleza. “Estava tudo coberto. Era impossível saber o que estava lá por baixo. Quando o arquitecto entrou cá dentro para fazer o levantamento para o projecto inicial não se deu conta da existência das paredes e da escadaria. Já em obra tivemos esta agradável surpresa. Tivemos de fazer alterações ao projecto”, conta, apontando para a ampla escadaria. Lembra, a propósito, que quando decidiram avançar com o projecto apenas existia um antigo alambique comunitário que estava em funcionamento, mas era uma parte externa ao edifício. “Não comunicava com o edifício. Foi algo que procuramos de imediato resolver porque queríamos o alambique, que noutros tempos serviu a gente de Seia e não só, ligado à parte do vinho”.

O vinho ocupa o primeiro piso do edifício, dada a sua importância para as gentes daquelas localidades, mesmo em termos de empregabilidade. O espaço dedicado à sala do vinho, da vindima e à destilaria que é o alambique é, por isso, generoso. Já no piso superior o destaque vai para a restante actividade agrícola. “Sandomil era o abastecedor de Seia. Todas as quartas-feiras, as nossas gentes levavam o que de melhor produziam para a cidade”, conta André Martins que justifica a elevada produtividade com o microclima no fundo do vale do Alva, lembrando que um dos produtos mais rentáveis era a produção de elevada qualidade de cebolo.  “Era uma das referências de Sandomil. Os nossos agricultores chegavam a ter encomendas de um ano para o outro. Era a cultura mais lucrativa. As nossas gentes iam ao Alentejo comprar a semente, semeavam e depois vendiam a planta que haviam de produzir cebolas de qualidade”, nota.

O CIVA dá também destaque a uma actividade que já escasseia pelo país, mas que ainda se mantém activa em Sandomil: o moinho da farinha. “Ainda está em funcionamento e abastece as padarias desta área que fazem broa”, conta o autarca, lembrando que o moleiro de Sandomil ficou gravado na parede porque faleceu há dois anos e era uma pessoa muito querida da população.

O edifício comtempla ainda uma sala designada de reunião dos agricultores que vai servir também para as actividades da Assembleia de Freguesia, com destaque na decoração, com lendas e fotos, as aldeias que compõem aquela autarquia: Sandomil e as três anexas de Corgas, Cabeça de Eiras e Furtado. Uma outra sala será a sede da Junta da Freguesia.

André Martins considera que com a publicidade necessária, este novo edifício, que só encerra às segundas e quartas feiras e tem entrada gratuita, vai atrair muita gente a Sandomil, o que se deverá verificar durante todo o ano, já que nas épocas mais frias há muita gente na Serra da Estrela e no Verão há forasteiros na praia fluvial apetrechada com nadador salvador e várias valências que lhe valem a bandeira de praia acessível.  A Junta prepara-se ainda para transformar o parque de merendas da localidade em praia fluvial. “Queremos ser a única freguesia de Seia com duas praias fluviais”. conclui.

O projecto, que contou com um financiamento de 150 mil euros do Programa de Desenvolvimento Rural, consumiu ao longo de alguns anos os recursos da autarquia, que, para levar em frente esta empreitada, abdicou de outros investimentos, limitando os restantes gastos à limpeza de todas as aldeias e vias e à manutenção da praia fluvial. A Câmara Municipal comparticipou com cerca de 50 mil euros e o empenho do seu presidente Luciano Ribeiro.

“A recuperação deste edifício era uma ambição antiga de Sandomil e da Câmara Municipal. Não sei porque não foi feito antes, mas sei que houve projectos. Hoje está a ser devolvido à população um edifício que é dos mais bonitos de Sandomil e do concelho de Seia”, conta o presidente da CM de Seia Luciano Ribeiro, que elogia o facto desta empreitada ter sido uma forma de homenagear os agricultores.  O autarca elogia ainda o executivo da Junta de Freguesia “que teve o desiderato de investir, mandando fazer um projecto sem garantias de financiamento. De apresentarem uma candidatura que veio a ser aprovada”. “É certo que tiveram sempre a Câmara ao seu lado. Mas foi um grande sacrifício. Houve algumas coisas que ficaram para trás, mas agora, depois deste sufoco, podem ser realizadas” concluiu Luciano Ribeiro.

Fotos: Pedro Ribeiro

 

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