O Secretário de Estado das Florestas reforçou ontem em Nelas o compromisso do Governo com a gestão sustentável dos recursos florestais, assegurando a abertura de uma candidatura, a abrir no próximo mês de Novembro, com o objectivo de assegurar um apoio financeiro a 100 por cento para os trabalhos de estabilização de emergência nas áreas afectadas pelos incêndios.
Rui Ladeira aproveitou ainda a visita para acompanhar de perto os trabalhos de estabilização de emergência na localidade das Caldas da Felgueira, onde estão a ser executados trabalhos de faixas de contenção, seja em paliçada, seja na desobstrução das linhas de água, barreiras para contenção de cinzas, e sementeiras, para que “sejam minimizados os impactos do somatório da água das chuvas com a desagregação dos terrenos queimados, com o sentido de responsabilidade de proteger não só a floresta, mas também os impactos que pode criar nos territórios”, referiu.
O governante dirigiu ainda uma palavra de agradecimento e incentivo às equipas de Sapadores Florestais presentes, frisando a necessidade de melhoria de condições de trabalho, seja através da reposição de novo equipamento de protecção individual ou de maquinaria útil ao desempenho de funções. Lembrou que no concelho de Nelas, arderam este ano cerca de 2.300 hectares e, “após o impacto dos incêndios, há necessidades emergentes e urgentes de fazer a estabilização”, isto é, “desobstruir as linhas de água, criar zonas de contenção intermédia”. “Aqui, e noutras zonas do país, foram criadas na linha de água paliçadas e zonas de contenção com o próprio material que ardeu para garantir que as cinzas não vão para os rios para perturbar e natureza”, apontou Rui Ladeira.
Durante a visita de hoje, o secretário de Estado ouviu a explicação por parte do responsável do ICNF no local, Rui Ventura, que esclareceu que, ao longo de cerca de três quilómetros de linha de água foram criadas quatro a cinco barreiras que evitaram a deslocação para o rio Mondego, cerca de 200 metros a jusante, de uma “enorme carga de cinza”.
Também o terreno na margem da linha de água recebeu “uma sementeira com tractor que ajuda a estabilizar o solo” e a “conter a água que desce das encostas, de maneira que não provoque cheias e enxurradas que, eventualmente, pudessem derrubar o aqueduto e, consequentemente, a estrada”.
O Presidente da Câmara Municipal de Nelas, Joaquim Amaral, destacou a importância desta visita para o concelho, agradecendo o apoio do Governo nos projectos de sustentabilidade florestal, e todo o trabalho, profissionalismo e dedicação das equipas que se encontram a preparar o território do Concelho, e que dão cumprimento a tarefas de prevenção determinantes para a salvaguarda das florestas e território no futuro. Já o Presidente do Conselho Directivo do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), Nuno Banza, reiterou as palavras do Secretário de Estado reforçando a importância do acompanhamento dos trabalhos desenvolvidos no terreno pelas suas equipas.
Secretário de Estado das Florestas promete novas equipas de sapadores, equipamento e aumento de verbas
Rui Ladeira indicou ainda que, no país, há 412 equipas de sapadores florestais e algumas já deviam ter o seu equipamento de viaturas recuperado” e, para isso, prometeu “arranjar recursos para garantir essa realocação”. Além das “viaturas todo-o-terreno”, há também “os ‘kits’ de primeira intervenção ao rescaldo dos incêndios” – estão a ser feitos avisos – e “vão continuar, para a protecção individual, por segurança”, para que chegue a “todas as associações e entidades gestoras”. “Vamos fazer uma coisa que não tenho memória de ter acontecido, que é recuperar e entregar novo equipamento para estas acções: motosserras, moto roçadoras, tudo aquilo que é importante para a acção no terreno, não só em termos de segurança, mas também em termos de qualidade e eficiência”, acrescentou.
O secretário de Estado adiantou ainda que o Governo quer, ao longo dos anos, “lançar novas equipas de sapadores em zonas onde não há, nem nunca houve” e, “já assumido pelo primeiro-ministro, vai haver uma correcção dos valores de protocolo, com efeitos retroactivos. Ou seja, os protocolos entre o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e as entidades gestoras vão “ter os valores anuais aumentados, aumentando desta forma o valor anual do serviço alocado”, neste caso, dos sapadores florestais. “Vamos dignificar mais o estatuto do sapador florestal, é esse o nosso propósito”, assegurou.
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