Até ao momento, o projecto já terá assegurado a plantação de quase meio milhão de árvores e está previsto terminar a época de plantação deste ano com 700 mil árvores plantadas, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Arganil, Luís Paulo Costa.
Com financiamento assegurado na sua totalidade pela Jerónimo Martins, serão investidos cinco milhões de euros num projecto que pretende reflorestar o território com espécies autóctones, transformar a paisagem e, pelo caminho, tornar o concelho mais resiliente contra os incêndios, explicou Luís Paulo Costa, durante o discurso que fez antes do arranque de uma acção num dos terrenos intervencionados, em Vinhó.
Apesar de haver um grande investimento na plantação (está prevista a plantação de 1,8 milhões de árvores até 2028), o projecto vai muito para além desse “momento inicial” e, por isso mesmo, a acção que decorreu em Vinhó, no Dia Mundial da Árvore, tentou fugir àquilo que é a tradição, salientou o autarca. No terreno, voluntários e técnicos, em vez de plantarem árvores, cuidaram daquelas que já estavam plantadas, fazendo pequenas podas ou limpando os terrenos à volta.
“A plantação é importante, mas é muito pouco se não se fizer tudo o resto a seguir”, contou à Lusa Luís Paulo Costa, sublinhando que o projecto e o seu orçamento estão pensados para um período temporal de 40 anos, de forma a garantir um acompanhamento adequado das florestas. A própria Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), que faz a assessoria técnica e científica do projecto, “fez muita questão de neste dia fugir-se da plantação e apostar-se na manutenção e nas podas, que são trabalhos essenciais para se garantir que a floresta tenha hipótese de sucesso”, frisou o autarca.
Em Vinhó, voluntários trabalham num povoamento misto, com carvalhos e pinheiro-bravo. Cerca de 85% dos terrenos que vão ser intervencionados pelo projecto serão de povoamento misto, com a convivência no terreno de pinheiro-bravo com espécies autóctones, como o carvalho negral, o castanheiro ou o sobreiro.
O pinheiro-bravo vai ajudar essas espécies a sobreviverem e a enraizarem-se nos primeiros anos de vida, sendo depois todo ele cortado ao 15.º ano de vida, usando o seu valor económico para continuar a financiar o projecto, aclarou Luís Paulo Costa. “Há esta simbiose e complementaridade entre espécies da nossa floresta”, frisou, sublinhando que o projecto terá impacto na paisagem daqui a 30 ou 40 anos, com auge a ser atingido daqui a 50 anos. “Estamos a falar de um projecto que ficará muito para lá da nossa existência terrena. Temos noção clara de que estamos aqui a fazer um caminho de longa distância, uma maratona”, frisou.
Também o vice-presidente da ESAC, José Gaspar, realçou que o projecto, apesar de ter “um foco inicial grande nas actividades que estão a decorrer, tem uma parte significativa para operações que são necessárias ao longo da vida destes povoamentos”. “Este é um projecto muito diferente do que acontece em outros. Criámos um projecto ao nível da paisagem, com área mais ou menos contínua, que permite fazer um enquadramento diferente e não estarmos sujeitos ao esquema dos subsídios que nos impõem determinada composição dos povoamentos e permite também experimentar novas abordagens”, destacou, por seu turno, a docente da ESAC Beatriz Fidalgo, realçando que o projecto tem muitos técnicos envolvidos, que analisam o trabalho feito e vão ajustando e modificando as acções mediante as necessidades identificadas.
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