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Sistema inovador de colecta de neblina testado na irrigação de árvores no Carregal do Sal e Vouzela

Nevoeiro ajuda a recuperar áreas atingidas dos incêndios de Outubro de 2017

O uso de inovadores sistemas de colecta de nevoeiro para irrigação florestal está a ser testada na reflorestação de áreas dos concelhos de Carregal do Sal e de Vouzela, atingidos pelos incêndios florestais de Outubro de 2017. O projecto Life Nieblas. Um plano que se destaca pelo recurso a protótipos de colectores de neblina, os quais permitem a recolha de água para rega das árvores mesmo quando não existe precipitação. O projecto é financiado pelo Programa para o Ambiente e a Acção Climática (LIFE) e está dotado de um orçamento a rondar os 2.18 milhões de euros. “O objectivo é testar e comprovar a eficiência de diferentes tipos de sistemas de irrigação e recolha de água e tentar demonstrar a eficácia destes sistemas e a possibilidade da sua replicação noutros territórios”, explica em entrevista ao CBS um dos responsáveis do projecto o Chefe de equipa multidisciplinar da Unidade do Ambiente e da Protecção Civil Intermunicipal, da CIM Viseu Dão Lafões, André Mota, referindo que a estimativa de recolha de cada colector possa chegar a uma média anual entre 11 mil e 20 mil litros. “Com este sistema podemos ter árvores independentes e saudáveis, não dependentes de irrigação externa, que podem sobreviver mais facilmente em condições adversas”.

CBS- Como se pode definir o projecto Life Nieblas?

André Mota – Convém esclarecer que o programa LIFE é o instrumento de financiamento da União Europeia para o ambiente e a acção climática, e que, o objectivo geral do LIFE é contribuir para a implementação, actualização e desenvolvimento da política e legislação ambiental e climática da UE, co-financiando projectos com valor acrescentado europeu. No caso concreto do Projecto LIFE Nieblas, o objectivo será recuperar zonas protegidas e localizadas em espaços classificados como sendo de interesse comunitário, zonas essas, grandemente afectadas por incêndios florestais no passado, utilizando na reflorestação, espécies autóctones da região. Pretende, ainda, testar e comprovar a eficiência de diferentes tipos de sistemas de irrigação e recolha de água, bem como testar e comprovar formas alternativas de se efectuar a plantação, com o objectivo de se poder replicar posteriormente as referidas técnicas e tecnologias, noutros territórios.

O que são na realidade os colectores de neblina, onde foram desenvolvidos e como funcionam?

Os colectores de neblina utilizados no território da CIM Viseu Dão Lafões, foram desenvolvidos nas Ilhas Canárias, local de onde é originária a entidade promotora do Projecto LIFE Nieblas, e serão, grosso modo, uma estrutura metálica onde é colocada uma malha de pequena dimensão, em diversas camadas, a qual tem como função reter e posteriormente, colher, as gotículas de água que formam a névoa, obtendo assim, água de alta qualidade sem necessidades energéticas, sem gerar desperdícios e sem afectar de forma alguma o ambiente. Espera-se que 100 por cento das necessidades de água do projecto sejam asseguradas única e exclusivamente pelos colectores de neblina.

 Já têm alguns resultados, resultados deste género de experiências com os colectores de neblina?

Da instalação que foi feita no território da CIM Viseu Dão Lafões, ainda não há resultados, uma vez que a instalação foi concluída há muito pouco tempo (mês de Fevereiro). Podemos afirmar, no entanto, que existiu recolha de água, logo nos dias seguintes à instalação. Nesses dias não existiu qualquer precipitação, mas observamos a presença de água dentro do reservatório associado aos colectores. Da experiência das instalações existentes nas Ilhas Canárias, podemos dizer, que a produção de cada colector varia em função das condições climáticas da área onde serão instalados (altitude, ventos, nevoeiro e outros factores climáticos), mas estimamos que pode ser calculada uma produção média anual entre 11 mil e 20 mil litros para cada colector.

Qual a área da CIM Viseu Dão Lafões abrangida por esta experiência piloto?

Está considerada uma área total de dez hectares para a execução do projecto piloto: seis hectares em Oliveira do Conde, concelho de Carregal do Sal, onde foram plantados 2.200 carvalhos alvarinho e carvalhos negral quatro hectares em Vouzela que vão receber1.800 sobreiros, carvalhos alvarinho e carvalhos negral.

.Quando se poderão verificar se os resultados são ou não positivos?

Pese embora a plantação e as instalações já estejam concluídas no concelho de Carregal do Sal, neste momento estamos ainda a efectuar os trabalhos de limpeza e de preparação das parcelas, para realizar a plantação no concelho de Vouzela. De forma a podermos comparar resultados e aferirmos da eficácia do projecto, tivemos de usar um referencial transversal a todos os territórios, pelo que cada uma das plantações foi dividida em três sectores. Um terá as árvores plantadas e regadas com a água obtida da precipitação, conforme se faz tradicionalmente. Noutro será feita a aplicação de colectores individuais de neblina em cada uma das árvores. Finalmente, no sector restante, será efectuada a plantação das árvores, com a utilização de cocoons (reservatórios individuais de água, biodegradáveis, com capacidade de 25 litros), sendo que o abastecimento dos cocoons é garantido a partir do reservatório servido pelos colectores de neblina. Desta forma, pode ser comparada a eficácia de cada um dos sectores, comparativamente com os outros, no que toca à taxa de sobrevivência e desenvolvimento das árvores. Esta metodologia está a ser seguida quer nas plantações realizadas em Portugal, quer nas plantações realizadas nas Ilhas Canárias.

Esta experiência pode ser replicada noutras zonas do território nacional e ajudar os territórios devastados pelos incêndios?

Sim, poderá ser replicada noutras zonas do território nacional. O objectivo do nosso piloto, é, exactamente, tentar demonstrar a eficácia destes sistemas e a possibilidade da sua replicação noutros territórios.

Há mais experiências em curso com novas tecnologias na ajuda à reflorestação?

No caso deste projecto em concreto, estamos a utilizar também os cocoons, conforme referi anteriormente. Este dispositivo, foi também desenvolvido, no âmbito de um projeto LIFE, e foi concebido para apoiar o desenvolvimento da planta durante o seu primeiro ano (sendo este seu período mais crítico). Ao fornecer água e abrigo enquanto estimula a planta a produzir uma estrutura radicular saudável e profunda, aproveitando o abastecimento de água sub-superficial, permitirá desenvolver árvores independentes e saudáveis, não dependentes de irrigação externa que podem sobreviver mais facilmente em condições adversas.

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Na CIM Viseu Dão Lafões, temos mais projectos dentro da temática das alterações climáticas, da protecção da floresta e incremento da resiliência do território, sendo que, poderei destacar alguns projectos, tais como: a Plataforma de Emergência e Protecção Civil Intermunicipal (VIGIA), o Sistema Integrado de Videovigilância de Incêndios Florestais, o qual foi desenvolvido e está a ser implementado em conjunto com a CIM da Região de Coimbra, o projeto ClimAlert – Sistema de Alerta Prematuro e de Gestão de Secas e Erosão do solo (também este um projecto internacional) e finalmente, o projecto LIFE Landscape Fire, projecto este, também desenvolvido no âmbito do programa LIFE, sendo que neste caso é a CIM Viseu Dão Lafões a entidade promotora do projecto.

 

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