A directora do serviço de Urgência do hospital da Guarda, Adelaide Campos, disse ontem que a situação naquele serviço “é muito grave” e pode ser “catastrófica” a manter-se a indisponibilidade dos médicos em realizar mais horas extraordinárias. A médica precisou que para além de não haver especialistas de medicina interna este mês nas Urgências da Guarda às sextas-feiras, sábados e domingos, prevê-se que a partir do dia 1 de Novembro também não haja cirurgia e anestesiologia, isto num hospital que integra a Unidade Local de Saúde da Guarda, que tem uma área de abrangência com 160 mil habitantes.
“O que se prevê não é nada animador. É uma situação catastrófica”, sustentou, em declarações aos jornalistas. A falta de especialistas de medicina interna ao serviço de Urgência do hospital da Guarda, por recusa dos médicos em fazerem mais horas extraordinárias, já começou a fazer-se sentir no feriado e prolongou-se até domingo.
“Os doentes foram transferidos para Cova da Beira e para Viseu. Outros foram por meios próprios e outros encaminhados pelos centros de saúde. Mas isto é um acumular de volume de doentes que dificilmente irá conseguir resolver-se”, sublinhou a médica.
Adelaide Campos salientou ainda que “a situação é muito grave” num território com “um número de médicos muito limitado” e com um grande volume de doentes institucionalizados a necessitar de cuidados. “Estas pessoas vão necessitar de cuidados importantes dentro de dias, assim que comece o frio. Vão duplicar e triplicar as infecções respiratórias. Estas pessoas vão precisar de grande apoio do Serviço Nacional de Saúde que neste momento não está em condições nem com actividade capaz de suprir essas falhas”, realçou.
A directora da Urgência reconheceu que a Guarda “é apenas um peão deste jogo de xadrez que é o SNS em toda a sua abrangência”, mas sublinhou que se está a “assistir à degradação completa da estrutura funcional e da assistência médica”.
Considerou que o SNS “está muito próximo do colapso por incapacidade das estruturas de governo em resolverem ou tentarem criar um diálogo com as pessoas que neste momento querem usufruir do direito que têm em não fazer mais do que 150 horas extraordinárias”.
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