O Solar dos Amarais existiu em Vale de Azares, Celorico da Beira, também, conhecido por Solar de Fonte Arcada, por estar implantado numa propriedade no lugar de Fonte Arcada, um dos quatro povos que constituem a freguesia de Vale de Azares, no concelho de Celorico da Beira
Era uma casa senhorial com três pisos, rasgados por grande quantidade de portas e janelas. Apresentava na fachada principal uma pedra de armas, onde realçava a presença dos Cabrais e dos Amarais e a frontaria de uma capela dedicada a Nossa Senhora do Carmo. O solar foi mandado edificar por José Feliciano Amaral Cabral Saraiva que nasceu em 1816.
Margarida Mendes de Rezende, casada com um dos filhos do proprietário, revela-nos um pouco da sua história.
“Mais tarde, quando já estava em ruínas em consequência de um incêndio, foi comprado por meu sogro, José de Sousa Mendes de Rezende, segundo se supõe, à família Cabral Metelo que nos anos 50/60 viviam no Largo da Sé, em Coimbra. No início da década de 70 do séc. XX, foi desmantelado e transferido, pedra por pedra, para a Quinta dos Corgos, cuja propriedade ia desde o Mondego até aos limites de Vale de Azares, na freguesia da Lajeosa do Mondego, na reta das Primas na EN 16. As pedras foram todas numeradas para facilitar a genuinidade do edifício”.
O capricho de um homem rico, a viver no Brasil, reconstruiu o solar, mas descaracterizando-o arquitectonicamente, nomeadamente, com acrescentos no lado esquerdo e na parte posterior, a parte central do friso entre o primeiro andar e o segundo e a edificação de um varandim na entrada principal. Foi colocada uma pedra de armas que nada tem a ver com a do original solar em Vale de Azares. A nova pedra de armas é dos Amarais: Escudo esquartelado: I – Cabral, II – Pina, III – Mendes de Tânger, IV – Cunha; elmo de grades volvido à dextra, com ausência de timbre de Cabral e com paquife simétrico de elegantes formos vegetalistas. Interiormente, para quem conheceu o primitivo solar em Vale de Azares, existem alterações significativas.
A antiga pedra de armas de Cabrais e Amarais, não foi colocada no edifício, mas ficou a servir como suporte de um pequeno varandim no jardim em frente do solar, mutilado do elmo que serve como decoração num lago. Depois, essa pedra de armas desapareceu, permanecendo o elmo e timbre no dito lago.
Durante anos até 1982, funcionou como hotel e restaurante, alugado a uma sociedade do ramo da Guarda. Depois, foi alugado à firma ‘Setuval’ que o passou a explorar inicialmente no mesmo ramo, mas que o transformou numa casa de ‘diversão noturna’. Os herdeiros, Aida Mendes Rezende, gestora de negócios, e os filhos não se entenderam e não validaram a continuação do ‘aluguer’ pelo que, em 2014, encerrou, foi entregue aos proprietários que o colocaram à venda. Atualmente, vai-se degradando aos poucos e até vandalizado.
5 de abril de 2024.
Autor: João Trabulo
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc


