O secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, presidiu hoje à abertura da 37.ª edição da Tábua de Queijos e Sabores da Beira, que decorre até domingo, no Pavilhão Multiusos de Tábua.
Cerca de 150 expositores mostram, em stands apropriados, os chamados produtos endógenos desta região beirã, desde queijos, enchidos, mel, azeite, pão e vinho. Não faltam o artesanato e os stands da responsabilidade das associações locais e IPSS, que servem iguarias típicas, constituindo uma grande montra gastronómica tabuense.
Na abertura oficial, o presidente da Câmara Municipal de Tábua, Ricardo Cruz, destacou a importância do certame para a economia local e para a valorização dos produtos endógenos. “Estamos muito satisfeitos”, afirmou aos jornalistas, frisando que a iniciativa representa “um hino ao mundo rural” e traduz a afirmação da “identidade própria” do concelho. Com custos directos avaliados em 60 mil euros, conforme fora anteriormente divulgado, o autarca referiu que o evento tem vindo a crescer com o objectivo de reforçar o sector primário e criar condições para a sua continuidade, assumindo-se como uma referência, não só na região como em todo o país.
Ricardo Cruz destacou ainda os incentivos que o município prestou a quem trabalha no mundo rural, concretizados através da assinatura, feita em pleno palco do certame, de dois protocolos com a ANCOSE, Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela, e com a Agritábua, destinados ao reforço do apoio aos pastores e apicultores do concelho e da região. Especificou que o grande objectivo futuro passa por ter queijo DOP no concelho, sublinhando que o projecto de uma incubadora visa concretizar esse propósito.
Por seu turno, o secretário de Estado acentuou a necessidade de serem criados incentivos eficazes para quem pretenda investir na agricultura e na pecuária, exemplificando com o apoio ao pastoreio extensivo, no valor de cerca de 30 milhões. Confrontado com as dificuldades sentidas pelos jovens que pretendam abraçar esta actividade, o governante frisou: “Só se consegue convencer os jovens se aquilo que for pago pelo leite, se aquilo que for pago depois pelo queijo, for compensador para o trabalho que eles vão ter”. Silvério Regalado defendeu ainda a modernização da actividade agrícola, sublinhando que “temos que nos adaptar” e que o sector “tem que gerar recursos financeiros para quem cá está”.
O presidente da ANCOSE, Manuel Marques, lembrou no seu discurso os momentos difíceis que afectam os pastores devido à doença da língua azul, um factor que diminuiu a produção leiteira, acrescentando que “se não houver presidentes de Câmara que nos ajudem, qualquer dia perdemos uma das melhores gastronomias portuguesas”.
Abordando um tema lateral ao evento, a presidente da Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, deu ênfase àquilo que considerou ser uma posição pública e firme de solidariedade com os concelhos mais afectados, desenvolvendo a Região uma acção política persistente junto do Governo para que Tábua, Arganil, Oliveira do Hospital e Mortágua fossem incluídos no regime de calamidade pública, “reivindicação que se veio a concretizar no final de Fevereiro”, o que permitiu desbloquear instrumentos legais e financeiros fundamentais. Não deixou, contudo, de enaltecer que a Tábua de Queijos e Sabores da Beira representa a celebração viva da identidade e do talento das gentes deste território, enfatizando que o empenho do município e a aposta estratégica na fileira do queijo, assente em parcerias sólidas, são exemplares, projectando a região para o futuro, “sem descurar as raízes, criando pontes para que a produção local conquiste novos mercados”.
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