José Carlos Alexandrino, presidente da Assembleia Municipal e ex-autarca de Oliveira do Hospital, testemunhou ontem a favor de João Rogério Silva, antigo dirigente do Chega, acusado de ameaça agravada e dano com violência.
“Temos uma relação de amizade e é uma pessoa pacífica.” Foi desta forma que o presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, descreveu João Rogério Silva, antigo dirigente local do Chega, esta terça-feira, no segundo dia do julgamento que decorre no tribunal da cidade oliveirense e onde o arguido responde pelos crimes de ameaça agravada e dano com violência contra António José Cardoso, também ex-dirigente do mesmo partido.
Alexandrino, que também foi presidente da Câmara Municipal, disse ao tribunal que conhece o arguido “desde jovem” e que nunca o viu como uma pessoa conflituosa. “Se alguém me dissesse que ele tinha feito aquilo de que é acusado, ficaria muito surpreendido”, afirmou.
Durante o depoimento, relatou que a 19 de Março de 2023, data do alegado episódio, se encontrou com João Rogério Silva, “entre as 10h00 e as 11h00”, junto à sua casa, em Oliveira do Hospital. “Foi uma conversa amena. Não se falou de António José Cardoso”, sublinhou. Acrescentou que se lembrava do encontro por ser Dia do Pai e estar com as filhas nesse momento.
Questionado sobre eventuais desavenças anteriores entre os dois ex-dirigentes do Chega, José Carlos Alexandrino afirmou que João Rogério Silva lhe terá dito, noutras ocasiões, que estava a ser “bombardeado com mensagens provocatórias” por parte de António José Cardoso, mas garantiu desconhecer o conteúdo das mesmas.
O presidente da Assembleia Municipal frisou que o arguido “estava calmo e tranquilo” nesse dia e que não manifestou qualquer nervosismo. Apesar de não ter sido formalmente notificado para testemunhar, decidiu comparecer em tribunal como testemunha abonatória por sua iniciativa. “Fiquei estupefacto quando soube do que se dizia, através de notícias que circulavam na cidade”, afirmou. “Mais tarde, quando nos voltámos a encontrar, ele disse-me que era tudo mentira. E eu não acredito que seja capaz de fazer o que lhe é imputado.”
Já outra testemunha abonatória, ouvida logo a seguir, ofereceu uma versão diferente. Disse ter visto o arguido e José Carlos Alexandrino juntos naquela manhã e garantiu que o tema da conversa era precisamente António José Cardoso. A testemunha referiu ainda que não acredita que João Rogério Silva fosse capaz de cometer os actos de que é acusado.
No primeiro dia do julgamento, a 1 de Julho, o arguido optou por não prestar declarações. Já António José Cardoso relatou ao tribunal a sua versão dos acontecimentos de 19 de Março de 2023. Afirmou que, após ter sido preterido pela distrital do Chega na nomeação para coordenador concelhio — tendo sido escolhido João Rogério Silva — começou a receber mensagens ameaçadoras com frases como “sei onde tu moras” e “vou-te acertar o passo”.
Segundo contou, nesse mesmo dia, quando se deslocava de carro para Mangualde, foi bloqueado por uma carrinha branca. O arguido, disse, saiu do veículo com “uma corrente dentro de uma mangueira e uma faca tipo militar” e gritou-lhe para sair do carro. “Só reagi quando bateu com a faca no vidro do condutor. Tive medo pela minha vida”, afirmou.
Cardoso declarou que o episódio teve impacto directo na sua saúde. “Sou diabético há 16 anos, a doença descontrolou-se. Dormir tornou-se complicado. Tenho que tomar sedativos. Temi pela minha vida e pela da minha família”, referiu.
A mulher do arguido também foi ouvida na sessão da tarde, mas o seu depoimento levantou dúvidas. A procuradora do Ministério Público pediu a extracção de certidão das declarações, para eventual instauração de processo por falsas declarações.
As alegações finais estão marcadas para as 14h00 da próxima terça-feira.
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