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“Toupeira” no MNE ajudou milhares de imigrantes ilegais a obter residência em Portugal

Alegado grupo com base em Coimbra e ramificações no Carregal do Sal ajudou milhares de imigrantes ilegais a obter residência em Portugal com documentos falsos, em alguns casos sem sequer entrarem no país. Uma funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros terá validado os registos forjados.

A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou um alegado grupo criminoso organizado que auxiliava milhares de imigrantes ilegais a obter residência em Portugal, com a colaboração de uma funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros. O grupo, que operava desde o início de 2022, foi responsável por crimes de auxílio à imigração ilegal, corrupção, branqueamento de capitais e falsificação de documentos. A operação, designada “Gambérria”, culminou com a detenção de 13 pessoas, incluindo empresários, uma advogada e a “toupeira” no MNE. Durante as buscas, realizadas em Coimbra, Espinho, Carregal do Sal, Amadora, Odivelas, Loures e Lisboa, as autoridades apreenderam documentos, veículos de luxo e cerca de um milhão de euros.

De acordo com Avelino Lima, director da PJ do Centro, o grupo recrutava imigrantes através das redes sociais, oferecendo facilidades para legalizar a sua situação, mediante pagamento de valores elevados. “Estamos a falar de milhares de pessoas. Não temos dúvidas de que muitas delas, com maior ou menor esforço, conseguiriam regularizar a sua situação, noutras vai ter de ser tudo revisto, certamente”, destacou o responsável. Os imigrantes eram oriundos, em sua maioria, de países lusófonos da América do Sul e do Hindustão.

Embora muitos dos imigrantes nunca tivessem chegado a Portugal, alguns possuíam documentação de título de residência, com repercussões fiscais e na segurança social. O esquema incluía a criação de empresas de consultoria para fornecer aos imigrantes serviços como obtenção de contratos de trabalho, NIF, NISS, registos criminais, abertura de contas bancárias, atestados de residência e outros documentos falsificados.

O grupo contava com a ajuda de uma funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que fazia parte da estrutura e validava a falsificação de documentos. “Tínhamos uma toupeira, infelizmente, nesse Ministério [dos Negócios Estrangeiros] e nesse serviço, que cessou com a sua actividade ontem [terça-feira]. Tinha um papel fundamental, porque acabava por dar veracidade a facto falso”, referiu Avelino Lima.

Na operação, a PJ apreendeu um vasto acervo de documentação utilizada para processos de legalização irregular de estrangeiros, equipamentos informáticos, 11 veículos automóveis, alguns de alta cilindrada, além de cerca de um milhão de euros em numerário. Foram ainda apreendidas duas presas de elefante em marfim com cerca de 50 quilos.

O Gabinete de Recuperação de Ativos – Centro procedeu ao arresto de seis imóveis, entre eles dois prédios rústicos e quatro urbanos (uma vivenda e três apartamentos). Também foram congeladas 35 contas bancárias, dois produtos financeiros da empresa de jogos Betano e uma conta de criptoativos na Binance.

A investigação continua, e a PJ avançou que é “muito possível haver mais detenções” à medida que o caso se desenvolve.

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