Manteigas, entre o bosque de São Lourenço, Covão da Ponte, até aos Casais de Folgosinho – Gouveia
Escolhi fotografias da ‘tragédia da Serra da Estrela”, publicadas por Paulo Figueiredo, em especial a que foi tirada da região da Castanheira – Covão da Ponte onde se pode ver, em primeiro plano, a capela de Nossa Senhora do Carmo à beira do Rio Mondego e, lá no alto, o cruzamento da Cruz das Jugadas, Manteigas.
Segundo informação, para lá da Cruz das Jugadas, as faias, carvalhos e castanheiros das encostas do monte de São Lourenço, terão sido consumidas pelo fogo…
Desaparecem assim os carvalhos monumentais e a beleza das faias que circundam a Capela de São Lourenço, lugar espetacular e testemunho vivo da história.
Também os matos rasteiros onde abundavam a urze, a giesta, o sargaço, etc., que eram um abrigo para uma diversidade de fauna, como o falcão-peregrino, o coelho-bravo, o morcego-de-ferradura-pequeno e o taranhão-caçador que já enfrentavam risco de extinção elevado, foram devastados pelo fogo. Para além destes, habitavam esta área a doninha, a fuinha, a lontra e o javali, o sapo-comum, a rã-ibérica e a cobra-de-água-viperina, entre outros que, agora, foram queimados vivos pelas chamas.
A tristeza abateu-se sobre a beleza da natureza destes locais que eram escolhidos e convidativos a momentos agradáveis em contacto com a natureza, embalados pelos chocalhos dos rebanhos e iluminados pelas estrelas.
Embora o melhor que a mãe natureza nos podia oferecer esteja a desaparecer, os odores a rosmaninho, hortelã-brava, alfazema e tomilho, hão-de voltar…
Nas restantes fotos, possibilitamos-vos observar como se encontrava a região antes desta “tristeza”.
Autor: João Pais Trabulo
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